Rio 2016: O rápido avanço do desafio

O voleibol segue, na última década, uma sequência de avanços louváveis, buscando dinamizar o jogo e tornar a modalidade cada vez mais justa. Na última década a regra de toque na rede foi modificado, para facilitar a vida dos levantadores, bem como os dois toques na recepção, em vista dos saques cada vez mais fortes e impossíveis de defender perfeitamente (principalmente no masculino).

Nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, vimos o fim dos tempos técnicos quando um time alcança a marca de oito e 16 pontos, mas principalmente vimos um ótimo uso do desafio.

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Já criticamos por aqui como a inserção deste recurso em vídeo foi feito às pressas pela FIVB, buscando acompanhar (mesmo que tardiamente) esta evolução tecnológica. Mas foi às pressas e tardia? Sim, uma coisa é demorar pra fazer, outra é fazer correndo e acabar errando. O recurso de revisão de jogadas foi aplicado sem existir necessariamente um padrão de uso, tanto dos equipamentos como das regras.

Tracemos elogios onde ele é devido: acabou sendo um acerto inserir o desafio no vôlei. Apesar de todos os problemas apresentados em Grand Prix, Liga Mundial e Pan-Americano, estes erros serviram de experiência e foram corrigidos para as Olimpíadas, tornando o video challenge uma ótima adição ao esporte.

Desafio no vôlei: Recurso ou arma?

Agora, temos em mão um recurso belíssimo para uso das comissões técnicas, que aprenderam a acioná-lo de forma correta e inteligente, tirando ao mesmo tempo um grande peso das costas da arbitragem.

A Polônia venceu o confronto contra a Argentina depois de um ótimo desafio do técnico Stéphane Antiga, por exemplo. O Brasil também se utiliza muito bem dos desafios em bolas suspeitas, principalmente em toques no bloqueio de ataques que vão para fora.

Os atletas passaram a se acostumar com o desafio no vôlei, sabendo que existe a possibilidade de rever a jogada se utilizam mais e mais dos golpes intencionalmente altos, buscando aquela raspada nos dedos do adversário e ganhando o ponto no vídeo. Também cabe a quem está na quadra acusar um possível toque na rede ou no bloqueio, para seu time não perder um desafio de graça.

regras do desafio no vôlei
Arte: Vinicius Schmidt

A arbitragem, assim, segue responsável por todas as marcações de quadra, mas pode se focar em prestar uma atenção nos lances interpretativos, como as conduções, os dois toques, jogadas que não podem ser desafiadas.

É um processo de reeducação de toda a comunidade, que passa a perceber a estratégia de uma forma diferente. Com a saída dos tempos técnicos obrigatórios, a partida de voleibol ficou muito mais rápida, torna-se necessário salvar as duas paradas disponíveis por set para momentos chaves e o desafio acaba virando uma arma técnica. Se o sacador adversário está muito bem, o que você faz? Para o jogo. E se você precisa guardar seu pedido de tempo? Pede o desafio.

Em certos momentos, este recurso leva um tempo para mostrar o resultado, chegando em vezes a até um minuto de demora, o que pode ‘congelar’ o sacador, na gíria do vôlei, tirando-o de ritmo e aliviando a recepção.

No geral, as olimpíadas do Rio de Janeiro demonstraram o potencial que o recurso de desafio no vídeo possui, e como em um ano já houve uma melhora absurda. Até mesmo durante a competição o video challenge melhorou, passou a ser mais rápido, com chamadas mais precisas. Fica então o mea culpa: vocês fizeram certo, FIVB.

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