O Grand Prix foi um ótimo teste, mas é hora de pensar em Olimpíada

Vencemos o Grand Prix de vôlei, crescemos durante a competição e mostramos nosso real potencial quando esta equipe se entrosar. Ótimo. Porém, foram muitos testes durante a competição, Zé Roberto buscava avaliar todas as atletas de forma igual, com as mesmas oportunidades, o que acabou não dando certeza a ninguém de quem será nossa equipe olímpica titular.

Não tema, no entanto, nobre leitor. O Time de Fora traz para você qual o time (que nós achamos que deve ser) titular nas Olimpíadas Rio 2016 e por quê. Uma equipe fortíssima, chegando como favorita após essa conquista recente, e com 12 atletas, como manda o regulamento. As nossas convocadas não somente mostraram grande produtividade durante o Grand Prix, como também preenchem funções fundamentais para o grupo. São elas:

Arte: Vinicius Schmidt
Arte: Vinicius Schmidt

Oposta – Sheilla

Nossa estrela não assumiu o protagonismo em nenhuma partida do Grand Prix, muito por estar claramente sem ritmo após sua temporada européia. Apesar de ter feito uma final apenas razoável,, ela ainda é a melhor jogadora do mundo – e não enfrenta competição nesta posição. Sheilla pode muito bem se recuperar agora e ser nossa estrela em mais um ouro olímpico, porém o que realmente a crava como titular é nossa completa ausência de boas opostas, algo que coloca ainda mais peso na camisa 3. Nada que ela não aguente, também.

Centrais – Thaisa e Fabi

A nossa atacante em melhor fase, Thaisa é talvez a figura mais certa nesta equipe junto com Dani Lins. Ambas mostraram um entrosamento invejável no Grand Prix, principalmente na reta final, e as nossas centrais seguem sendo o grande destaque do time. Fabi é a capitã da equipe, líder nata e que possui um elemento importante (e comum com Sheilla e Jaque): experiência. Em alguns momentos ela pode não render tudo que já mostrou de potencial, porém sempre que o bicho pega é nela que a bola vai. Muito poder de fogo aqui, porém nem tanto bloqueio, talvez o ponto fraco desta escalação.

Ponteiras – Natália e Jaque/Fe Garay

Fernanda Garay seria a titular absoluta na posição de ponteira até a final do Grand Prix. Sua recepção deixou muito a desejar e, apesar do ótimo aproveitamento no ataque, a entrada de Jaque equilibrou muito mais o passe brasileiro, dando tranquilidade para a levantadora e gerando volume de jogo, o que realmente nos fez melhor que os EUA. Assim, essa é a grande disputa (e possivelmente a grande dúvida de Zé) na equipe titular. De qualquer forma, ambas serão convocadas e estarão à disposição, sendo utilizadas conforme a necessidade de cada partida. Natália, por outro lado, não perde a vaga para ninguém. Além de cada vez mais madura em suas escolhas de ataque (deixando de lado aquele perfil de bater somente bolas fortes), a ponteira ganhou protagonismo na decisão do Grand Prix ao estabilizar, junto a Jaque, a recepção do Brasil, sendo eleita a MVP do torneio.

Levantadora – Dani Lins

Sem muito o que dizer, é a mulher de segurança de Zé Roberto em quadra e conhece muito bem suas atacantes. Roberta falhou muito quando a substituiu nas inversões, deixando ainda mais clara a absoluta titularidade de Danielle. Seu defeito, se é que realmente houve um, foi não trabalhar tão bem as bolas com passes que não vieram na mão. Suas escolhas de levantamento com recepções B foram um pouco equivocadas, possivelmente atribuídas à falta de entrosamento, algo facilmente corrigível.

Líbero – Léia

Esta sim foi uma surpresa – extremamente positiva, diga-se de passagem. Ela não tem o perfil de Camila Brait, de assumir a responsabilidade de grande porção da quadra, porém sua agilidade e reflexo para chegar em coberturas e bolas perdidas foram características incríveis de serem observadas. Leia depende de uma boa linha de defesa ao seu lado para poder brilhar (talvez isso dê a vaga de ponteira para Jaque), mas caso estejamos bem no passe, ela nos dá um volume de jogo absurdo. As atacantes ficam mais tranquilas para enfiar a mão, sabendo que ela está lá para pegar uma sobra. As centrais confiam em sua cobertura e conseguem tocar em todas as bolas de bloqueio, pois sabem que ela vai salvar. Além, claro, dos milagres que ela opera de vez em quando. Chegou de mansinho a pequena líbero, mas conquistou a vaga com todos os méritos.


Nossa seleção, assim, conta com uma forte linha defensiva e aposta principalmente nas centrais para pontuar. Deixamos um pouco a desejar na variação de ataque durante a final do Grand Prix, algo que não pode acontecer nas olímpiadas, e perdemos principalmente na presença de bloqueio. Assim, nosso banco chega para dar opções diferenciadas:

Juciely

Central reserva, ela é um paredão. No melhor estilo Gustavo Endres, Jucy toca em todos os ataques das adversárias e, quando não devolve do outro lado, deixa para a sobra. Seu potencial de ataque não é dos melhores, porém não deixa de virar quando recebe um levantamento bom. Pode ser opção para enfrentar ataques potentes, como a Rússia, ou equipes com maior volume de jogo, como a China.

Gabi

Nosso futuro, a pequena ponteira está aqui como multifunção: é ponta de ofício, oposta se preciso. Ela quem entrou nas inversões da final, já que Tandara havia se lesionado, e até que se encaixou bem na posição. Tem um ataque muito forte, técnica boa para se adaptar durante o jogo e uma grande recepção, virando mais um elemento para fortalecer o passe (muito parecida com Sheilla). Lhe falta experiência e nervos, algo que só se ganha jogando é para isso que ela está aqui. Porém, provavelmente só entrará com o jogo muito ganho – ou com o jogo muito perdido, como última cartada.

Roberta

Como já dito, não se mostrou uma boa escolha de levantadora reserva, porém se mostra como opção caso Dani Lins esteja muito abaixo. Pelo que mostrou no Grand Prix, Roberta tem pouco a oferecer para a seleção, porém a Roberta da Superliga… Essa sim pode contribuir muito.

Camila Brait

Um caso próximo do de Roberta, Brait não chegou a ser uma decepção. Ela apenas foi superada pela companheira, mas ainda segue sendo uma grande líbero. Sua habilidade de cobrir uma grande parte da quadra durante a recepção pode ser importante para encarar equipes que dependem muito do saque, como Holanda, Rússia e EUA. Por ser uma líbero também muito ágil, sua entrada pode ser combinada com a de Fe Garay, compensando um pouco as falhas de defesa da ponteira e aumentando nosso poder de fogo.

Foto destaque: Divulgação / CBV

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