O Golden Slam masculino terá que esperar pelo menos mais quatro anos

O improvável aconteceu. Depois de finalmente conquistar Roland Garros, Novak Djokovic caminhava para tentar um feito inédito da história do tênis masculino: o de conquistar os quatro Slams mais a medalha de ouro na Olimpíada e completar o Grand Slam de Ouro, também conhecido como Golden Slam. O sérvio estava na metade do caminho, rumo ao tricampeonato em Wimbledon, e não acredito que já houve um tenista mais qualificado que ele a poder realizar este feito. Só uma pessoa conseguiu isso até hoje: Steffi Graf, em 1988. Pelo visto, devemos esperar até 2020 para ver se existirá um tenista dominante no circuito como existe Nole hoje.

A supremacia do sérvio é notável e algo que poucos poderiam profetizar em uma era de tênis em que temos Roger Federer e Rafael Nadal (isso sem contar outros grande tenistas que completam o top 10 mundial, como Andy Murray e Stan Wawrinka, por exemplo). Essa foi apenas a quarta derrota em 50 partidas de 2016, sendo que Djokovic não perdia em Slams há trinta jogos. Para se ter mais noção da profundidade desta derrota, essa foi a primeira vez que o número 1 foi eliminado tão cedo em um dos quatro Majors desde 2009, quando Novak também caiu na terceira rodada, no saibro de Roland Garros.

Foto: Site oficial Nocak Djokovic
Foto: Site oficial Novak Djokovic

O carrasco foi o atual 41 do mundo, Sam Querrey. O americano foi ofensivo a partida inteira e vimos um Djokovic acuado, algo não muito comum. Os dois fizeram um primeiro set altamente competitivo que só foi fechado no tie break, onde Querrey manteve um saque de altíssimo nível e fechou a parcial: 7/6(7). O segundo set foi um atropelo, com duas quebras do americano e um resultado rápido de 6/1. Djokovic foi salvo pela chuva na interrupção da partida.

O estilo de jogo de Querrey combinou muito com a grama, superfície que favorece pontos mais rápidos. Com uma direita ofensiva e principalmente um saque preciso e muito veloz (uma média de primeiro saque de 123km/h), Querrey foi acurralando Djoko e forçando erros do adversário. A pressão de conquistar algo inédito no tênis masculino deve ter afetado o sérvio, que não demonstrou tanta força psicológica para virar de fato a partida. No retorno da pausa, já no dia seguinte, o sérvio diminuiu um set de vantagem (6/3) e poderia fechar o quarto para empatar, mas não foi efetivo e viu mais um tie break acabar em revés e “game, set, match Querrey”: 7/6(6) 6/1 3/6 7/6(5). Profissional desde 2006 e com oito derrotas para números 1 do mundo, na nona vez o americano pode comemorar – na maior zebra da temporada de 2016.

É sempre incrível ver algo extraordinário acontecer no mundo do tênis e com certeza esta partida ficará marcada na galeria de 2016. Um dos maiores domínios da história (em termos de pontos, títulos e premiação em dinheiro) e a certeza de que o esporte é humano, que o jogador perfeito também perde, sente a pressão e que é muito difícil fazer uma coisa que nunca aconteceu antes.

Crédito de foto principal: John Walton/PA

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