A realocação de times só acontece nos EUA?

Para quem acompanha esportes de forma geral, de tempos em tempos, pipocam notícias de realocação de times, ou seja, a mudança de sede por equipes. Os torcedores das ligas norte-americanas já estão mais que acostumados (ou revoltados) com os frequentes rumores. Quem nunca teve seu time ameaçado de se mudar para Los Angeles, por exemplo (desculpem torcedores do Rams e Chargers)? Mas a questão é: esse troca-troca é uma exclusividade dos EUA? Na verdade, não.

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Motivos que levam à realocação de times

Os fatores econômicos são, óbvio, as principais razões de mudanças. Contudo, há diferentes momentos na história das ligas que motivam estas alterações. A NFL estremeceu, entre os anos 20 e 50, com equipes indo e vindo seja por uniões ou por mudanças de donos. Torcedores da MLB viram equipes tradicionais se mudarem para a costa oeste no anos 50 e 60. Já alguns donos da NBA lutavam contra o baixo público em seus ginásios entre as décadas de 60 e 80, e procuravam novos mercados.

Com o estabelecimento econômico das modalidades, generosos contratos de transmissão sendo fechados e gordos tetos salariais enriquecendo os jogadores, o vai-e-vem diminuiu. Menos do que muitos gostariam, verdade seja dita. Atualmente, os principais motivadores de mudança são os estádios. E não é como se os times estivessem perdendo dinheiro com estruturas caindo aos pedaços. Eles só não ganham mais do que poderiam. O tema tem gerado muito debate nos EUA e é bem complexo. Para entender melhor, vale muito ver o vídeo de John Oliver abaixo. Ele questiona quanto dinheiro público os cidadãos gastam, via impostos, para construir estádios para os times (não esqueça de ativar as legendas).

Algumas cidades sempre foram destino de rumores para expansão ou realocação de times. Em especial Los Angeles e Las Vegas. Mas, com as recentes mudanças de Rams e Chargers (mais uma vez, sinto muito torcedores), L.A. finalmente deixará de ser um destes alvos. No caso de Vegas, a NHL tratou de se mexer rápido e criou o Golden Knights. Só que ninguém esperava o Raiders decidir ir para lá. A partir de agora, com praticamente todas as grandes cidades com algum major team, os rumores devem diminuir. Ou não.

Outras realocações na América

Demais países pelo continente também ‘sofrem’ com mudanças de equipes. Na grande maioria dos casos, o sistema de franquias é o maior facilitador destas alterações. Afinal, quando um dono acha que não está faturando o suficiente ou quer levar a equipe para sua terra natal, só os demais donos dentro da liga podem aceitar ou impedir. Mas também há casos de realocações de clubes sem um dono fixo, como é o caso do futebol.

Canadá

Os canadenses acabam sofrendo do mesmo mal dos EUA justamente por terem várias equipes participando das ligas norte-americanas. Contudo, a Canadian Football League experimentou o caminho inverso nos anos 90: arriscou levar franquias para os EUA. O projeto acabou não dando certo, mas os torcedores de Saint Louis desejam ter outro time de futebol americano, nem que seja da CFL. Na galeria abaixo, algumas das franquias que deixaram de existir no Canadá. O Winnipeg Jets, da NHL, fica de fora da lista justamente por ter revivido sua franquia em 2011.

Brasil

Como já comentamos aqui no Time de Fora, dois dos maiores times da Superliga Feminina de vôlei são originalmente de outras cidades. Na Superliga Masculina também há alguns casos de realocação. O mais marcante foi a ida da equipe da Olympikus, do Rio de Janeiro, para Florianópolis/São José, em Santa Catarina. O time se tornou o Unisul e conquistou o título brasileiro em 2004. Em 2006, mudou de sede para Joinville e em 2009 acabou transferindo-se para São Paulo. O time do Sesi, hoje, é o descendente indireto deste projeto.

Outra situação parecida foi a do Brasil Vôlei Clube, antigo Banespa. A equipe encerrou suas atividades em 2009 e sua estrutura foi negociada com a Medley, que levou a equipe para Campinas em 2010. Hoje o time é patrocinado pela Brasil Kirin. Além do vôlei, basquete, handebol e futsal também já tiveram casos de realocação de times. Mas é do futebol que montamos nossa galeria abaixo.

México

Para quem ainda não está convencido que o futebol também está sujeito a estas mudanças, os times da Liga MX, principal campeonato mexicano, de vez em quando trocam de localização. O complicado sistema de rebaixamento às vezes faz com que equipes, recém rebaixadas, comprem o lugar de outra para permanecer na primeira divisão.

Mas a questão das realocações não é uma exclusividade das Américas. Não faltam exemplos em países asiáticos (em especial China e Japão), europeus (especialmente em modalidades como basquete, vôlei, hóquei sobre o gelo e rugby) e até mesmo na Oceania (com foco na Austrália e Nova Zelândia). Então, infelizmente, isso pode acontecer com seu time. É mais comum do que parece.

Montagem de capa: Thomé Granemann

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