Para Japão, olimpíadas de Tóquio já começaram

Se você ouviu nosso penúltimo EsporteCast, sabe que avaliamos o desempenho do Brasil nos jogos do Rio 2016. E na nossa página oficial seguimos no clima olímpico, acompanhando os brasileiros na Paralimpíada. Mas hoje vou olhar para as competições do mês passado e tentar projetar o que virá no futuro. Em especial as Olimpíadas de Tóquio.

Nos próximos 4 anos prepare-se para ouvir falar muito da capital do Japão, por razões óbvias. E como você já deve saber, as obras para os próximos Jogos Olímpicos estão bem adiantadas. Além das construções, o que também está bem adiantada é a preparação do time japonês para a disputa em casa. E os números do Rio 2016 nos ajudam a arriscar esse palpite.

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Dando uma geral na história recente das Olimpíadas

Antes de se aprofundar no desempenho dos nipônicos nas Olimpíadas do Brasil, é bom observar os números de Jogos anteriores. Para não ir muito longe, fiz o recorte até Atlanta 1996 – e olha que 20 anos, em esportes, é tempo para mudar muita coisa.

Como os gráficos mostram, em número de medalhas o Japão teve seu melhor desempenho da história. É verdade que em Atenas a quantidade de ouros foi maior, mas será que um bom desempenho se mede apenas pelas medalhas douradas? Eu penso que não. Aliás, nem a quantidade de conquistas serve tanto de parâmetro e sim as finais disputadas. No gráfico acima observe os números absolutos e abaixo, a lista completa das competições.

Para entender os critérios, além das finais óbvias (como na natação, atletismo e ginástica) também considerei até a décima colocação nas competições sem eliminatórias (como a vela) e as semifinais (ou disputas por bronze) nos esportes coletivos e de lutas.

Crescimento gradual

Lutas, ginásticas e provas aquáticas. São esses os três setores que sempre deram medalhas aos japoneses e isso não mudou nos últimos 20 anos. O judô, claro, é o recordista de medalhas, mas a luta-livre e a greco romana não ficam para trás. Agora no Rio, por exemplo, a luta-livre trouxe quatro ouros, enquanto que o judô apenas três. E em Londres, até o boxe ajudou.

A ginástica artística é a que mais aparece nas notícias e a que dá mais chances de pódio, mas a ginástica rítmica e a de trampolim estão quase sempre chegando entre os dez melhores. A natação, como segundo esporte com mais pódios nas Olimpíadas (atualmente com 34 eventos), é bem aproveitada pelos orientais. Somada com o salto ornamental e o nado sincronizado, os japoneses participaram de 22 finais de provas aquáticas em Atenas, Beijing e agora no Rio.

Okay, os nipônicos são bem regulares em determinadas provas. Mas antes que você venha com o “velho ditado” ‘existem mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas’, preste atenção nos números abaixo. Se a evolução não é totalmente comprovada, ao menos não podemos ignorar uma melhora.

Comparando os desempenhos

De 2012 para 2016 o Japão “só” teve três medalhas a mais, contudo em finais, o número subiu de 65 para 74. Nestas disputas – insistindo como critério de desempenho – o país do sol nascente evoluiu nos seus setores “tradicionais”. E ainda por cima aumentou em outros esportes. No levantamento de peso foram 5 finais e ainda teve medalha – a média em outros jogos ficou entre duas e três disputas. O tênis de mesa e o badminton também vieram bem, com 6 finais – se somarmos de Londres a Atlanta, estes dois esportes chegam apenas a cinco.

O golfe e o rúgbi surgiram como novidades, mas não esqueça que o beisebol e o softbol retornam às Olimpíadas de Tóquio em 2020. Nas últimas edições, o Japão sempre chegou ao menos em quarto, nos dois esportes. Contando o caratê, ainda existe mais possibilidade de disputar o pódio (nos últimos Jogos Mundiais, em 2013, três japoneses levaram o ouro, entre as dez categorias).

Ápice nas Olimpíadas de Tóquio

Medalhas, finais, tudo muito bonito, muito legal. Mas como isso explica que a preparação já começou? Que fator vai refletir o desempenho do time da casa daqui a quatro anos? “Simples”: a idade dos atletas. É verdade que medir o ápice físico varia de modalidade para modalidade. Afinal, um ginasta de 27 anos já pode estar em fim de carreira enquanto que uma judoca da mesma idade acabou de chegar à sua melhor forma.

Mas os japoneses trouxeram uma turma bem nova para o Rio. Das 41 provas que deram medalhas aqui no Brasil, pelo menos 29 delas foram dadas a alguém com 23 anos ou menos (levando em conta àqueles que ganharam várias ou então times, como a ginástica masculina). Se aumentarmos o corte para 24 anos, são 37 medalhas. Com 25 anos, são 42 pessoas.

Prognóstico para as Olimpíadas de Tóquio

Não é certeza, mas podemos imaginar que estes mesmos atletas – com 27, 28 e 29 anos – voltem a participar de finais olímpicas em Tóquio, quiçá até repetindo a boa colocação. No caso da mesa-tenista Mima Ito, que com 15 anos ganhou bronze por equipes, podemos esperar até três outras olimpíadas de alto nível.

Jogadora de tênis de mesa tem grandes chances de trazer medalhas nas Olimpíadas de Tóquio
Créditos: Página do Facebook MimaItoOfficial

Para efeito de comparação, a já citada olimpíada de Atenas teve 19 japoneses com 23 anos ou menos levando medalhas. No corte de 24 anos, eram 25 pessoas e com 25 anos, apenas 29. Foi uma competição que, por exemplo, marcou a última medalha de Tadahiro Nomura, único tricampeão da história do judô olímpico, e também da consagração da judoca Ryoko Tani, que ganhava sua quarta medalha seguida – a quinta veio em Beijing.

Em compensação, nesses mesmos Jogos, as lutadoras de estilo-livre Kaori Icho (na época com 20 anos) e Saori Yoshida (então com 21 anos) fizeram sua estreia e conquistaram as medalhas de ouro. Já este ano, Kaori (aos 32 anos) chegou ao seu tetracampeonato olímpico e Saori (aos 33) quase alcançou o mesmo, ficando com a prata depois dos títulos em Beijing e Londres.

Apresentação do logos dos Jogos Paralímpicos e das Olimpíadas de Tóquio, em 2020
Créditos: Ministerio do Esporte via VisualHunt / CC BY-NC-SA

É verdade que existem muitos fatores que podem alterar totalmente essa previsão. Da melhora dos adversários a lesões destes jovens atletas, tudo pode influenciar no desempenho japonês. Além disso, é sempre bom lembrar que até mesmo o Brasil parecia ter feito uma boa preparação em Londres. Só que nós não tivemos o Super Mario nos nossos minutos de encerramento… 

Foto de capa: Ministerio do Esporte via VisualHunt / CC BY-NC-SA

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