Parte 1: O que erramos nas previsões da temporada 2016/2017 da NBA

Em qualquer esporte, fim de temporada é aquela hora em que a torcida vai atrás dos tweets antigos de comentaristas para jogar na cara do pitaqueiro profissional suas m seus erros. Porém, aqui no Time de Fora, nós mesmos tiramos a limpo os palpites errados e, com o fim da temporada regular da NBA iminente (termina hoje, 12/04), será o que farei nesse texto.

Em outubro, dividi minhas previsões e análises em duas partes de acordo com o que esperava das equipes. Foram cinco prateleiras: candidatos ao título, às finais de conferência e às semifinais de conferência na parte 1 ; e times que brigariam pelos playoffs ou buscariam reconstrução na parte 2 . Como 13 franquias já estão eliminadas (a última será definida hoje), chegou a hora de fazer autobullying e ver o quanto eu errei. Posso adiantar que não foi pouco, mas vamos começar pela parte boa.

Os acertos

Brooklyn Nets (30º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

Essa estava fácil. As trocas de 2012 que levaram Garnett, Pierce e Jason Terry para os Nets por altas escolhas no draft ainda reverberam na franquia. Com Jeremy Lin sendo um dos principais reforços da temporada e sem calouros talentosos, não tinha muito o que esperar. Ainda bem que Jay-Z tem outros investimentos além do basquete.

Phoenix Suns (29º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

Mesmo com a penúltima campanha, o Suns tem talento e um alento: Devin Booker. Além disso, outros jovens começaram a ganhar destaque como TJ Warren, Tyler Ulis e Alex Len. O que falta para a equipe – como escrevi lá em outubro – é “saber o que quer”. Eric Bledsoe e Brendon Knight estão lá gastando milhões dos donos e minutos dos garotos. O Suns precisa saber o que fazer com seu elenco desequilibrado.

Los Angeles Lakers (28º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

O começo da temporada deu um pouco de esperança aos torcedores, mas foi só uma pegadinha – “ié ié”. E convenhamos, apesar de alguns jovens talentosos, os reforços não eram lá grandes coisas. Na previsão escrevi que “a diretoria tentou melhorar o elenco, mas não foi bem sucedida: José Calderon, Timofey Mozgov, Luol Deng”. Hoje, nenhum deles está no time: o primeiro foi dispensado e os outros dois estão afastados. Ponto pra mim!

 

Philadelphia 76ers (27º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

Essa eu fiquei triste de ter acertado, pois a maré de azar dos 76ers continuou forte nesse ano. Embiid (3º no draft de 2014) finalmente estreou e fez ótimas partidas durante boa parte da temporada, tanto que o time chegou a sonhar com playoffs durante um tempo, mas não deu. A equipe perdeu o próprio Joel para as contusões, assim como Jahil Okafor (3º no draft de 2015) e Ben Simmons (1º no draft de 2016) que nem entraram em quadra este ano. O talento está em Philadelphia, mas continuou no departamento médico.

New Orleans Pelicans (21º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

O que todos reivindicavam no início da temporada aconteceu: Anthony Davis ganhou um companheiro. DeMarcus Cousins chegou no meio da temporada para compor o garrafão mais talentoso da NBA, pelo menos no papel. Porém, o impacto não foi imediato como pensávamos, por isso New Orleans e Anthony Davis estão fora de mais um playoff. Será que muda no ano que vem?

Charlotte Hornets (20º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

Sem reforço bom não dá, MJ. A equipe de Jordan até brigou por playoffs um tempo, mas o elenco nhém dos Hornets fez uma campanha a sua altura. Batum e Kemba Walker são bons e é isso. O resto do time é ok e os Hornets não desempacam. Tem que fazer valer a volta do nome e jogar aquele basquete de Larry Johnson, Alonzo Mourning e Muggsy Bogues nos anos 1990, mas tá difícil.

