Wimbledon e as previsões fracassadas para as Olímpiadas

De quatro em quatro anos, o esporte mundial passa pela empolgação de vivenciar um ciclo olímpico e tudo que for disputado na época perderá um pouco da força. O tênis entrou no clima olímpico somente em 2004, quando a medalha de ouro da maior competição esportiva do mundo passou a valer pontos para os rankings da ATP e da WTA. Desde então, Wimbledon ganhou um elemento a mais de importância: é no Grand Slam que tentamos avaliar quem chega ou não com favoritismo nas Olimpíadas. Raramente isso dá certo.

Andy Murray, atual defensor do ouro olímpico, levou o caneco em casa mais uma vez neste ano. O britânico bateu Milos Raonic em três sets e demonstrou que, aparentemente, será um dos favoritos no Rio de Janeiro. A exclusão precoce de Novak Djokovic contribuiu (e muito) para este feito de Murray, o que acaba significando pouco, tendo em vista que a competição aqui será em quadra dura, terreno de conforto de Djoko e de certo karma para Murray.

Andy Murray e suas medalhas na Olimpíada de Londres 2012. Foto: Rebecca Naden/PA Wire.
Andy Murray e suas medalhas na Olimpíada de Londres 2012. Foto: Rebecca Naden/PA Wire.

Lá em 2012, quando o britânico conquistou o título nas Olimpíadas de Londres, os jogos foram realizados na mesma grama onde ele, um mês antes, havia sido derrotado por Roger Federer na final de Wimbledon. A revanche nos jogos olímpicos foi não somente um peso retirado das costas de Murray como também encaminhou seu crescimento profissional – naquele mesmo ano, ele venceria o US Open, seu primeiro título de Grand Slam. Por serem no mesmo terreno, a proximidade do Grand Slam com os jogos olímpicos permitiu uma análise muito melhor, e de fato foi a edição mais previsível do torneio. Dos quatro semifinalistas olímpicos, três estiveram também nas semis de Wimbledon, mas claro que havia espaço para as surpresas. Não somente Juan Martin Del Potro foi este elemento inesperado, como levou uma medalha para a casa. O argentino, derrotado na quarta rodada no Grand Slam, quase chegou na final olímpica, caindo para Federer nas semis e batendo Djokovic na disputa do terceiro lugar.

Em 2008 a situação foi parecida com a de agora, Grand Slam na grama seguido de Olimpíadas em quadra dura. Na época vivíamos a “Era Nadal”, onde o espanhol vencia quase tudo. Chegando nas Olimpíadas da China com os canecos de Roland Garros e Wimbledon, e, claro, o favoritismo para o touro. Em Londres, final esperada entre Rafa e Roger, com vitória também esperada do espanhol. Porém, surpresa nas Olimpíadas com a queda precoce de Federer para James Blake, ainda nas quartas-de-final, abrindo mais ainda o caminho para o ouro da Espanha. O inesperado mesmo ficou para o vice do chileno Fernando Gonzales, cabeça-de-chave 15 da competição – apenas uma das duas finais de major que alcançou em toda carreira (Australian Open de 2007 foi a outra).

Se você não conhece, este é Nicolás Massú, campeão olímpico de tênis. Foto: alchetron.com
Se você não conhece, este é Nicolás Massú, campeão olímpico de tênis. Foto: alchetron.com

O ano de 2004 foi o show de previsões erradas. Tinhamos um cenário bem diferente do atual. Lá se vão 12 anos da Olimpíada de Atenas, ainda numa época de início de carreira de Roger Federer, que mesmo assim chegava como favorito depois de levar o título de Wimbledon. Na ocasião, um jovem Tomas Berdych, com 18 anos e não figurando nem entre os 50 melhores do mundo, aprontou logo na segunda rodada e eliminou o suíço, quebrando toda lógica da competição. O segundo favorito, Andy Roddick, caiu para Fernando Gonzales na terceira rodada e a loucura fechou com chave de ouro no título de Nicolás Massú, chileno cabeça 10 do torneio, resultando em sua única conquista profissional de expressão.

Neste ano de 2016 os jogos olímpicos terão uma importância bem maior do que em 2004, com certeza, e certeza maior ainda é de que Djokovic e Murray são os favoritos. Se Wimbledon servir de previsão, podemos pensar que Murray deve levar, mas o tênis olímpico é uma caixinha de surpresas.

Foto: Divulgação / Facebook

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