Acabou, Roger?

A atual temporada de um dos melhores jogadores de tênis da história (se não o melhor) está, no mínimo, estranha. Depois da desistência de cinco campeonatos em 2016, Roger Federer anunciou que não participará desta edição de Roland Garros – o motivo é a lesão nas costas, mesma que o tirou do Masters 1000 de Madrid. Já em Rotterdam, Dubai e Indian Wells, o suíço sofria com um problema no joelho – inclusive fez uma cirurgia em fevereiro, a primeira em toda sua carreira. E em Miami, um vírus estomacal tirou o jogador da competição. O Aberto da França de 2016 é o primeiro Slam que o terceiro melhor jogador do mundo não participa nos últimos 65, encerrando um recorde histórico de participações seguidas (desde 1997). Então… Acabou, Roger?

No final do ano passado, quando Federer anunciou um calendário cheio de aparições em 2016, mesmo aos 34 anos, os fãs – do esporte e do seu tênis – ficaram um pouco mais tranquilos a respeito de uma possível aposentadoria do tenista. Ele ainda declarou que não pretendia deixar de jogar tão cedo, que pensava em mais alguns anos de quadra. O que não podíamos contar era a extensa e variada lista de problemas médicos do suíço, que agora ficará quase um mês sem disputar partidas oficiais. A última foi a terceira rodada do Masters 1000 de Roma na derrota por 2 sets a 0 para Dominic Thiem, no dia 9 de maio. A previsão de retorno é dia 06 de junho no ATP 250 de Stuttgart, já na temporada de grama, isso se nenhum outro imprevisto acontecer.

O último dos quatro Slams conquistado por Roger Federer foi Roland Garros de 2009. Em dez anos (2005 a 2014), apenas ele – uma vez – e Rafael Nadal – nove vezes – foram campeões.

Com todo esse calendário atrapalhado, já surge a pergunta: E nas Olimpíadas? O sistema de classificação do esporte permite até quatro jogadores por país nas chaves simples e estes são escolhidos de acordo com o ranking. Isso não é problema. Mesmo sem participar de Roland Garros, Roger Federer não perde o posto de terceiro do mundo para Wawrinka, compatriota suíço que é o quarto e que defende os 2000 pontos do título no ano passado. Alías, o único jeito de Roger deixar a terceira posição, mesmo com poucas aparições em 2016, é se Nadal vencer o Aberto da França (cujo histórico no torneio é impecável, convenhamos, apesar de isso não servir como base hoje por razão do espanhol estar reencontrando seu tênis). Mas voltando a participação olímpica, já não seria algo a se questionar?

Photo credit: Marianne Bevis via VisualHunt.com / CC BY-ND
Photo credit: Marianne Bevis via VisualHunt.com / CC BY-ND

Roger Federer, você não precisa provar nada a ninguém. Para mim, você é o melhor jogador na história. Se você tem o jogo mais completo, tenho dúvidas – e falo mais sobre elas nesse post -, mas isso é irrelevante. Todos torcemos para ver seu jeito gracioso de jogar tênis de volta em Wimbledon – essa, pra mim, é sua maior chance de levar outro Slam, já que sabemos que o saibro nunca foi seu ponto mais forte e talvez a grama o seja -, mas, se não der, todo o legado que você deixou para os amantes do esporte ficará para a eternidade. No início do ano, a aposentadoria do australiano Lleyton Hewitt já foi muito emocionante. Pouco tempo atrás, no basquete, Kobe Bryant deixou as quadras para entrar na história (o amigo Lucas Inácio, aliás, escreveu sobre isso muito bem aqui). Com você, não será algo diferente. Se tiver acabado, nós vamos aceitar. Não queremos vê-lo voltar a jogar em um nível alto e competitivo se estiver se desgastando com lesões, isso não é justo para tudo que você já entregou no esporte.

Talvez seja um exagero pensar assim, que é o fim. No seu anúncio de desistência de Roland Garros, você escreveu: “Continuo tão motivado e animado como sempre e meu plano é atingir o maior nível físico antes de retornar ao mundo da ATP para a temporada de grama”. Podemos lembrar que Andy Murray, por problema na lombar, não jogou Roland Garros em 2013 e voltou para ser campeão em Wimbledon. Ou Nadal, que tem lapsos de seu tênis fantástico depois de voltar de lesão. A idade, porém, influencia muito. Afinal, você está fazendo 35 anos em agosto. Apenas Ken Rosewall, em 1970, foi um vencedor de Slam ultrapassando essa faixa etária. Então, se for o final de sua incrível carreira, ou talvez o final das conquistas de títulos, Federer, saiba que a comunidade de tênis irá te referenciar como um dos maiores.

Photo credit: cattias.photos via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

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