Seis coisas que a Primeira Liga pode aprender com a Lampions League

O torneio surgiu há muito tempo, lá pelas décadas de 60 e 70, mas o auge foi na segunda metade da década de 90 e deixou de existir no começo dos anos 2000. Com a CBF bastante criticada, escândalos de corrupção, maus resultados da seleção brasileira, a estrutura do futebol nacional constantemente debatida na mídia e os estaduais perdendo importância o campeonato volta com fôlego renovado pouco mais de dez anos depois.

Copa-do-Nordeste

Esse parágrafo que você acabou de ler poderia ser sobre a Copa da Primeira Liga tanto quanto da Copa do Nordeste – ou, com poucas mudanças, até sobre a Copa Verde, disputada por clubes das regiões norte e centro-oeste mais o Espírito Santo, mas isso é papo para uma outra hora, vamos focar nos dois primeiros. O segundo parágrafo deste texto seria parecido independente do torneio.. Os dois terminaram por motivação de outros interessados – CBF e Rede Globo – e não por vontade dos clubes.

Se seguíssemos estes textos eles tomariam caminhos distintos principalmente porque a Copa do Nordeste voltou em 2013 e a Copa da Primeira Liga está tendo sua primeira edição neste ano. Portanto, a Lampions League tem três anos a mais de experiência – e sucesso. Sucesso este que pode ter servido como inspiração para a criação da Primeira Liga, ainda quando a intenção era trazer de volta a Copa Sul-Minas-Rio. Logo, se já foi inspiração porque não aprender um pouco mais com o Nordestão, certo? Falamos de seis pontos, mas se você acha que tem mais coisa pra se espelhar na Copa do Nordeste ou se um desses pontos é bobagem deixa seu comentário ali embaixo pra gente discutir.

Contratos Longos

O contrato da Liga do Nordeste com a CBF é bem específico. Em 2001 e 2002 a Copa do Nordeste tinha crescido em faturamento e público – poderia ser considerada um sucesso. Em 2003, pressionada pelas federações e usando a reestruturação do Brasileirão – passou de mata-mata para pontos corridos – como desculpa, a CBF simplesmente acabou com a competição, mesmo tendo garantido mais edições. Começou uma briga judicial, a CBF perdeu, e, para não pagar a indenização aos clubes, aceitou um acordo para voltar a organizar a disputa. Assim, em 2013 o Nordestão estava de volta ao calendário nacional. Desta vez o contrato é até 2022 e envolve a Liga Nordeste, a CBF e o Esporte Interativo. Até lá a Lampions League está garantida, e as conversas para estender o contrato já começaram nos bastidores. É uma forma de forçar a CBF a aceitar o campeonato – mesmo que venha a incomodar as federações. Tirar a aceitação da CBF do caminho com um contrato longo seria ótimo para a Primeira Liga poder focar no que é importante de verdade: a disputa.

Não depender da CBF

Esse ponto é um “aprender com o erro”. As condições que proporcionaram o fim do Nordestão em 2003 por vontade da CBF ainda existem. O que garante a realização do campeonato hoje é um contrato. O que garantia a realização do campeonato em 2003 também era um contrato e mesmo assim ele não aconteceu. Assim como naquele ano quem organiza o torneio ainda é a CBF. Depois de vários anos de disputa judicial e um acordo que trouxe de volta o torneio é de se esperar que a CBF não cometa o mesmo erro. A Primeira Liga já deu indícios de que, se for necessário, realizará a copa com jogos em caráter amistoso, o que não necessitaria da aprovação da Confederação Brasileira de Futebol. Essa independência em relação à confederação nacional é algo que a Primeira Liga pode aprender com a má experiência da Copa do Nordeste em 2003 e fazer diferente.

