Quatro recordes inquebráveis da NBA – e quatro nem tão inquebráveis assim

Foto de capa: NBA.com

Russell Westbrook fez história neste ano ao bater o maior número de triplo-duplos numa temporada regular de NBA. Oscar Robertson alcançou a antiga marca na temporada 1961-62, o que fez a conquista de WestB ser ainda mais impressionante, beirando os recordes inalcançáveis.

A NBA é recheada destas grandes metas. Algumas parecem ser inquebráveis, outras estão há um passo de serem batidas, então resolvemos listar os recordes que podemos ver quebrados nos próximos anos e os que talvez nunca sejam.

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Os recordes inquebráveis

 

Mais partidas jogadas na carreira

 

1º: 1.611, Robert Parish (1976-1997)
7º: 1.394, Dirk Nowitzki (1998-hoje)
Com a camisa do Boston Celtics, número 00, uma foto da cintura para cima de Robert Parish
Foto: NBA.com

Robert Parish é uma lenda e seu recorde de mais partidas na carreira é um que dificilmente será quebrado. A NBA mudou muito desde os anos 70, principalmente na questão física. Há uma maior exigência do corpo dos atletas e, mesmo com as milhares de tecnologias e profissionais cuidando de cada detalhe, a vida útil dos jogadores é menor hoje do que era há 40 anos atrás. Dirk Nowitzki também possui uma ótima marca, e deve seguir por pelo menos mais um ano na NBA, o que não será o suficiente para superar Parish. Se mantivesse como média os 54 jogos que fez na atual temporada, ele precisaria de quatro temporadas e meia para chegar lá. Dificilmente o alemão tem toda essa lenha para queimar.

Média de pontos por jogo em uma temporada

 

1º: 50,36, Wilt Chamberlain (1961-62)
25º: 32,01, Kevin Durant (2013-14)
Wilt Chamberlain segura uma bola de basquete sobre a cabeça, numa pose se arremesso
Foto: NBA Photo LIbrary

Esse recorde foi o escolhido para falarmos de Wilt Chamberlain. O número de marcas inquebráveis que ele possui é, por si só, uma outra marca inquebrável. Pontos em um jogo (100), mais jogos com 50+ pontos (118), média de rebotes em uma temporada (27,2) e por aí vai. Mas esta, de média de pontos por jogo, é absurda. Para se ter uma ideia, a incrível temporada de atuações individuais que tivemos este ano rendeu a Russell Westbrook uma média de 31,6 pontos, e a James Harden uma média de 29,1. O mais perto da marca que um atleta em atuação chegou foi em 2013, na temporada também incrível de Kevin Durant, mas ainda assim faltaram 18 pontos de média para alcançar Chamberlain. Seriam 1.458 pontos a mais para KD naquele ano! É, não tem como brincar com Wilt Chamberlain.

Pontos na carreira

 

1º 38.387, Kareem Abdul-Jabar (1969-1980)
6º: 30.260, Dirk Nowitzki (1998-hoje)
De costas, Kareem Abdul-Jabbar, com a camisa 33 do Lakers, faz um gancho
Foto: Site oficial/LA Lakers

Kareem Abdul-Jabar foi um dos melhores que já existiram quando se fala em jogar no garrafão. O seu gancho clássico de frente para a cesta é lembrado até hoje e rendeu ao pivô este recorde. Nowitzki, outro gigante, contou mais com os arremessos de média distância para se aproximar da marca e o fez com grande estilo. Porém, quem realmente mira o topo é LeBron James. Uma posição abaixo de Nowitzki, King James tem 28.787 pontos, quase dez mil a menos que Kareem, e uma média de 2056 pontos por temporada, projetando assim mais cinco anos para chegar à marca. É claro, com seus 32 anos e fechando 33 em dezembro, LeBron deve perder um pouco do ritmo com o passar do tempo, mas talvez esta seja a marca mais quebrável das inquebráveis, e mesmo assim ainda é bem difícil de ser batida. LeBron James teria que seguir em alto nível até os seus quase 40 anos, mas se aprendemos algo na vida é não duvidar do rei de Cleveland.

Assistências em uma temporada

 

1º: 1.164, John Stockton (1990-91)
17º: 925, Chris Paul (2007-08)
De frente, John Stockton passa a bola para um lado, olhando para o outro
Foto: Sam Forencich/NBAE

O armador clássico é uma espécie em extinção. Aquele cara que passa mais a bola que agride a cesta sozinho tomou um golpe com a aposentadoria de Steve Nash, e hoje sobrevive na NBA nas mãos de caras como Chris Paul e Rajon Rondo. Não a toa CP3 foi o cara a chegar mais próximo da marca de John Stockton, que alcançou a marca na época de ouro das assistências. Um atleta que sabia onde estar em quadra, Stockton é a personificação do armador clássico. Nunca passou da média de 17,2 pontos por jogo na carreira, mas já teve 14,5 assistências de média, jogando todas as partidas do ano em 16 das 19 temporadas em que atuou. Sabia se economizar, não forçava o jogo, quase o oposto dos armadores que a NBA cultiva hoje, o que faz esta marca ser muito improvável de ser quebrada – apesar de James Harden ter encerrado a atual temporada com 906 assistências. Com o jogo cada vez mais individualizado, é difícil imaginar que alguém vá fazer mais de 1000 assistências em um ano.


