O top 10 da ATP nunca foi tão velho

A vitória de um tenista de 35 anos no primeiro Grand Slam do ano chamou atenção. O mais velho a vencer um torneio desse tamanho no tênis desde 1972, Roger Federer gerou uma discussão entre os fãs de tênis aqui no Time de Fora: será que os tenistas do top 10 estão muito velhos? Então pegamos a calculadora e pesquisamos a média de idade dos dez melhores tenistas de cada ano, no mês de março, para comparar e chegar a uma conclusão. Os dados e a nossa análise seguem abaixo.

De início, já dá pra dizer que a média de idade dos tenistas no top 10 da ATP nunca foi tão alta. Ou seja, os melhores do mundo no tênis nunca foram tão velhos quanto nos últimos anos. Esse envelhecimento é natural (claro, ninguém é Peter Pan), mas a comparação com os outros anos do circuito gera alguns debates interessantes.

Top 10 ATP: Muda o estilo, muda o jogador

Analisando os números mais de perto, dá de perceber que o início do que viria a ser o pico de média de idade no ano passado foi lá em 2009, o melhor momento da carreira de Rafael Nadal. Não por coincidência, foi o estilo do Touro que influenciou muito o tênis que é jogado atualmente.

Com um jogo corrido que alonga os pontos e força muito a base, Rafa foi a transição entre o que se via na época de Pete Sampras e o que vemos hoje na TV com Novak Djokovic. Quer provas disso? Veja a grama de Wimbledon nos anos 1990 e na última década.

Top 10 ATP
Na grama, podemos perceber as marcas que indicam onde os tenistas correm mais. Viu a diferença?

Os círculos vermelhos na imagem indicam um tênis com muito mais presença de rede lá pela década de 1990 (e até no início dos anos 2000 com Federer), enquanto atualmente está tudo para trás da linha de base.

Um jogo como esse, distante da rede, alonga o tempo de jogo. Os pontos têm mais trocas de bola, porque o jogo de fundo de quadra é mais lento naturalmente, permite um maior tempo de reação. Por outro lado, esse estilo também exige um maior preparo físico para correr atrás das bolas anguladas.

Isso pode parecer um complicador para a longevidade, certo? Mas a ascenção de Nadal, Andy Murray, Djoko e tantos outros levou a uma maior busca por atletas que possuam uma boa predisposição física. Junte a isso o avanço tecnológico e a incrível gama de profissionais presentes numa equipe de apoio de um atleta e você consegue um cara que aguenta jogar mais de 20 torneios por ano correndo que nem um louco.

Assim, a média de idade do top 10 da ATP pode estar tão alta porque o tênis passou a exigir muito mais do físico, mudando o perfil de seus atletas e dando a eles também uma maior longevidade devido aos treinos constantes e ao condicionamento sobre-humano.

É necessário o novo para renovar

Outro argumento possível para esse “envelhecimento” é a falta de novos talentos. Claro, temos caras como Milos Raonic, Kei Nishikori e David Goffin, que surgiram nos últimos anos e ascenderam rapidamente no ranking. O problema é: o canadense tem 27 anos; o japonês e o belga, 26.

De jovens talentos atuais que podem assumir as posições no top 10 da ATP no próximo ano, temos Dominic Thiem, Nick Kyrgios e Lucas Pouille, mas mesmo assim, olhando o topo do ranking, apenas o austríaco figura entre os dez melhores. Pior ainda, somente no ano passado e em 2014 tivemos tão poucos atletas com menos de 25 anos no top 10.

Talvez o que esteja atrapalhando é a transição do juvenil para o adulto, um caminho muito complicado e que não melhora nada com o gigantesco holofote que se volta para cada um que se destaca nos torneios.

É difícil tentar prever o caminho a partir de agora. Nós não temos uma seca tão grande assim de jovens tenistas talentosos desde os anos 1970, quando o circuito não tinha nem de perto o tamanho que tem hoje. Talvez o gráfico se repita e tenhamos diversos anos de equilíbrio. Ou talvez os caras que estão jogando hoje sejam mesmo Peter Pans.

Fotos destaque: depor.pe e Divulgação/Facebook

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