Detroit Pistons (19º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

“Faltou emplacar” seria a melhor definição para a equipe comandada por Stan Van Gundy. Ano passado o Pistons surpreendeu e garantiu um oitavo lugar no Leste, estando em quarto durante a primeira parte daquela temporada. Já nesse ano, foi capenga desde o começo e Andre Drummond não fez valer seu aumento de contrato (US$ 25 milhões por temporada). Ele até que jogou bem, só não é mais tão dominante e ainda não aprendeu a bater lance livre.

 

Os erros

Denver Nuggets (18º lugar)
Previsão: Em busca da reconstrução

O grupo da previsão foi acertado, mas o erro está na avaliação feita em outubro: “…temos um time fraco para buscar playoffs, mas forte para conseguir bons picks no draft”. Não foi bem assim, pois Denver quase conseguiu a vaga e Jokic mostrou muito talento em seu segundo ano. Falta algo para Denver, mas mostrou que tem como crescer.

Orlando Magic (26º lugar)
Previsão: Briga por playoffs

Confiei demais no técnico Frank Vogel, mas faltou o Paul George. O time até apresentou um pouco de melhora, mas não deu muito certo. Como falei na época, muitos pivôs para poucas vagas, tanto que Ibaka foi para os Raptors. Enfim, não basta gente para brigar em baixo do aro, tem que melhorar o perímetro.

Sacramento Kings (22º lugar)
Previsão: Briga por playoffs

Na época da matéria já sabia que havia sido a aposta mais ousada, mas na verdade ela quase se concretizou durante bom momento da temporada. Novo técnico, Cousins mais calmo, e os Kings ficaram durante algum tempo na zona dos playoffs, mas o time não resistiu à saída de seu craque pivô para o New Orleans Pelicans. Começou a reconstrução antes do fim da temporada e perdeu as chances de ir para a pós-temporada, pelo menos por enquanto.

Dallas Mavericks (23º lugar)
Previsão: Semifinais de conferência

Essa é apenas a segunda vez nos últimos 17 anos que os texanos ficam fora dos playoffs da NBA. Além do talento de Dirk Nowitzki e do bom técnico, o time sempre contrata. Dessa vez também o fez, mas não deu muito certo. Harrison Barnes e Andrew Bogut (já fora do time) não renderam o esperado, Dirk se lesionou boa parte da temporada e a franquia ficou de fora. “Água no Lucas”, diria Gilberto Barros.

Minnesota Timberwolves (24º lugar)
Previsão: Briga por playoffs

Jovens talentos e um técnico que faz muito com pouco. Achei que a junção do técnico Tom Thibodeau com Karl Anthony-Towns, Andrew Wiggins, Zach Lavigne, entre outros atletas talentosos daria resultados rápidos. Não deu, principalmente por conta da juventude. A equipe perdeu muitos jogos de virada e a defesa, forte do novo técnico, não encaixou (27ª equipe no rating defensivo). Ainda falta algo, mas o time tem tudo para deslanchar na próxima temporada.

New York Knicks (25º lugar)
Previsão: Candidato às finais de conferência

ERROOOOOOU. Para esta previsão, confiei em Phil Jackson como presidente da equipe, nas chegadas de Noah e Rose, em Porzingins e Carmelo e no nível menor da conferência Leste, mas os Knicks decepcionaram de novo. Não tem desculpa, é ruindade mesmo, minha e do time.

Considerações finais

Você deve ter percebido que faltou um time entre os eliminados, mas é que Pacers, Bulls e Heat ainda disputam as duas últimas vagas para os playoffs na conferência Leste na rodada derradeira. Já os 16 que farão a pós-temporada vão ganhar sua avaliação no fim da competição, até lá eu decido se repenso minha carreira como jornalista esportivo ou não.

Imagem destaque: T.J. Hawk/Flickr – CC Atribuition & Share Alike

Um comentário em “Parte 1: O que erramos nas previsões da temporada 2016/2017 da NBA

Deixe seu comentário: