Muito obrigado Usain Bolt, o maior de todos

O Mundial de Atletismo de 2017 tem como principal história o adeus de Usain Bolt às pistas de atletismo. Com 30 anos e oito* medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, o Raio deixa para trás incontáveis adversários, um histórico legado e a certeza de ter transformado uma modalidade esportiva. Por isso tudo, quem gosta de esporte só tem uma coisa a dizer: muito obrigado, Usain Bolt.

Como homenagem a um dos maiores esportistas que esse planeta já viu, vamos relembrar alguns dos maiores feitos do Raio – Usain Bolt:

O jamaicano começou se destacando nas pistas correndo as provas de 200m. Em 2003, conquistou a medalha de ouro nos 200m do Mundial Juvenil de Atletismo, com o tempo de 20s40. No ano seguinte, Bolt alcançou a marca de 19s93 e se tornou o primeiro velocista junior a baixar a marca de 20 segundos nessa prova. O “pequeno” Raio – na época já com 1,95m de altura – começou a correr as provas de 100m em 2007, quando despontou no cenário mundial. De lá pra cá, foram três ouros olímpicos nos 100m e três nos 200m (2008 em Pequim, 2012 em Londres e 2016 no Rio). Ao lado de seus companheiros, Bolt também terminou em primeiro nas provas de 4x100m das três olimpíadas.

Mas um atleta perfeito não se faz apenas dentro das pistas. O jamaicano também deu exemplo fora delas em diversas ocasiões:

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Usain Bolt conquistou 8 medalhas de ouro em Olimpíadas
Quadro de medalhas de Bolt (Arte: Wikipedia)
Ficha limpa

Em um esporte visto muitas vezes com olhos de incerteza e injustiça — muito por conta dos vários casos de atletas flagrados no doping — Bolt deixou seu legado sem se envolver diretamente com um dos maiores vilões do atletismo. Digo diretamente porque Bolt de fato perdeu uma medalha de ouro olímpica por causa do doping. Depois de uma reanálise dos exames antidoping feitos em 2008, seu compatriota jamaicano Nesta Carter testou positivo para metilhexanamina, um estimulante proibido, e a Jamaica foi desclassificada da prova de 4x100m rasos da Olimpíada de Pequim.

Além disso, foram incontáveis as vezes em que Bolt deu declarações condenando o uso de substâncias ilegais e celebrando a atuação de órgãos que combatem esse problema. “Parem com o doping ou o esporte morre”, a mais recente delas, em uma coletiva de imprensa na última semana antes da disputa do mundial, se dirigindo a outros atletas que fazem uso de alguma substância proibida.

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Showman

Uma das grandes virtudes de Bolt foi ter transformado ainda mais as provas que disputava em um entretenimento. A prova de 100m rasos sempre foi gloriosa, mas conquistou ainda mais popularidade a partir de quando o jamaicano entrou no circuito. Todos torciam por Bolt. Todos queriam Bolt. Todos eram Bolt.

Mais do que um atleta, o Raio trouxe divertimento.  Fãs que nunca haviam se interessado pelo atletismo passaram a acompanhar a carreira do jamaicano e de outros atletas. Alguns dos casos mais engraçados ocorreram nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Antes das provas de atletismo, Bolt dançou com passistas e fez uma festa na coletiva de imprensa. Depois do ouro nos 200m, a estrela esperava para entrar ao vivo na ESPN Brasil com o repórter Mendel Bydlowski. Entediado, “fez chifrinho” no repórter e brincou com a câmera.

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Derrotas

Grandes momentos são feitos para grandes atletas. E até por ter vencido as grandes provas que disputou, Bolt é considerado o melhor velocista de todos os tempos. Mas sim, Usain Bolt também “perde”. Vamos relembrar alguns casos:

2008 – Suécia

Na etapa de Estocolmo do circuito mundial de atletismo, o compatriota Asafa Powell foi o vencedor da prova dos 100m. Mais cedo, em maio daquele ano, Bolt havia quebrado o recorde mundial para 9s72. Claro que não foi uma derrota expressiva, afinal não era uma competição gigante, mas foi a primeira desde que o Raio começou a se destacar:

2010 – Suécia

De novo na Suécia. Dessa vez, Bolt perdeu uma invencibilidade de dois anos – não era superado desde a prova contra Asafa Powell citada acima – para Tyson Gay, americano. Já com um ouro olímpico no currículo e o atual recorde mundial dos 100m (9s58), Bolt marcou 9s97, contra 9s84 de Gay.

2011 – Coreia do Sul

Essa talvez tenha sido a “derrota” mais triste da carreira de Bolt. E derrota entre aspas porque Bolt nem correu a final dos 100m. Foi desqualificado da prova com uma saída falsa, e o campeão foi Johan Blake (também jamaicano) com 9s92. Bolt saiu inconformado com sua própria eliminação.

2017 – Inglaterra

Daqui a alguns anos, quando olharmos para a carreira de Bolt, a derrota do dia 05 de agosto certamente será uma das mais marcantes. Claro que Bolt não está no auge físico de sua carreira, com 31 anos de idade. Mas o jamaicano ainda era o favorito da prova que perdeu para Justin Gatlin e Christian Coleman. Em Londres, Gatlin fez 9s92, Coleman anotou 9s94 e Bolt terminou a sua história nos 100m marcando 9s95.

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Valeu, Bolt!

Derrotas à parte, só temos que comemorar ter presenciado a história. Foram 10 anos de dominância e recordes. No próximo sábado, o Raio se despede definitivamente das pistas na prova de 4x100m. Se você não sabe o que essa prova deve significar, sugiro assisti-la. Afinal, é a última chance de assistir em tempo real o maior velocista de todos os tempos. Já existiram atletas com mais medalhas olímpicas, mas certamente nunca existiu um atleta mais completo que Usain Bolt, dentro e fora das pistas. Muito obrigado, Usain Bolt.

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Foto destaque: Martin Pettitt via Visualhunt / CCBY

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