Teliana faz o dever de casa, mas dá adeus a Roland Garros

Não tinha como se esperar mais que isso. Enfrentando a melhor jogadora do mundo, Teliana Pereira perdeu por 2 sets a 0 – parciais de 6/2 6/1 – e deu adeus a Roland Garros em 2016. A brasileira foi persistente e correu atrás das bolas, mas jogar de igual para igual com a força de Serena Williams é para poucos.

O começo do jogo foi marcado por certo medo de Teliana Pereira e marretadas vindo do outro lado da quadra. Com facilidade, a americana abriu quatro games a zero em cerca de 20 minutos (na primeira rodada, ela fechou a partida em 42). Porém, quem acompanha um pouco do tênis da WTA sabe que a número 1 tem inconsistências em seu jogo, e foi nessa hora de distração que Teliana aproveitou para confirmar o serviço e conseguir uma quebra. Com dificuldade de manter o nível – e com uma diferença absurda na velocidade do primeiro saque entre as duas jogadoras -, não foi difícil para Serena voltar à partida e embalar seu favoritismo fechando a primeira parcial.

A média de primeiro saque da americana foi de 170km/h. Para a brasileira, 150km/h Crédito: rolandgarros.com
A média de primeiro saque da americana foi de 170km/h. Para a brasileira, 150km/h
Crédito: Site oficial de Roland Garros

No segundo set, muito mais inconsistência por parte da brasileira. Tenistas com estilo de jogo como o de Teliana Pereira, de alongar bolas e procurar o máximo de trocas possível esperando o erro do adversário sofrem contra Serenas Williams da vida. É preciso movimentar a americana o máximo possível para forçar erros e aproveitar o seu ponto fraco (ou ponto menos forte) que é a habilidade de agir com reflexos rápidos. Sara Errani e Carla Suarez-Navarro, por exemplo, que tem maneira de jogar parecida com a da brasileira, já perderam de muito mais contra a americana. Errani tomou duplo 6/0 em uma quarta-de-final de US Open e Suarez-Navarro 6/0 6/1 em uma semi de Roland Garros. Além disso, as duas tenistas já figuraram no Top 10 da WTA (Errani é a atual 18a e Suarez-Navarro está em 14a).

Então, não valee dizer que o saldo foi negativo. A brasileira aproveitou o único ponto de quebra que teve, teve menos erros não-forçados que a americana (15 contra 17) e correu mais (982.3m contra 927.7m) em 1h6min de partida. É apenas difícil demais de chegar no patamar da atual campeã do Slam do saibro, que bate recorde atrás de recorde e não pretende parar tão cedo.

Mesmo repetindo a melhor campanha de Roland Garros da carreira, Teliana deve descer algumas posições no ranking, dado o fato de ter furado o quali em 2015. Em 2016, sem resultados bons para a brasileira: terminou 2015 na 45a posição e hoje está na 81a, com 14 derrotas para 4 vitórias. Seu piso mais forte é o saibro, mas esperamos que a temporada de grama e as Olimpíadas sejam mais verdes.

Photo credit: Igor "Taz" via Visual hunt / CC BY-NC-SA

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