O legado de Serena Williams

Ela totalizou 186 semanas seguidas como a melhor jogadora de tênis do mundo, o equivalente a três anos e meio de domínio supremo. No total de suas seis passagens como número 1, foram 309 semanas, nada menos de 2163 dias acordando como a rainha do tênis mundial. Dentre todos os recordes de uma carreira inacabada, Serena Williams compete ponto a ponto pela alcunha de melhor tenista da história. No começo, a americana era conhecida como “a irmã de Venus Williams”. Aliás, do esporte essas duas entendem. De 7 a 8 de julho de 2002, Venus saiu da primeira colocação para a entrada da irmã. Essa seria sua primeira vez como a melhor e Serena gostou tanto que já de começo ficou um ano inalcançável. Depois virou o contrário: Venus era “a irmã de Serena Williams”.

É coisa pouca o que essa mulher já fez pelo tênis. Dentro de quadra, sugeriu um estilo de jogo agressivo e potente que muitas vezes paralisava as adversárias. Com o saque veloz, poderoso e colocado, a partir do momento que ela assume o controle do ponto é muito difícil que esse não seja dela. Com uma base de linha de fundo muito consistente, é um desafio saber de que buraco sair quando se joga contra Serena Williams. São 770 vitórias e 128 derrotas, uma porcentagem de 85,75% de sucesso. Títulos? Estamos falando da quinta maior vencedora do tênis, com 71 trofeus em casa. Vale falar que 22 deles são da categoria simples em Slams — seis Australian Open, três Roland Garros, sete Wimbledon e seis US Open –, o que configura-se nada menos que a segunda maior vencedora (junto a Steffi Graff) das competições mais importantes do esporte na era Aberta. E ainda temos alguns anos pela frente. Junto com a irmã Venus, ela ainda conquistou mais 14 títulos de Slam e dividiu a glória de duas medalhas de ouro olímpicas (em Londres 2012 ela ainda levou na categoria simples).

Fora das quadras, Serena milita pelas igualdades. De cor e de gênero. Mulher e negra, ela já declarou que “está em um esporte que não é para negros” e que sua presença é importante para a mudança de visão das pessoas. Para que acreditem que é possível. Na recente discussão a respeito da premiação do tênis masculino ser a mesma do feminino em Slams (onde as partidas masculinas são em melhor de cinco sets e as femininas em melhor de três), Serena defendeu a visibilidade e a força do tênis feminino. A americana não tem papas na língua em declarações fortes que suscitam debate. Ao ser questionada se deveria ter a palavra “mulher” em um comercial onde foi citada a ‘Melhor Atleta da História’, ela disse: “Sou mulher e sou atleta, mas sou uma atleta primeiro. Eu acredito que existe uma diferença no tratamento de atletas homens e mulheres. Como mulher, tenho muito a fazer para que evoluamos. Acho que o tênis teve grandes melhoras, mas devemos fazer isso acontecer em outros esportes femininos também”.

No dia 9 de setembro, a americana encerrou sua sexta passagem como melhor do mundo (e agora precisamos esperar a sétima). Às vésperas dos 35 anos, Serena já colocou os pés no hall de melhores da história — se não a melhor. Talvez esse texto seja saudosista demais, mas é importante ressaltar e falar sobre o lugar que essa mulher alcançou e continua trilhando no esporte. O legado de Serena Williams atravessa as quadras rápidas, de grama ou de saibro e um dia ficará registrado em livros, fotos e na mente dos afortunados em vê-la jogar. A luta contra a desigualdade de gênero e contra o racismo é tão (e mais) importante quanto seu estilo e seu tênis jogados. Que venham mais títulos, domínio, militância e força nos próximos anos, atual número 2 do mundo.

Crédito da foto principal: mirsasha via Visual hunt / CC BY-NC-ND

 

 

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