Qual é o segredo de Antonio Brown?

Podemos dizer que vivemos hoje o auge do jogo aéreo na NFL. Nunca se usou tanto pacotes com três ou mais wide receivers, formações em shotgun e pacotes com apenas um ou nenhum running back. As estatísticas mostram que nos últimos anos os times mais eficientes no passe chegaram aos playoffs, e alguns venceram o Super Bowl, diferentemente dos times com jogo terrestre solidificado. Quarterbacks como Tom Brady e Peyton Manning elevaram o nível de seus ataques e fizeram sua fama quebrando recordes de jardas aéreas e passes completados.

Todo esse poder que o jogo aéreo proporciona coloca bastante responsabilidade no quarterback, e também, claro, no elenco de recebedores. Existem hoje na NFL dois tipos de wide receivers dominantes bem distintos. O cara alto e forte, que tem vantagem sobre a marcação por causa da sua força e envergadura, e que também é alvo constante na redzone. São exemplos desse estilo jogadores como Calvin Johnson, Julio Jones, Demaryius Thomas e Brandon Marshall. E o jogador rápido e explosivo, que é alvo de big plays e que vence seus marcadores na velocidade e mudança de direção. São caras como Odell Beckham Jr., DeSean Jackson, Emmanuel Sanders e TY Hilton.

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Foto: Brook Ward via VisualHunt / CC BY-NC

E Antonio Brown?  Ele não é rápido como Odell Beckham Jr., nem tão alto como Calvin Johnson, mas desde 2013 é dominante na liga e considerado o melhor na sua posição. Nas últimas três temporadas, Brown lidera todos os wide receivers em recepções (375) e jardas recebidas (5.031). Também é o recordista do Pittsburgh Steelers em jardas recebidas em uma temporada, com 1.834 jardas em 2015. Ele quebrou seu proprio recorde de 2014, quando havia feito 1.698 jardas, que já era uma quebra do seu recorde de 2013, quando havia feito 1.499 jardas. Sim, em três anos consecutivos. Se não é a altura nem a velocidade, qual é o diferencial de Antonio Brown?

Sua principal característica e grande diferencial é a habilidade em fazer rotas. E nisso ele é o melhor da liga, sem discussão. Quanto mais precisa for a rota, mais segurança o quarterback terá em passar a bola naquela direção, por saber onde seu recebedor estará. E na NFL, a diferença entre estar com uma marcação apertada e estar aberto para fazer a recepção pode ser apenas um passo. É aquele momento da jogada em que você olha pra secundária, vê o recebedor totalmente livre e pensa em como deixaram ele pegar essa bola tão facilmente. Não importa se é em uma rota longa entre os safeties ou numa rota curta para ganhar jardas correndo, Brown sempre consegue achar uma boa posição no campo para pegar a bola. Essa versatilidade, tanto em jogadas de passe longo quanto de passe curto, é resultado de sua habilidade de executar rotas precisas e também de sua agilidade. O que faz dele um monstro dentro de campo e deixa a secundária em pânico, porque ou você faz pressão na linha de scrimmage e ele te vence na rota e consegue o catch, ou dá espaço para proteger o fundo de campo e ele recebe um passe curto e consegue o first down correndo. Das 1.834 jardas que conseguiu em 2015, 587 foram depois da recepção.

Esse vídeo do Sport Science mostra a eficácia do Brown em executar rotas precisas. Até mesmo com os olhos vendados:

Mas um recebedor não conseguiria ser tão dominante assim na NFL sem um quarterback com entrosamento e que goste de passar a bola , e isso Ben Roethlisberger tem de sobra. Dá para se dizer, discutivelmente, que eles são a dupla ofensiva mais dominante na liga atualmente, junto com Tom Brady e Rob Gronkowski. Brown teve uma média de 13,5 jardas por catch em 2015 e 114,6 jardas por jogo em 2015. A expectativa era de que ele quebrasse o recorde de jardas em uma única temporada, que é de Calvin Johnson em 2012 com 1.964, mas a lesão de Big Ben na semana quatro e sua ausência nos três jogos seguintes prejudicaram o rendimento de Brown. Ele é o único jogador a aparecer duas vezes no top 10 líderes de jardas recebidas em uma temporada, e consecutivamente. Em 2014, com 1.698 jardas e em 2015 com 1.834. No top 5 líderes em recepções na temporada, Brown também aparece duas vezes: com 136 catches em 2015, empatado com Julio Jones, e com 129 catches em 2014. O primeiro da lista é Marvin Harrison, que em 2002 conseguiu 143 recepções.

Brook Ward
Foto: Brook Ward via VisualHunt / CC BY-NC

Antonio Brown viveu sua adolescência em Liberty City, bairro de Miami. É filho de Eddie Brown, ex-jogador da AFL (Arena Football League), considerado o melhor jogador da liga, inclusive à frente de Kurt Warner. Mas Eddie não esteve presente na adolescência de seu filho. Antonio Brown vivia com sua mãe e chegou a morar alguns meses na rua depois que ela se casou com um homem do qual não gostava: “Já tive que lutar pela minha vida e procurar um lugar para encostar a cabeça. Já tive momentos onde eu não tinha para onde ir. Essa foi a parte fácil”. Brown chegou na Central Michigan University em 2007, poucas semanas depois de ter feito o teste e ser chamado. Foi lá que jogou pela primeira vez como wide receiver, já que no high school sua posição era quarterback. No seu primeiro ano ganhou o prêmio de melhor calouro da Mid-American Conference. Brown preferiu não fazer seu último ano de faculdade para entrar no draft de 2010, onde foi escolhido na posição 195, na sexta rodada. E essa posição no draft serve de motivação e foi a razão da escolha do seu número no Steelers: “Meu número é 84. Oito vezes quatro é 32. Foram 32 times que não me escolheram antes, inclusive o Steelers, e isso serve de motivação toda vez que eu entro em campo.”

Crédito de foto de capa: Brook Ward via VisualHunt / CC BY-NC

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