Roland Garros começou de verdade

Roland Garros finalmente começou! Não, a gente sabe que foi na semana passada que os confrontos do maior torneio do saibro tiveram início, mas a competição na França esquenta é agora, nas quartas de final. Pode aparecer uma zebra ou outra até aqui, mas é a partir desta fase que começamos a perceber quem pode brigar pelo título.

Alguns jogos já foram definidos, mas vale a pena analisar o cenário geral.

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Por Vinicius Schmidt

Novak Djokovic vai vencer Roland Garros. Assim, de cara? É, assim mesmo que começo. Com a saída de Nadal e Federer, o caminho ficou relativamente aberto para Nole. Seu confronto contra Berdych deve ser tranquilo – o saibro nunca foi o piso preferencial do Tcheco – e encarar Theim ou Goffin também não deve ser problema.

Falando nele, o jovem austríaco teve sorte nesta edição de Roland Garros. Ou talvez não, depende de como se olha. Ele iria encarar, possivelmente, Rafael Nadal nas oitavas, num duelo que colocaria seu tênis em teste. Uma vitória o colocaria em destaque – e daí a ideia de que talvez seria bom esse jogo -, mas uma derrota o tiraria da briga por, quem sabe o título – e por isso digo sorte. O duelo entre Thiem e Goffin parece o mais equilibrado destas quartas, diga-se de passagem, mas nenhum dos dois deve alcançar a final.

Já do outro lado o bicho pega! Tanto Stan Wawrinka como Andy Murray sofreram este ano em Roland Garros. O atual campeão do Grand Slam, assim como o britânico, tiveram jogo duro logo na primeira rodada, mas mostraram que querem muito buscar o título. Stan encarou a surpresa Ramos-Vinolas e atropelou, em busca de sua defesa de título e marcando que vencer na França ano passado não foi sorte.

Murray bateu de frente com Gasquet, outro cara que resolveu jogar agora. Costumo dizer que o francês só aparece para jogar realmente, com vontade mesmo, só uma vez por ano. Em 2016, parecia ser Roland Garros o torneio premiado. Não foi, ele ficou pelas quartas mesmo, apesar de tentar incomodar o britânico.

O que quero dizer com tudo isso? No melhor estilo EsporteCast, sem ficar em cima do muro, digo que reeditaremos a final de Roland Garros de 2015: Djoko x Stan.

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Por Gabriela De Toni

Assim como com Novak Djokovic no circuito masculino, hoje é impossível ser mais favorita que Serena Williams em qualquer campeonato de tênis em qualquer tipo de quadra em qualquer lugar do mundo. Em 2016 ela tem “apenas” um título, mas é a tenista mais forte. Apesar de Putintseva fazer um bom torneio, Roland Garros parece cada vez mais o torneio para Serena levar pra casa. Mais um deles.

Bacsinszky sabe disso, e joga contra Bertens pensando já em Serena, com certeza. A suíça eliminou a irmã mais velha, Venus, e até mesmo neste confronto – como em todos os outros de Roland Garros – teve vida fácil. Ela ainda não soube o que é perder um set na competição. Ainda assim, acredito que esse é o jogo mais equilibrado das quartas.

Do outro lado da chave, não é difícil apontar uma favorita no confronto entre Muguruza e Rogers. Enquanto a venezuelana naturalizada espanhola é a cabeça-de-chave número 4 e veio cotada como uma das candidatas ao título desde antes do campeonato começar, se alguém dissesse que Shelby Rogers iria chegar tão longe em Roland Garros essa seria a surpresa de toda a chave feminina. E não é exagero. Mês passado a americana de 23 anos jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil e passou por nada menos que três cabeças-de-chave pra chegar até aqui: Karolina Pliskova (17), Petra Kvitova (10) e Irina Begu (25). Contando com Muguruza, esse é facilmente o maior desafio para Rogers, que nunca fez uma campanha tão boa em nenhum Slam (na Austrália e na Grã-Bretanha, caiu na primeira rodada. Nos Estados Unidos, na terceira). Já é lucro para a tenista que garante quase cinquenta posições no ranking, passando de 108ª para chegar em volta da 60ª melhor jogadora do mundo. Isso se ela parar por aqui.

O circuito feminino é cheio de surpresas. Quem está acompanhando Roland Garros sabe que Pironkova e Stosur enfrentaram jogadoras duríssimas nas oitavas-de-final: ninguém menos que Agnieszka Radwanska (2) e Simona Halep (6). Pironkova é tão zebra quanto Rogers. Para chegar até as quartas, ela derrotou Sara Errani (16), Johanna Larsson, Sloane Stephens (19) e a polonesa segunda melhor do mundo. Cedendo set apenas na última partida. Nada mal para quem só havia vencido uma tenista com ranking menor que 50 no ano (Lesia Tsurenko, 33ª, em janeiro). Assim como para a americana, este é o melhor resultado da búlgara em Slams.  Já Stosur, por ser uma tenista mais conhecida no circuito (já chegou a quarta colocação em 2011, quando levantou a taça de US Open), surpreende menos por ter chegado longe. Sua campanha, no entanto, é forte, passando por tenistas pelas quais já tinha perdido em 2016: a vice campeã do ano passado, Lucie Safarova, e a romena Simona Halep neste último confronto. E difícil apontar uma favorita numa parte da chave onde os dois nomes são surpreendentes. Ao contrário da outra quarta-de-final da parte de baixo da tabela, este é o confronto da experiência. Stosur tem vantagem, mas para quem surpreendeu a segunda melhor jogadora do mundo, agora já não seria tão estranho ver Pironkova em uma semifinal.

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