Oito números que mostram o sucesso do Campenato Brasileiro Feminino 2017

O Santos é campeão do Campeonato Brasileiro Feminino 2017. A equipe venceu a segunda partida da final contra o Corinthians fora de casa por 1 a 0 e garantiu o primeiro Brasileirão de futebol para as Sereias da Vila, mesmo com tradição do time na modalidade. Mas isso tem explicação, pois esta foi apenas a quinta edição da competição… E que edição.

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Com novo formato de disputa e quatro meses de duração, o torneio desse ano foi histórico. Grandes públicos, bons jogos, atletas reveladas e muitos gols. Por isso, trouxemos oito estatísticas que ajudam a contar como o Campeonato Brasileiro Feminino de futebol foi um sucesso.

126 partidas disputadas

Até o ano passado, o Brasileirão Feminino tinha uma fórmula de disputa baseada em confrontos eliminatórios, o que dava poucas datas às equipes. Em 2016, o torneio foi disputado com vinte times divididos em quatro grupos de cinco. Com partidas só de ida, apenas os dois primeiros passavam de fase, ou seja, doze times disputaram apenas quatro jogos na competição. No total, o campeonato teve setenta partidas.

Em 2017, o Campeonato Brasileiro Feminino contou com dezesseis equipes divididas em dois grupos. Todos jogavam partidas de ida e volta dentro da chave, ou seja, mínimo de quatorze jogos cada. Foram 112 jogos na primeira fase, mais quatorze no mata-mata. Isso garantiu um pouco mais de estabilidade de emprego às atletas e tempo para os times evoluírem.

Recorde de público: 25.371 pessoas (Iranduba vs Santos)

O Iranduba (AM) foi o grande destaque do torneio quando o assunto é público. Mais de 25 mil torcedores foram ao primeiro jogo da semifinal contra o Santos. A Arena da Amazônia lotou, mas não foi a primeira vez. Já nas quartas de final contra o Flamengo, o Hulk (como o time amazonense é chamado) colocou 15.107 pessoas no estádio. O público santista também se destacou na reta final. A Vila Belmiro contou com mais de 15 mil pessoas na decisão contra o Corinthians, maior público do estádio em 2017.

O calendário estendido também foi importante para o público criar vínculo com seus times. Outro quesito foram os horários, que no começo não ajudaram muito, mas melhoraram. O Campeonato Brasileiro Feminino começou com jogos aos fins de semana, brigando por espaço com o masculino. Depois, jogos durante a semana, mas em horário comercial. Foi apenas na fase de mata-mata que os jogos passaram para às 18h. Aí foi sucesso garantido.

Campeonato Brasileiro Feminino
Iranduba encheu a Arena da Amazônia no primeiro jogo das semifinais contra o Santos (Foto: Bruno Kelly/AllSPorts)
Maior Renda: R$ 115.370,00 (Iranduba vs Santos)

Esse número mostra o quão consolidado está o projeto do Iranduba. A renda também foi no jogo contra o Santos. Ou seja, o time cobrou ingresso do público e mesmo assim garantiu o recorde do campeonato. O Iranduba teve lucro de mais de R$ 98 mil, número importante, ainda mais para um time de futebol feminino.

Vale destacar que os times não tinham obrigação de divulgar público e renda oficialmente. A maioria dos times não o fez, caso dos finalistas Santos e Corinthians, por exemplo.

Média de 3,03 gols por partida

O público que assistiu ao Campeonato Brasileiro Feminino teve o que comemorar. Ao todo foram 382 gols nas 126 partidas, média de 3,03. Boa parte disso foi garantido pelo Corinthians, melhor ataque da competição com 54 gols. As paulistas também tiveram a maior goleada: 10 a 0 contra o São Francisco (BA) na última rodada da primeira fase.


Cyntia Sochor marcou (do Santos) no golaço contra o Corinthians na final

Artilheira do campeonato: 18 gols (Sole Jaimes, do Santos)

Com 18 gols em 19 partidas, Sole Jaimes foi a destaque das campeãs. A atacante argentina teve incrível média de 0,94 gols por jogo e foi a goleadora do campeonato. Importante nos momentos decisivos, Sole marcou quatro gols nas semifinais e finais, incluindo o gol do título.


Sole Jaimes marcou o gol do título contra o Corinthians

Melhor defesa: 13 gols (Santos e Corinthians)

“Ataques ganham jogos e defesas ganham campeonatos”. Essa velha máxima dos esportes nem sempre é verdadeira, mas nesse Brasileirão fez toda a diferença. As duas defesas menos vazadas da competição chegaram à decisão. No fim, venceu o Santos que conseguiu segurar o ataque poderoso do Corinthians. As corintianas, que tinha passado em branco apenas duas partidas durante todo o campeonato, não marcaram nos dois jogos decisivos.

Números das Sereias da Vila

Nesse tópico não temos apenas uma estatística, mas várias que ajudam a explicar o título santista. Além da artilheira do campeonato e a melhor defesa da competição, o Santos contou com a força da Vila Belmiro. Das dez partidas em casa, o time venceu nove e empatou uma (93,3% de aproveitamento). Vale destacar também a reta final da competição. O time foi fulminante no mata-mata vencendo cinco partidas e empatando uma. Inclusive, venceu os jogos fora de casa contra Audax, Iranduba e Corinthians.

Campeonato Brasileiro Feminino
Maurine é a única tricampeã Brasileira (Foto: Robson Fernandjes/AllSports)

O Santos volta a conquistar um título de expressão depois de sete anos. Naquela época, o timaço contava com Marta e Cristiane e foi bicampeão da Copa do Brasil (2008 e 2009) e da Libertadores (2009 e 2010). A lateral Maurine era uma jovem revelação daquele Santos e atualmente é a capitã. “Eu fico emocionada que era o único título que eu não tinha com o Santos, hoje eu poderia encerrar a carreira que eu sairia feliz. Antes tinha a Marta e a Cristiane e todo mundo lembrava daquele time, hoje a nossa equipe é jovem e que ainda vai dar muito futuro para o Santos”, falou a atleta em entrevista para a Sportv ao fim da partida. Com o título, Maurine se torna a única tricampeã do Campeonato Brasileiro Feminino.

Nove convocadas para o Torneio das Nações

No primeiro tópico, falamos sobre a importância do calendário para times e atletas. Há duas semanas, a técnica da Seleção Brasileira, Emily Lima, falou sobre a evolução do campeonato em entrevista para a CBF TV. “Estou satisfeita com a melhora tática e técnica das equipes, das atletas e a gente vê que os clubes e os treinamentos também vêm evoluindo”.

Demonstração disso foi o número de jogadoras que atuam no Brasil convocadas para o Torneio das Nações: nove. A competição amistosa conta com Japão, Estados Unidos e Austrália e será disputada de 27 de julho a 3 de agosto. Por não ser data FIFA, nem todas as jogadoras estavam à disposição de Emily Lima – caso da Cristiane, por exemplo –, mas mesmo assim é um número bem significativo e ajuda a comprovar o sucesso do Campeonato Brasileiro Feminino 2017.

Foto Destaque: Marcelo Pereira/AllSports

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