Psicológico derrubou mais um brasileiro no UFC

O UFC 198, que aconteceu no último sábado (14) na Arena da Baixada, estádio do Atlético Paranaense, entrou para a história. Além do card de grande peso, que contou com estrelas como Rogério Minotouro Nogueira, Maurício Shogun Rua, Vítor Belfort, Cris Cyborg e Fabrício Werdum, o evento teve um público de 45 mil pessoas, estabelecendo o terceiro maior público da história da organização (perde apenas para o UFC 193, que levou 56 mil pessoas para Melbourne, na Austrália, e para o UFC 129, em Toronto, no Canadá, com 55 mil pessoas). Apesar do saldo positivo para o card brasileiro no UFC , com várias vitórias tupiniquins, o desfecho da disputa do cinturão dos pesados entre o gaúcho Werdum e o norte-americano Stipe Miocic impressionou muita gente.

O nocaute sofrido pelo campeão brasileiro Fabrício Vai Cavalo Werdum com apenas 2 minutos e 47 segundos do primeiro round pode ter pego muita gente de surpresa, mas a história mostra que o campeão dos pesados do UFC nunca tem um reinado longo (nenhum chegou a defender o título por mais de duas vezes). Pior: Werdum entrou no oba-oba que já derrubou outros brasileiros anteriormente.

Toda aquela história de happy face, tema da vitória do Ayrton Senna e o clima de “já ganhou” pesaram contra o brasileiro no UFC. O ataque totalmente displicente do então campeão mostrou o grau de desatenção, ainda mais levando em conta que na categoria dos pesados qualquer golpe bem encaixado é suficiente para derrubar um brutamontes de mais de 100kg.

Infelizmente, esta não foi a primeira vez que vimos um campeão brasileiro no UFC perder seu cinturão influenciado pelo mesmo problema. É só lembrar do nocaute sofrido por José Aldo contra Conor McGregor ou a primeira derrota de Anderson Silva para Chris Weidman. Júnior Cigano também admitiu que estava com a cabeça no mundo da lua quando foi derrotado por Cain Velasquez na segunda luta entre os dois. Isso para citar apenas perdas de títulos.

Os fãs de MMA de longa data vão lembrar do semblante frio e assustador de Fedor Emelianenko, considerado por muitos o maior peso pesado da história e um dos melhores lutadores do esporte. Mesmo sendo favorito em praticamente todas as lutas da sua carreira, o russo nunca alterou seu semblante antes da luta. Esperar que um lutador brasileiro, passional como seu povo, consiga fazer a mesma coisa talvez seja demais, mas está aí um exemplo de seriedade a ser seguido. Não é porque a torcida está gritando “vai morrer” na primeira coletiva de imprensa que o lutador tupiniquim precisa entrar na onda.

Após a luta, Werdum falou na entrevista coletiva que entrou “avoado” no octógono e pediu pela revanche imediata, pois acredita que é melhor que o novo campeão. No que depender do presidente Dana White, o mais provável é que o próximo desafiante seja alguém como o holandês Alistair Overeem, que vem de quatro vitórias seguidas.

Até o dia 7 de julho, o Brasil segue com apenas um cinturão no UFC. Nesta data, Rafael dos Anjos coloca o título dos leves em jogo contra Eddie Alvarez. Favorito nas casas de apostas, é bom que Dos Anjos deixe esse papo fora do octógono, ou o ano de 2016 pode ser desastroso para o elenco brasileiro no UFC.

Foto destaque: Buda Mendes/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

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