Os recordes quebráveis

 

Porcentagem de acerto de bolas de 3 na carreira

 

1º: 45,4%, Steve Kerr (1988-2003)
3º: 43.78%, Stephen Curry (2009-hoje)
À esquerda Steve Kerr, à direita Stephen Curry
Foto: NBA.com

De mentor a aprendiz. O recorde de porcentagem de acertos de bolas de 3 na carreira é de Steve Kerr e pode muito bem ser quebrado por Stephen Curry. Possivelmente seria até um orgulho para Kerr  ser superado por seu pupilo. O que dificulta é que Curry arremessa muito, nem sempre acumulando grandes aproveitamentos do perímetro – neste ano, por exemplo, foi o 15º da liga com 41% – o que pode atrapalhar o alcance dessa porcentagem ao fim de sua carreira. Mas que a possibilidade é grande, com certeza é.

Porcentagem de acertos de quadra em uma temporada

 

1º: 72,7%, Wilt Chamberlain (1972-73)
2º: 70,97%, DeAndre Jordan (2014-15)
Com a camisa do Los Angeles Lakers, número 13, uma foto da cintura para cima de Wilt Chamberlain
Foto: NBA.com

Chamberlain aparece novamente, mas agora podendo ser superado e por um cara que quase nunca arremessa. Ambos são pivôs, mas Chamberlain teve um estilo muito mais focado nos ganchos e bandejas, um jogo próximo do garrafão mas se utilizando de toda a área pintada a seu favor. DeAndre Jordan é simplesmente uma máquina de cravar bolas na cesta, sem muitos riscos de erro e com uma grande vantagem por seu porte físico absurdo. Ainda assim, o recorde de Chamberlain foi já no seu último ano em atividade, quando ele não chutava tantas bolas assim. A maior porcentagem de acertos na carreira na história pertence, hoje, a DeAndre Jordan (67,69%), o que eleva mais ainda as chances dele alcançar a marca.

Maior média de pontos, assistências e rebotes em uma temporada

 

1º: 30,8 pts, 11,4 ast, 12,5 reb. Oscar Robertson (1961-62)
2º:  31,6 pts, 10,4 ast, 10,7 reb, Russell Westbrook (2016-17)
À esquerda, Kareem Abdul-Jabbar, e à direita, Oscar Robertson, ambom com uniformes do Bucks
Kareem e Oscar. Foto: Dick Raphael/NBAE

A marca de Russell Westbrook nesta temporada foi incrível, conseguindo ainda o triplo-duplo com maior número de pontos e um triplo-duplo perfeito, sem errar arremessos. Na média total da temporada, se igualou a Oscar Robertson como os únicos a conseguirem um triplo-duplo de média, porém superou o craque dos anos 60 “somente” na média de pontos. As atuações de Russell trouxeram vitórias à sua equipe em 33 das 42 vezes em que ele fez um triplo-duplo, colocando-o como o maior candidato a MVP da temporada. Mesmo com o feito, WestB está no auge de sua carreira, fechando agora o seu nono ano na NBA com a melhor atuação geral em sua carreira. Estando ainda como a grande estrela do Oklahoma City Thunder, tudo nos leva a pensar que ainda é possível Russell Westbrook bater a meta da maior média de triplo-duplo em uma temporada. É só ele seguir sendo o monstro que é.

Quádruplo-duplo em um jogo

 

1º: Nate Thurmond (1974), Alvin Robertson (1986). Hakeem Olajuwon (1990), David Robinson (1994)
Quase lá: Draymond Green (2017)
Hakeem Olajuwon, com o uniforme do Rockets, sentado
Hakeem Olajuwon. Foto: NBA.com

Detentor do único triplo-duplo sem os pontos (4 pts, 10 ast, 12 reb e 10 stl), Draymond Green quase se juntou ao seleto grupo dos detentores de um quadruplo-duplo na carreira. Uma marca que representa caras lendários na NBA, os dígitos duplos em quatro estatísticas não parece tão distante atualmente, justamente pela já mencionada individualidade. Russell Westbrook, James Harden, Anthony Davis e até mesmo Draymond Green e outros caras que consigam atuar em todas as esferas do basquete, passando, pontuando, pegando rebotes e roubando bolas (ou dando tocos) parecem estar há um dia brilhante de um quádruplo-duplo.

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