O sistema de ranking de atletas da Superliga e a polêmica ao redor do #NãoaoRanking

O sistema de ranking de atletas da Superliga de vôlei, feita pela Confederação Brasileira de Vôlei, entrou novamente nos holofotes das discussões. Há tempos que o esquema, que visa equilibrar as ligas nacionais, sofre críticas e uma maior movimentação neste sentido surgiu nas últimas semanas, com uma nota de repúdio das maiores atletas do país, reclamando seu direito de escolha e liberdade dentro do alto nível do voleibol nacional. Frente a tal situação, resolvemos apresentar, a quem não conheça, o tão polêmico sistema:

Arte: Vinicius Schmidt

Mudanças para 2018

Para a próxima temporada, a CBV anunciou algumas mudanças no sistema, a principal delas sendo o fim do limite de pontos por equipes. Assim, fica somente o máximo de duas atletas com nível 7, as únicas que receberão pontuação, e duas estrangeiras por time. A revolta das atletas brasileiras vem justamente desta alteração, que não somente impedirá apenas as nove ranqueadas de escolherem livremente suas equipes, como não colocará na lista de atletas de nível 7 qualquer uma das estrangeiras presentes na Superliga.

Na lista divulgada pela CBV (link na imagem), percebe-se a ausência de estrangeiras e a presença de atletas convocadas para as olimpíadas

A decisão desta mudança, bem como de todas as outras ocorridas nos últimos anos, passa pela avaliação de atletas, clubes e da própria CBV, mas a confederação e as equipes possuem um maior peso de decisão que o grupo de atletas da Superliga. Apesar de simplificar o atual sistema (que, como visto na arte acima, é bem complexo por si só), CBV e clubes parecem nadar contra aquilo que é recorrentemente reclamado pelas jogadoras brasileiras, que para além de suas atuações na competição nacional, também buscam estar em forma para vestir a camisa da seleção. O próprio técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, Zé Roberto Guimarães, se demonstrou contrário ao ranking inúmeras vezes.

Leia mais: Um novo estilo no vôlei brasileiro e a Era Renan

Vale lembrar que o ranking de atletas da Superliga Masculina ainda não possui mudanças apresentadas pela CBV.

Problema antigo

Não é de agora que a discussão sobre o ranking de atletas da Superliga vem ganhando destaque. Elisângela, em 2015, protagonizou uma mobilização geral de suas companheiras ao ser prejudicada pelo sistema. Em 2014, Jaqueline foi quem mostrou sua revolta com o ranking, fortalecendo o uso da hashtag #NãoaoRanking no twitter, que segue movimentada até hoje com protestos de atletas e torcedores.

É compreensível a reclamação das atletas, pois o dito equilíbrio que o sistema de ranking de atletas deveria trazer não aparece na prática. Para além do claro domínio em quadra de equipes como Rio de Janeiro no feminino e Cruzeiro no masculino, o histórico da Superliga demonstra um monopólio da presença em finais. Voltando 10 anos no tempo, os homens viram apenas cinco campeões em uma década, e as mulheres, somente duas equipes.

Superliga Feminina
Equipe Títulos Temporadas das conquistas
Rio de Janeiro 9 2006-07 / 07-08 / 08-09 / 09-10 / 10-11 / 12-13 / 13-14 / 14-15 / 15-16
Osasco 2 2009-10 / 11-12

Únicos anos sem a final Rio de Janeiro x Osasco (Rio de Janeiro e Sesi-SP e Rio de Janeiro x Praia Clube)

Superliga Masculina
Equipe Títulos Temporadas das conquistas
Minas 1 2006-07
Cimed 3 2007-08 / 08-09 / 09-10
Sesi-SP 1 2010-11
Sada-Cruzeiro 4 2011-12 / 13-14 / 14-15 / 15-16
RJX 1 2012-13

Em somente um dos campeonatos da última década tivemos um confronto diferente de Rio de Janeiro e Osasco na Superliga Feminina, então é claro que a igualdade entre os clubes não é tão parelha assim.

No EsporteCast #11 comentamos sobre o teto salarial, e como ele não pode ser o único meio de equilibrar uma liga, e mesmo não mexendo diretamente com o dinheiro das equipes, o sistema de ranking de atletas da Superliga segue a mesma lógica. Ao limitar o número de atletas consideradas de alto nível por equipes, força-se uma distribuição de jogadoras que buscam grandes salários pelo campeonato, e a renda dessas equipes com patrocínios menores não consegue acomodar tal demanda. Isso piora quando vemos que a inserção de patrocinadores no vôlei sofre com a falta de visibilidade.

Num aspecto geral, fica impossível discordar das atletas que protestam, e frente às mudanças projetadas para 2018 a impressão é que existe uma luta de bastidores que nada envolve a esportividade, muito pelo contrário, acaba agredindo o vôlei em si.

Foto destaque: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV

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