Roland Garros terá um novo campeão… de novo

Pelo segundo ano seguido, teremos um novo campeão no saibro francês. Roland Garros terá uma final inédita entre Novak Djokovic e Andy Murray, ambos sem nenhum título no Slam. Sabe a última vez que isso aconteceu? Faz tempo…

Lá no começo do século XXI, 2002, a final de espanhóis entre Juan Carlos Ferrero e Albert Costa encerrou o domínio de Gustavo Kuerten na França. Vencedor em 2000 e 2001, Guga chegou como favorito em 2002, mas caiu na quarta rodada para Costa, que viria a levar o título. Ferrero também levaria um caneco no ano seguinte, e o argentino Gastón Gaudio logo em seguida.

Rafa Nadal e um novo campeão
Arte: Vinicius Schmidt

Por que é importante lembrar desta época? Pois é a era conhecida (e nomeada por mim) como A.R., ou Antes de Rafa. Roland Garros foi por muito tempo (uma década, basicamente) um Slam chato. Todo mundo sabia que Rafael Nadal iria vencer e a expectativa era sempre esperar quem iria contestar o espanhol. Apenas Roger Federer foi um novo campeão no Aberto francês entre 2005 e 2014, mas não foi ele quem destronou Rafa. Lá em 2009, Robin Soderling chegou como mais um e derrubou o rei do saibro na quarta rodada do torneio, um choque para todos que presenciaram o feito. O sueco viria a perder a final para Federer, claro, mas figurou novamente na final em 2010 – desta vez perdendo a revanche para Nadal num sonoro 6-4 6-2 6-4.

Agora, em 2016, a chance de ver um novo campeão pelo segundo ano seguido traz um ânimo maior para Roland Garros. Em 2015 foi Stan Wawrinka quem venceu, tirando o doce da boca de Djokovic, que queria buscar seu primeiro grande título no saibro – o único que falta em sua vasta coleção. Andy Murray será o adversário deste ano, em sua primeira final na França, na sétima vez que ele encara o sérvio numa final de Slam. Nole é o favorito, não só por ter vencido cinco das seis finais de major, mas também por estar muito mais acostumado com o saibro. Não é a toa que o britânico está pela primeira vez na decisão de Roland Garros. O estilo de Murray se encaixa muito melhor em quadras rápidas e a cadência que o saibro traz o incomoda em certo ponto.

O jogo deve ser pegado, um possível quinto set não é nenhuma previsão ousada, e apesar da vantagem em duelos gerais para Novak Djokovic (23-10 para Djoko no duelo direto entre eles) é difícil falar de favoritismo. Andy Murray teve um caminho difícil no seu lado da chave e eliminou o atual campeão com estilo. Independente de quem vença, a alegria deste jogo está em, novamente, ver um novo campeão em Roland Garros – mesmo sendo ele uma figurinha bem carimbada no circuito.

Foto principal retirada de: ubitennis.net
Arte: Vinicius Schmidt

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