Os fundamentos invisíveis do vôlei

Passe, bloqueio, ataque, levantamento. Cobertura, saque, posição na rede. Salto, giro de braço, força nas pernas. Fundamentos técnicos, físicos e estratégicos que são treinados à exaustão por qualquer atleta que quer se dar bem no vôlei. Algumas outras características, não tão visíveis assim, também cumprem um papel importante dentro de quadra, mas normalmente não recebem a atenção devida. São conhecidos popularmente como “lado psicológico” ou “fundo emocional”, e merecem destaque quando se observa, por exemplo, a final da Superliga Feminina 2016 e a vitória difícil da equipe Rexona-Ades.

Dúvida de que todas as jogadoras que estavam em quadra dominam a parte técnica e tática do esporte não há, muito menos que elas estão em ótima forma física. Mas até onde há o equilíbrio mental para fazer o talento aparecer quando a bola sobe? Na partida entre Rio e Janeiro e Praia Clube, a levantadora do time de Uberlândia, Claudinha, fez um primeiro set muito abaixo do nível que ela apresentou em todo o campeonato. Entram aí termos como “nervosismo” ou “falta de experiência”, mas tudo isso entra no fundamento “preparo mental”. De nada adianta estar consciente de tudo que seu time e que você pode fazer, se quando a equipe entra em quadra a atleta sente-se acuada pelo jogo do adversário.

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Equilíbrio mental foi um dos fatores na final entre Rexona-Ades/RJ e Praia Clube/MG. Foto: Facebook/Divulgação

É difícil ter certeza de que uma atleta está preparada para encarar uma final de campeonato, mas aí o trabalho de um psicólogo cai como uma luva. Ou o de um técnico. Não raro, o comandante faz as vezes de personal trainer, psicólogo e amigo, avaliando e ajudando as atletas em todos os espectros necessários para deixá-las na melhor condição possível. Como cada jogadora lida de forma diferente, por exemplo, com a preparação física, assim também é com a questão emocional, mental, psicológica. Assim como existe uma rotina de academia para cada uma, tem que existir uma rotina de acompanhamento pessoal.

Não se trata aqui de uma questão de terapia, do famoso “me diga como você se sente”. Existe sim a necessidade de saber, por exemplo, como uma jogadora reage a uma situação de estresse, de que maneira é possível transformar um momento de dificuldade em motivação, não deixando erros virarem um problema de concentração. Descobrir como o time funciona em conjunto, para que cada atleta se ajude dentro de quadra e para que quem estiver com maior equilíbrio possa ajudar quem está sentindo a pressão. São todas situações que podem – e devem – ser avaliadas na rotina de treinamentos, no dia a dia de um time.

As próprias jogadoras, por elas mesmas, trabalham muito com isso em suas relações pessoais. Quem nunca ouviu a história do “fomos campeãs porque esse time é uma família”. Porém, é perceptível quando um treinador entende a importância deste controle e busca aplicar isso na equipe. Bernardinho e Ricardo Picinin deram um show, cada um em seu momento, de como lidar com as adversidades para fazer eu time crescer. Não é só numa mudança de posição do bloqueio ou na formação de recepção que se vence um jogo, os fundamentos mentais possuem um papel, em certas situações, vital na conquista de um título.

Foto principal: Célio Messias/Inovafoto/CBV

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