Novo calendário não melhora público nos estádios brasileiros

Em setembro do ano passado a Conmebol anunciou uma mudança drástica para a Copa Libertadores da América 2017 e, de repente, o calendário do ano seguinte virou uma incógnita. Os dirigentes tentaram se adaptar rapidamente para tentar abarcar a mudança e ainda tem bastante torcedor confuso com os novos modelos de disputa. Em meio à bagunça, como o público dos estádios brasileiro reagiu a isso?

Com dois meses desde o início da temporada brasileira, levantamos números dos principais campeonatos para saber se a mudança no calendário também aumentou a quantidade de torcedores nos estádios.

Copa Libertadores

Em anos anteriores o torneio continental já estaria pegando fogo a esta época, mas com a nova fórmula estamos apenas na segunda rodada da fase de grupos. Apenas Atlético Paranaense e Botafogo receberam três jogos em casa, já que participaram das duas fases da chamada “pré-Libertadores”. Flamengo, Palmeiras, Chapecoense e Santos foram mandantes uma vez. Já Grêmio e Atlético Mineiro ainda não sediaram partidas.

Mesmo assim o torneio segue sendo o xodó dos brasileiros. A Libertadores tem a melhor média de ocupação entre todos os torneios do país em 2017 com 65% além do maior público:  54.052 pessoas no 4 a 0 do Flamengo sobre o San Lorenzo (ARG). O Palmeiras teve 38.419 pagantes contra o Jorge Wilstermann (BOL) e a maior taxa de ocupação com 87%.

Podemos destacar também a boa participação do Botafogo que tem média de 30,4 mil torcedores em três partidas. Pelo lado negativo, Atético-PR e Chapecoense ocuparam, respectivamente, 52% e 55% de suas arenas, surpreendente para times de baixo orçamento que raramente disputam o torneio.

Vale lembrar que a Copa Sul Americana também já iniciou por conta do novo calendário, mas ainda sem os times brasileiros.

Copa do Brasil

Diferente da Libertadores, a Copa do Brasil está ainda mais emocionante com seu novo regulamento. Onze times já estão classificados para as oitavas (os oito participantes da Libertadores mais os campeões de 2016 da Série B, Copa Verde e Copa do Nordeste), logo restaram apenas cinco vagas para os 80 clubes que disputam as primeiras quatro fases. Três fases já foram.

Como as duas primeiras etapas foram disputadas em jogo único, alguns clubes grandes receberam só uma partida pela competição, o que influencia diretamente os números por conta dos tamanhos dos estádios. A Caldense (MG), por exemplo, enfrentou o Corinthians em uma partida que teve 94% de taxa de ocupação, mas apenas 7.186 torcedores.

Porém, aquela partida foi exceção e a emoção do novo formato ainda não garantiu bom resultado já que a taxa de ocupação dos estádios é de 22% com média de 4.498 pagantes. O Corinthians teve o maior público da competição na partida contra o Luverdense (MT) com 25.086 e o Murici (AL) teve 26 torcedores – ou testemunhas – na vitória contra o Juventude (RS).

Campeonatos regionais

Nos três campeonatos regionais do país, a média de público decepciona. Sem a mesma mobilização política de outros tempos, a Copa da Primeira Liga perdeu força. O novo formato também atrapalha, pois enquanto sua fase de grupos termina em abril, quartas-de-final, semifinais e finais se arrastarão até outubro.

O público do clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG (39.811 pagantes), primeira partida do ano para ambas as equipes. Mas desde então, o número de pagantes cai constantemente e a média de ocupação nos estádios é tão ruim quanto a da Copa do Brasil: 22%. Mesmo assim, ainda é o terceiro torneio em média de público no país.

Também nesse caminho, a Copa do Nordeste perde cada vez mais força. Em 2016, já teve seu pior desempenho (5.873 pessoas por jogo) desde a retomada do torneio há quatro anos. Já os números de 2017 são ainda mais preocupantes com 3.719 nas rodadas do torneio até agora. A Lampions League deve conquistar mais público conforme a final se aproxima, mas parece não ter o apelo de outros tempos com apenas 13% de ocupação.

A Copa Verde não consegue fazer o futebol deslanchar nas regiões com torcidas menos engajadas: Norte e Centro-Oeste. Os paraenses são destaques positivos. O Paysandu ainda não sediou nenhum jogo, já o Remo tem o recorde de público do torneio com sua única partida em casa: 8.622 pessoas na goleada de 4 a 0 contra o Atlético do Acre. Um público bem maior que a média de 1.779 dos 13 jogos da Copa até o momento (10% de ocupação).

Campeonatos estaduais

O Campeonato Paulista é uma exceção entre os Campeonatos Estaduais. Mesmo com uma fórmula pouco atrativa, a competição garante a segunda melhor média de público entre todos os campeonatos do país até o momento com 8.468 torcedores. Já o Carioca tem uma fórmula com mais jogos decisivos, mas mesmo assim não atrai o público sendo apenas a sexta maior média entre os estaduais e a décima no geral com 2.708 pessoas.

Em taxa de ocupação, os paulistas seguem na frente com 35%. Já baianos e pernambucanos, conhecidos por sua torcida apaixonada, acabam decepcionando com respectivos 11% e 5% de ocupação nos estádios.

Primeiro semestre continua morno

Apesar das várias mudanças e a grande quantidade de torneios, o primeiro semestre continua sendo uma época que desperta menos interesse no torcedor de futebol. Enquanto o Campeonato Brasileiro atrai cada vez mais espectadores desde 2013 (de 13 mil para 17 mil de média em 2016), apenas a Libertadores consegue mobilizar as torcidas a irem no estádio na primeira parte do ano. Parece que a mudança de calendário não ajudou muito a mudar esse cenário, pelo menos por enquanto.

 

Foto de capa: Bruno Cantini / Atlético Mineiro – Flickr (CC BY-NC 2.0)

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