Sabia quem são todos os ganhadores da medalha Pierre de Coubertin na história

A medalha Pierre de Coubertin é considerada a quarta medalha olímpica. Também conhecida como “Medalha do Verdadeiro Espírito Esportivo”, ela é premiada àqueles que demonstraram espírito esportivo e devoção ao esporte em sua época. A medalha tem esse nome em homenagem ao fundador do Comitê Olímpico Internacional. Está escrito no Museu Olímpico: “é uma das honras mais nobres que pode ser oferecida a um atleta ou dirigente olímpico”.

No ano de 1936, a medalha foi oferecida pela primeira vez. Desde então, apenas mais dezessete pessoas tiveram essa honra. Conheça a seguir a história de cada uma delas.

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Eduard von Falz-Fein – 17 de fevereiro de 2017

A medalha mais recente foi concedida no dia 17 de fevereiro de 2017 ao Barão Eduard von Falz-Fein. Considerado um “diplomata do esporte”, o senhor de 104 anos fundou o Comitê Olímpico Nacional em Liechtenstein e foi o responsável pela participação do país nas Olimpíadas de Verão e de Inverno em 1936 (ambas aconteceram no mesmo ano). Ele também compareceu a quase todas as Olimpíadas.

Michael Hwang – 13 de outubro de 2014

Hwang foi premiado por seu trabalho como advogado e árbitro no Conselho Internacional de Arbitragem Esportiva, órgão que opera a Corte de Arbitragem do Esporte. Em 1991, ele começou a trabalhar como Comissário Judicial na Suprema Corte de Singapura e de 2008 a 2010, foi Presidente da Sociedade de Direito do país.

Richard Garneau – 6 de fevereiro de 2014 (premiada postumamente)

3 de novembro de 1972 (Garneau à direita) – Photo credit: Archives de la Ville de Montréal via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

Richard Garneau foi um jornalista esportivo e escritor de Quebec, Canadá, premiado postumamente com a medalha nas Olimpíadas de Inverno de 2014. Ele ficou conhecido como o apresentador de La Soirée du Hockey, um programa de televisão sobre o esporte muito famoso no país. Com uma carreira de mais de 50 anos, o jornalista cobriu 23 Jogos Olímpicos e estava planejando participar em 2014, porém morreu no início de 2013 aos 82 anos.

Ronald Harvey – 2 de abril de 2009

Conhecido na Austrália por seu trabalho como embaixador do basquete no país, Ronald Harvey trabalhou em organizações como a liga nacional do país (National Basketball League, NBL), o Instituto Australiano de Esporte e o Comitê Olímpico Australiano. Ele também foi Presidente da Federação de Basquete do país e organizou a participação australiana nas Olimpíadas de Beijing 2008.

Petar Cupać, Pavle Kostov e Ivan Bulaja – 18 de novembro de 2008

Na Olimpíada de Beijing 2008, dois velejadores croatas (Cupać e Kostov) e seu treinador (Bulaja) estavam assistindo à disputa de medalhas da categoria 49er em que já haviam sido eliminados. Quando viram na televisão o barco dos dinamarqueses (que então estavam na primeira colocação) Jonas Warrer e Martin Ibsen ter o mastro quebrado, os croatas foram até o local da prova e emprestaram seu barco, resultando na medalha de ouro para os dinamarqueses.

Shaul Ladany – 17 de maio de 2007

Shaul Paul Ladany é sobrevivente do Holocausto e atleta da Marcha Atlética que participou de duas Olimpíadas. Ele detém o recorde no percurso de 50 milhas com 7 horas e 23 minutos e foi campeão mundial na prova de 100 quilômetros. Além de ter vivido em um campo de concentração em Belsen e sobrevivido, o israelense estava com a delegação que sofreu o Massacre de Munique nas Olimpíadas de 1972. Quando 11 membros do time de Israel foram feito reféns e mortos por um grupo terrorista palestino, ele estava no quarto 2. Os terroristas invadiram os quartos 1 e 3.

Elena Belova – 17 de maio de 2007

Belova é uma esgrimista russa que competiu em quatro Olimpíadas: Cidade do México (1968), Munique (1972), Montréal (1976) e Moscou (1980). Ela ganhou medalha em todas elas, totalizando um total de quatro ouros, uma prata e um bronze — assim, se tornou a primeira esgrimista a mulher a conquistar quatro ouros. A russa também conquistou oito títulos mundiais.

Vanderlei Cordeiro de Lima – 7 de dezembro de 2004

O único brasileiro da lista é também o único latino-americano. A história de Vanderlei é mais familiar a nós: na maratona, ele liderava com boa vantagem desde a metade da prova. No km 35, Vanderlei foi atacado no meio da rua por um espectador (um irlandês chamado Cornelius Horan), que o jogou fora da pista. Após se desvencilhar do intruso, o corredor brasileiro acabou perdendo duas posições, mas mesmo assim comemorou com o aviãozinho, sua marca registrada, na chegada. Por seu espírito esportivo e humildade, o COI concedeu a honra para o brasileiro.