Distribuição das cotas de TV por desempenho

O valor pago pelo Esporte Interativo para transmitir a Lampions League na TV fechada é dividido conforme o desempenho dos times. Das 20 equipes, 16 delas ganham 500 mil reais só por participar – as outras quatro são do Maranhão e Piauí e só vão receber a premiação por participação em 2017, por contrato. Os clubes que passam para as próximas fases ganham mais uma quantia e assim vai, até a final. Em 2016 a premiação total vai chegar a R$ 14,82 milhões.  A Primeira Liga pode usar da mesma estratégia para tornar a competição ainda mais atraente para os clubes.

Baixos gastos operacionais

A Liga do Nordeste é quem organiza a parte comercial da Copa do Nordeste – patrocínios e direitos de transmissão. A sede da Liga é, por estatuto, na residência do presidente eleito, o que evita gastos com aluguel, por exemplo. No quadro de contratados apenas uma funcionária, que fica responsável pela burocracia, papelada, assinaturas. O custo de operação para por aí. A logística operacional mínima reduz custos e não tira dinheiro das cotas de TV e patrocínios. Já nos estaduais as federações ficam com uma fatia grande desses valores, um dos motivos é para manter a estrutura física e logística, muitas vezes inchada. Destinar esses valores o máximo possível para os clubes deve ser um objetivo da Primeira Liga.

Vaga para outros torneios

Depende da CBF? Depende. O campeão da Copa do Nordeste ganha uma vaga para a Copa Sulamericana desde 2014. Sport e Bahia foram os que se classificaram pelo torneio. Mas se a edição de 2013 desse vaga quem teria disputado a competição continental teria sido o Campinense, da Paraíba, que tenta se classificar para a Série D de 2016. Mais um motivo para os clubes focarem na competição e evitar que usem as equipes reservas, como alguns fizeram em 2015.

Valorização do produto

Copa do Nordeste

Isso o Nordestão aprendeu com a Liga dos Campeões. No primeiro jogo da final a taça recebe fitas com as cores dos finalistas, na decisão os clubes trocaram flâmulas especiais antes do jogo, o árbitro fez o cara ou coroa com uma moeda especial com o desenho da taça. Mas o principal é a forma como o torneio é chamado de forma oficial na mídia: Lampions League. A brincadeira com a Champions League surgiu do público e foi adotada pela competição, inclusive a fanpage oficial do campeonato no facebook é Lampions League. São pequenos detalhes que mostram o cuidado dos clubes com o produto que estão vendendo para seus torcedores e estabelece uma importância para a disputa.

Foto principal: Rener Pinheiro via CBF / Divulgação

Um comentário em “Seis coisas que a Primeira Liga pode aprender com a Lampions League

  • 23 de julho de 2016 em 21:31
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    A logística para os times e a rivalidade regional tb são forças latentes em ambos os casos.
    um calendário nacional semelhante ao que as grandes ligas americanas fazem tb faria mt sentido por aqui.
    Por exemplo, no campeonato brasileiro, 4 regionais (poderia ser: sul/sp/rj+es+ne/mg+no+c.o.) de 8 times em que os times joguem em turno e returno contra sua região, turno único como visitante contra uma das outras e como mandante contra uma terceira (aí poderia-se ate msm fazer em datas concentradas, 1 mês os times so viajam viagem longa uma vez pra ir outra pra voltar), e o quarto confronto não ocorre naquela temporada, havendo um rodízio desses confrontos, só repetindo o turno e returno na sua região, com os 4 campeões mais os 4 melhores independente da região avançando ao mata-mata (pode-se entender pros vices + 4, dando uma folga pros campeões) valoriza mt esses pontos.
    e na copa do brasil, começar estadual (em alguns casos ate micro regional), avança aos regionais (rj/sp; sul/mg; ne; verde) e as semifinais nacionais.

    campeões das copas e das ligas regionaisna sulasulamericana, campeão da liga nacional na pré-libertadores, campeão da copa do brasil e do mata-mata da liga na libertadores, demais vagas complementadas pela soma de pontos no mata-mata, liga e copa do Brasil.

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