Brasil vence bem o Equador na estreia de Tite

Mais que jogar bem, era preciso ganhar do Equador pela 7ª rodada das Eliminatórias da Copa 2018. Porém, o Brasil ganhou jogando bem. Com apenas três dias do novo trabalho, jogando contra a sensação do torneio e na altitude de Quito, até o empate seria um resultado aceitável. No fundo esperávamos vitória na estreia de Tite, mas não desse tamanho, por isso é bom ter calma.

Alguns jogadores que estarão nesse grupo não jogaram. Alguns que jogaram sentiram a falta de ritmo na temporada que começou há duas semanas. Sentiram também a altitude, tanto a nossa seleção quanto a deles – vale lembrar que 11 dos 14 equatorianos que atuaram hoje jogam fora do país. Mesmo com isso tudo, foi promissor.

Mudança de técnico e de ares

Para começar, a escalação de Marcelo sinaliza tempos mais tranquilos. O melhor lateral esquerdo do país tinha rusgas com Dunga, por isso não era convocado. Agora, até o criticado e talentoso Thiago Silva tem boas chances de voltar. O rancor não está mais no vestiário, nem na coletiva, nem no campo.

Uma boa demonstração do clima mais leve foi o gol de Neymar. Ninguém teve que engoli-lo, como no fim das Olimpíadas. Nada de comemoração solitária. Foi para o banco e recebeu um empolgado abraço da galera e do técnico. Além do cabelo loiro, só futebol chamou a atenção. E isso dá sinais de uma mudança de postura dele e do grupo.

Finalmente temos um meio campo

Antes não tínhamos saída de bola eram passes intermináveis entre o quarteto de zaga e o primieiro volante de Dunga. Seja no 4-2-3-1 da primeira parte do trabalho ou no 4-1-4-1 da reta final, com a bola o time era um 6-0-4 à base de lançamentos. Sem a bola, tentativas de marcação pressão que, quando não davam certo, expunham nossa defesa. Dunga até tentou mudar, faltava ser técnico.

Tite, pelo contrário, já conseguiu implantar melhoras. Compactou o time, melhorou a saída de bola pela esquerda. Dada a atuação fraca de Daniel Alves e William na direita, foi com Neymar e Marcelo que surgiram as melhores jogadas durante toda a partida, como no segundo gol. Além disso, os contestados Paulinho e Renato Augusto ocuparam o meio campo, melhor setor do time (62% de posse de bola para o Brasil). Apesar do primeiro tempo, foi taticamente bom.

Na defesa, o técnico implantou o 4-1-4-1 que o levou ao título Brasileiro de 2015. Casemiro – ainda fora de ritmo – foi o primeiro volante e Neymar e Gabriel Jesus se revezaram para defender o lado esquerdo da defesa na primeira linha de combate. No segundo tempo foi um sistema mais seguro (o Equador teve apenas 6 chutes ao gol na partida), mas que demonstrou algumas falhas como falaremos posteriormente.

O tático ajudando o individual

A atuação coletiva da seleção foi boa e isso fez com que todos aparecessem de alguma forma, mas mesmo assim vale destacar alguns nomes. Como já falei de Marcelo e a contribuição que ele deu para o time na saída de bola, vou destacar outros três que me chamaram a atenção. Coincidentemente, três medalhas de ouro.

O primeiro destaque vai para o zagueiro Marquinhos. Os dois lances que mais apareceram foram duas tiradas de cabeça que evitaram gols equatorianos, mas a partida do garoto do PSG foi de gente grande. Seja afastando bolas (8 no jogo) ou fazendo a cobertura, mostrou segurança e tempo de bola, algo ainda mais difícil na altitude. Agora a tendência é se firmar como titular no seu clube e, possivelmente, na Seleção.

O segundo é Neymar. Não foi uma partida com o máximo do que ele sabe fazer, mas mostrou muita maturidade. Mesmo circulando por todo o campo, o craque não segurou a bola ou enfeitou demais. Usou suas jogadas de efeito em prol do time – teve um giro à lá Zidane muito bonito no segundo tempo. Correu o tempo todo e não provocou os adversários, só jogou bola e comandou o time tecnicamente.

Por fim, Gabriel Jesus, é claro. Antes de sofres o pênalti, o jovem estreante não estava bem na partida e errava nas suas escolhas. Passou uma bola que era para chutar no primeiro tempo, chutou de direita uma que era para finalizar de esquerda no segundo. Continuou brigando e foi desse jeito que ele conseguiu o pênalti do primeiro gol, a partir daí, deu show. Mostrou oportunismo e bom posicionamento no segundo e a fome de gol que lhe faltou antes, sobrou para marcar o terceiro. Poderia tocar, mas marcou um golaço. Ótima estreia na seleção principal.

GabrielJesus-BrasilEquador
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Dá para melhorar

Apesar do bom jogo, o resultado não diz exatamente o que foi a partida, tanto que dois gols foram aos 41 e 46 minutos do segundo tempo, já com um jogador a mais. O Brasil correu riscos na primeira etapa. O meio demorou para encaixar uma cobertura para Daniel Alves que estava tendo problemas com o rápido Jefferson Montero. Algumas vezes, o meio também se mostrou desligado com Casemiro, Renato Augusto e Paulinho errando na saída de bola ou recompondo o meio com lentidão.

Menos mau para o Brasil que o Equador fez uma partida muito abaixo do esperado. Com muitos jogadores atuando fora do país, a altitude já não parece ser tanta vantagem quanto antes. Isso atrapalhou tanto quanto o campo ruim, já que eles possuem um time técnico e rápido. Sorte nossa que, com um esquema menos vertical, tivemos espaço para trabalhar na bagunça defensiva que foi o adversário. Mas aí surgiu um outro problema: a falta de pontaria.

Quando o jogo estava 0 a 0, o time criou algumas chances, mas faltou chutar no gol. Foram 16 finalizações, o que é bom dadas as circunstâncias, mas apenas 5 na balisa. Faltou direção em chances claras com Renato Augusto (abaixo), Paulinho e Gabriel Jesus (antes dos dois gols).

Arte: footstats.net
Brasil acertou 5/16 chutes no gol contra o Equador (Arte: Footstats.net)

O que esperar?

Vamos ver quando a Seleção enfrentar times mais fortes. Não é desconfiança ao Tite, mas sempre vale acalmar os ânimos da torcida. Há várias outras seleções com tática e técnica melhor que a nossa e, como disse Garrincha em 1958: “falta combinar com os russos”.

Aliás, a freada na empolgação vale para este que vos escreve e que não via a seleção jogar bem há muito tempo. Temos um bom teste na próxima terça-feira, 6, contra a Colômbia e aos olhos de uma torcida que pressiona bastante: a brasileira.

PS: Destaques do Futebol Feminino

Ainda estamos esperando que atendam ao pedido da Rainha Marta, mas temos que nos mexer também. Por isso pretendo colocar em meus textos de futebol alguma informação, comentário ou link sobre o futebol feminino, mesmo sem relação direta ao texto.

Nesse caso, vamos falar das classificadas para as oitavas de final da Copa do Brasil, um dos dois torneios que a CBF realiza por ano. Dos 32 clubes participantes, metade já está eliminado e não tem mais calendário. Você pode ler a matéria do site Planeta Futebol Feminino com os placares clicando aqui.

Foto destaque: Lucas Figueiredo/CBF

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