Vanderlei acendendo a tocha olímpica Rio 2016 Crédito de foto: familymwr via VisualHunt / CC BY

Tana Umaga – 21 de junho de 2003

Umaga é um jogador de rugby union aposentado que já foi capitão do All Blacks, a seleção neo-zelandesa. Em uma partida em junho de 2003, o capitão do País de Gales, Colin Charvis, foi nocauteado em um tackle de Jerry Collins. Umaga parou de jogar na hora apesar de seu time estar no ataque para ver se Charvis não havia engolido seu protetor bucal e mudou a posição do jogador adversário para ele ficar seguro. Ele foi o primeiro neo zelandês a receber a medalha.

Crédito de foto: miss_ubisetela via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

Spencer Eccles – Fevereiro de 2002

Eccles é um filantropo da cidade de Salt Lake City, nos Estados Unidos. Ele foi um dos três membros do comitê executivo de organização da Olimpíada de Salt Lake. Em reconhecimento de seu trabalho crucial para que os Jogos de Inverno de 2002 acontecessem, ele foi delegado como prefeito da Vila Olímpica durante a realização das competições e depois recebeu a Pierre de Coubertin.

Emil Zatopek – 6 de dezembro de 2000 (premiada postumamente)

Zatopek foi um corredor de longa distância da Checoslováquia. Com o apelido de “a locomotiva tcheca”, ele é conhecido por ter conquistado três ouros na mesma edição de uma Olimpíada, em 1952. Ele ganhou as provas de 5 mil metros, 10 mil metros e a maratona, sendo a primeira vez em que corria essa prova na vida. Após finalizar o percurso, Zatopek declarou: “Não consegui caminhar por uma semana inteira depois disso. Mas foi a exaustão mais prazerosa que vivi”.

Crédito de foto: Eugenio Hansen, OFS via VisualHunt.com / CC BY-SA

Raymond Gafner – 1999

Gafner foi um jogador de hóquei de gelo, árbitro internacional da modalidade e membro do Comitê Olímpico Internacional entre 1969 e 1990. Nascido em Lausanne, na Suíça, ele estudou Direito antes de virar goleiro no hóquei e, após se aposentar, foi Presidente da Federação de Hóquei de Gelo do país. Em 1947, tornou-se membro do Comitê Olímpico da Suíça em 1947 e foi seu presidente entre 1965 e 1985. Foi também um dos fundadores do Museu Olímpico.

Justin Harley McDonald – 1994

McDonald era o capitão da equipe australiana de bobsled nos jogos de Inverno de Lillehammer 1994. Antes da descida classificatória, ele emprestou o lastro para o time sueco que estava tendo problemas. Nenhuma das equipes chegou perto de medalhar, mas os suecos acabaram por ficar na frente dos australianos. McDonald foi premiado com a medalha por sua generosidade.

Lawrence Lemieux – setembro de 1988

Uma das etapas de competição da vela na Olimpíada de Seoul 1988 acontecia no dia 24 de setembro de 1988. Lemieux, até então, estava na segunda posição com grande probabilidade de ir à fase final. Mas, ao ver dois velejadores de Cingapura lesionados por seu barco ter virado, o canadense saiu de sua rota e foi resgatá-los. Após o resgate, ele ainda esperou a assistência chegar para terminar sua prova, acabando na 22ª colocação. Na cerimônia de medalhas, o Presidente do Comitê Olímpico Internacional ofereceu a Pierre de Coubertin a Lemieux “por seu espírito esportivo, auto-sacrifício e coragem”.

Karl Heinz Klee – fevereiro de 1977

Klee, nascido na Aústria, teve grande participação na promoção do esqui em seu país. Advogado e esquiador, ele também trabalhou judicialmente nas leis do esporte.

Franz Jonas – julho de 1969

Jonas foi um político austríaco, sendo o sétimo presidente de seu país, com dois mandatos entre 1965 e 1974 (o segundo incompleto devido a sua morte). Após a II Guerra Mundial, ele se envolveu na política do Vietnã. Também ficou conhecido como um forte defensor da língua Esperanto, a estudando por mais de cinquenta anos.

Eugenio Monti – 1964

Monti foi um atleta italiano de bobsled. Ele é um dos maiores da história do esporte, com dez medalhas do Campeonato Mundial da modalidade (nove delas são ouros) e mais seis medalhas olímpicas (incluindo dois ouros). Ele é conhecido por, na Olímpiada de Inverno Innsbruck 1964, ter emprestado o parafuso de seu sled para a dupla britânica Tony Nash e Robin Dixon quando seu equipamento quebrou. Os britânicos acabaram com o ouro, enquanto Monti e sua dupla ficaram com o bronze. Monti declarou na época: “Eles não ganharam porque eu emprestei o parafuso, mas sim porque foram mais rápidos”.

Luz Long – 1964 (premiado postumamente)

Long aconselhando Owens nas Olimpíadas de 1936 Crédito de foto: balakc via Visualhunt.com / CC BY-SA

Long foi um atleta de salto em distância da Alemanha nazista na Olimpíada de Berlim 1936. Ele ficou conhecido por desafiar os ideais da época e ter dado conselhos a Jesse Owens, seu adversário negro, na frente de Hitler. Owens acabou com o ouro e Long ficou com a prata. Long morreu em serviço pela infantaria alemã na II Guerra Mundial.

 

Crédito da foto principal: Agência Brasília via VisualHunt.com / CC BY

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