Retrospectiva 2017 do tênis mundial: Federer e Nadal de volta ao topo

Estamos em setembro, o US Open chegou ao fim, e a temporada 2017 da ATP vai se encaminhando para o seu final. Todos os Grand Slams já conhecem seus campeões anuais e 7 de 9 torneios de Masters 1000 já foram realizados. Faltam apenas os torneios de Shangai e Paris, em outubro, e o ATP Finals, em Londres, no mês de novembro.

Um ano maravilhoso para velhos conhecidos e jovens promessas, mas não tão bom para Andy Murray e Novak Djokovic, que vinham sendo os mais constantes do ranking ao longo dos últimos anos. Ranking esse que começou 2017 recheado de jogadores na casa dos 20-30 anos entre os 10 primeiros, mas vai terminar com boa parte dos “trintões” por cima.

Leia mais: O resumo da temporada 2017 da WTA em números

Mandou bem

Alexander Zverev foi um dos maiores vencedores do ano. O alemão começou o ano com 19 anos e a posição #24 do ranking mundial. Meses depois, o jovem de 1,98m de altura é o quarto melhor do mundo e tem presença no ATP Finals quase garantida. É bem verdade que Zverev não foi tão bem em Grand Slams — seu melhor resultado foi em Wimbledon, quando chegou às oitavas — mas o garoto foi um sinônimo de consistência. Foi campeão em Montreal e Roma, e fez quartas em Madrid e Miami.

4th title this year. 5th overall . Thanks for all the support and the @citiopen #moretocome #hardworkpaysoff

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Ao todo, Zverev tem um recorde de 47 vitórias e 15 derrotas no ano. Ganhou cinco títulos e uma premiação de mais de 3 milhões e 400 mil dólares.

Juan Martin Del Potro também foi um dos tenistas que foram bem em 2017. Depois de anos conturbados sofrendo com sérias lesões, o argentino conquistou o público mais uma vez ao subir 18 posições no ranking de fevereiro para cá.  Melhor do que os números foram as atuações. Del Potro voltou a ser competitivo e jogar bem em partidas grandes. Contra Federer, nas quartas do US Open, o backhand foi constante e a direita foi uma verdadeira marreta. Gostamos e gostaríamos de ver mais disso em 2018, por favor.

Quem mais foi bem: Kevin Anderson, Sam Querrey, Dennis Shapovalov e Dominic Thiem.

3 de Nicolas Quadro

Não deu certo

Os problemas físicos derrubaram Djokovic, Murray e Wawrinka em 2017. Os três até conseguiram chegar longe nos torneios da primeira metade de 2017, mas ao longo do ano as lesões foram matando a temporada. O primeiro a cair foi Djoko, que disse, em julho, que iria ficar de fora das competições da ATP para se recuperar de uma lesão no cotovelo.

Murray começou o ano como o número #1, fez quartas na Austrália, semifinal em Roland Garros e oitavas em Wimbledon. Não levou nenhum torneio de Masters 1000 pra casa em 2017, mas foi campeão em Dubai e semifinalista em Barcelona, dois ATP 500. Com uma lesão bem chata no quadril, o escocês preferiu não jogar o US Open e disse que vai tentar se reabilitar para voltar 100% para a temporada 2018.

Já Wawrinka fez semifinal na Austrália e perdeu a final de Roland Garros para Rafael Nadal. Parou três vezes nas oitavas em Masters 1000 (Roma, Monte Carlo e Miami). O suíço precisou fazer uma cirurgia no joelho em agosto e também planeja voltar no início de 2018.

 

Agora quem mandou mal mesmo foram os tenistas franceses. Foi um ano ruim para as principais estrelas, e agora a França não tem nenhum tenista no top15 do ranking. Tsonga só conseguiu vencer uma partida desde a eliminação em Wimbledon, Gasquet foi eliminado na primeira rodada do US Open e a ascensão de Lucas Pouille parou em 2017.

Tsonga e Pouille podem dar a volta por cima no próximo final de semana, quando enfrentam a sérvia (sem Djokovic) pela semifinal da Copa Davis.

Quem mais foi mal: Thomas Berdych, Gael Monfils, David Ferrer e Ivo Karlovic.

A história do ano: eles ainda têm gasolina no tanque

Se na primeira semana de janeiro alguém apostou que Rafael Nadal e Roger Federer dividiriam os principais títulos do circuito, certamente ganhou uma grana boa. Não porque os dois não tem qualidade para isso, obviamente, mas sim pelas dúvidas que os dois botaram nas cabeças dos fãs ao longo dos últimos anos.

Fala sério, Roger vinha de seis meses parado com uma lesão nas costas e logo de cara venceu Nadal na final do Australian Open. Com direito a uma partida de cinco sets! Aos 35 anos, o vinho suíço conquistou dois Grand Slams (Austrália e Wimbledon), dois Masters 1000 (Miami e Indian Wells) e voltou a ser o número #2 do mundo.

E o espanhol, que sofria de uma lesão no pulso e vinha de um 2016 ruim?

Resultado: terminou o ano com cinco títulos, número #1 do mundo, 53 vitórias, apenas nove derrotas e 11 milhões de dólares em premiações.

2018 vem aí, e se os dois ficarem saudáveis, tem tudo para fazer um ano sólido e de mais títulos.

temporada 2017 da ATP
Arte: Nicolas Quadro/Time de Fora

Brasil: ano positivo para Rogerinho e “climão” na Davis

Aos 33 anos, o paulistano fez uma boa temporada e se tornou o melhor brasileiro no ranking da ATP, alcançando a posição #63 do ranking. O brasileiro venceu Gael Monfils nas oitavas do torneio de Umag, na Croácia, e fez jogos competitivos contra tenistas bem colocados no ranking, como a derrota por 3 a 1 para Milos Raonic em Wimbledon.

A notícia ruim para os fãs brasileiros ficou por conta da não convocação de Rogerinho ao confronto contra o Japão pela repescagem da Copa Davis. Técnico do time brasileiro, João Zwetsch convocou Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, e alegou que para aquele piso (quadra dura), seria mais interessante ter esses dois atletas e deixar Rogerinho de fora.

Acontece que Bellucci pegou uma infecção viral e não poderá defender o Brasil. Agora vai, Rogerinho? Na verdade não. O paulista foi convocado, mas negou dizendo que a longa viagem ao Japão comprometeria sua logística de calendário. Leia o que disse o jogador:

A Copa Davis é muito importante pra mim, já servi e ajudei bastante o time brasileiro em momentos delicados. Por ser o número 1 do país e viver um de meus melhores momentos acreditava que seria consultado para ir ao confronto, mas eu tive que ir atrás do capitão para saber e recebi a negativa por conta da questão do piso rápido. Depois dessa negativa preparei todo o meu calendário até o fim da temporada com altos custos tanto na parte financeira (não tenho um patrocinador Master) e também na parte física pois jogar uma Copa Davis exige muito do corpo e infelizmente atender esse pedido de última hora comprometeria todo o meu calendário do restante do ano e meu desempenho. Infelizmente não poderei ser o reserva desta vez, mas vou torcer pelos meninos para buscar essa vaga

Sem Bellucci e Rogerinho, a solução para o Brasil foi convocar o gaúcho Guilherme Clezar, número #5 do brasil e #244 do mundo.

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