Rio 2016: Nós avisamos sobre as zebras, só não como seria

Já discutimos por aqui como os jogos olímpicos são propensos a momentos marcantes e ressurreições de quase defuntos do tênis. No EsporteCast Olímpico: Tênis, eu, pai Vini, profetizei uma zebra. Não somente uma zebra, mas quem protagonizaria tal feito. Juan Martin Del Potro bateu o número 1 do mundo nas quadras do Rio de Janeiro, logo na estreia de Novak Djokovic na competição. Agora, passarei a viver de ver o futuro!

Brincadeiras à parte, as Olimpíadas historicamente apresentam situações inusitadas, mas nem Mãe Diná poderia imaginar que o grande choque do tênis masculino aconteceria de cara, assim, numa primeira rodada. Anima mais ainda a gente para acompanhar os Jogos Olímpicos que, também pela nossa previsão, já tinha ouro e prata definidos.

Bem verdade que nossa menção a Delpo no EsporteCast não é a toa, ele sempre será uma ameaça quando estiver em forma, ainda mais com o piso que escolhemos como sede. Na quadra dura, o argentino é quem se sente em casa. Se pensarmos que ele já bateu um Roger Federer que vinha voando numa final do US Open, a ideia de zebra até parece meio absurda, não?

Ok, estou mudando de opinião: este resultado não é uma zebra. Se olharmos apenas para o ranking pode parecer absurdo afirmar isso, porém o tênis é muito mais do que apenas números e projeções, é também momento, clima, situação. E o contexto da noite de ontem gritou Del Potro.

O argentino vinha de lesão. Encarava o melhor jogador do mundo. Estava na casa de um rival tradicional em qualquer esporte que se dispute. E ainda ficou trancado num elevador por 40 minutos. Adversidades todas que somente alimentaram o fogo que corre dentro deste tenista espetacular, que sofre com problemas físico há anos e buscava a motivação para retomar a boa fase. Está aí ela. Com seus tradicionais tapas retos, batidas que tiram o efeito da bola, ele castigou os erros de Djoko – e foram muitos. Este estilo de Juan, muito agressivo, é também de um risco incalculável, pois ao retirar qualquer giro na bola de seu golpe com a raquete ele compromete a precisão do ataque, mas dando a ele uma altíssima velocidade. É preciso ser um atirador de elite para jogar uma partida inteira assim. Um sniper argentino, talvez?

Nada disso é novo para ninguém. Já mencionamos como Delpo venceu Federer no US Open, mas em tantas as outras vezes ele se apresentou como ameaça. Por que Djokovic foi surpreendido então? Talvez o nervosismo de ser o favorito tenha finalmente atingido o multicampeão, logo no maior evento do mundo. Ou talvez a torcida, que tinha tudo para atrapalhar Del Potro, acabou o empurrando e entrando na cabeça do sérvio. A verdade é que ele sentiu. Sentiu o baque de encarar um cara destemido, sem medo de perder. Sentiu o braço encurtar e a raquete ficar pequena para acertar a bolinha. Sentiu o peso de todo um país nas suas costas. E chorou. Como nunca havia sido visto. Nole caiu em lágrimas incontroláveis ao deixar a quadra. Do outro lado, Juan Martin Del Potro fazia o mesmo.


Independentemente de previsões ou não, se imaginamos e projetamos que alguém iria ser surpreendido ou que Del Potro era o cara a fazer isso, ninguém poderia traçar um momento tão emocional e emocionante como este jogo de domingo a noite. E logo na primeira rodada. Ah, que bom é ver a Olimpíada.

Foto destaque: Divulgação/Instagram

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