NBA Awards 2017: escolhas justas e uma estreia de sucesso

A noite da última segunda-feira, 26 de junho, foi marcante para a NBA. Uma liga de sucesso consolidado e com o toque de Midas se via em um teste com resultado incerto. O NBA Awards 2017 era a primeira edição de uma festa feita para premiar os destaques individuais da temporada regular. Será que a edição de estreia também seria a de despedida? Pelo jeito, parece que não.

A noite foi ótima, as atrações se saíram bem, o NBA Awards 2017 teve a cara dos jogadores e caiu no gosto do público e crítica. Há alguns pontos que precisam ser melhorados, mas para uma noite em que a Liga se arriscou, o retorno foi muito bom. E para coroar, os prêmios ficaram em boas mãos e o evento contou com ótimos discursos.

Escolhas justas para uma temporada fantástica

Faz mais de dois meses do fim da temporada regular, tivemos Playoffs, Finais e o Draft neste meio tempo, mas quem tem boa memória deve se lembrar que a fase de classificação foi espetacular. Recorde de triplos duplos (117), de atletas com atuações de 50 ou mais pontos (dez), de atletas com 25 ou mais pontos de média (13), entre outros feitos marcantes. Para muitos, a primeira fase foi melhor até que a fase decisiva.

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Em uma temporada tão boa, o momento de premiar os destaques individuais fica ainda mais especial. Russell Westbrook, dono de tantos recordes, confirmou o favoritismo e ficou com prêmio de MVP. Não que James Harden não merecesse, mas o camisa 0 teve triplo-duplo de média e anotou o feito em 42 jogos durante a temporada. Há quem diga que são apenas números individuais, mas a campanha do Thunder desmente isso. Com triplos-duplos do armador, 33 vitórias e 9 derrotas. Sem, 14 vitórias e 26 derrotas.

The story of @russwest44’s historic #KiaMVP season for the @okcthunder!

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Nos outros prêmios, Draymond Green finalmente foi escolhido o Jogador Defensivo do Ano depois de ser o segundo colocado dois anos seguidos. Curiosamente, o prêmio veio no ano em que a defesa do Golden State Warriors teve pior desempenho defensivo desde 2015. Talvez o ala-pivô não merecesse por esse campeonato, mas pelo conjunto da obra sim.

Se Harden não conquistou o prêmio que queria, seu técnico sim. Mike D’Antoni venceu o prêmio Técnico do Ano pela segunda vez na carreira (o primeiro em 2005) ao levar o Houston Rockets a um ótimo terceiro lugar no Oeste. O melhor executivo ficou por conta de Bob Myers, um dos principais responsáveis por Kevin Durant assinar com o Golden State Warriors.

Tivemos também os prêmios de Calouro do Ano e Jogador que Mais Evoluiu no Ano indo para o Milwaukee Bucks. O primeiro para o armador Malcolm Brogdon e o segundo para o ala grego Giannis Antetokounmpo. Reconhecimento que dá aos Bucks uma boa perspectiva para os próximos anos.

Os momentos emocionantes

Em um evento de premiação, os discursos são momentos tão esperados quanto o anúncio dos vencedores e nisso o NBA Awards 2017 acertou. A começar pelo tempo que o evento deu para esse momento. Nada de cortar as falas com uma música subindo só por causa do tempo da TV. Russell Westbrook, por exemplo, falou durante dez minutos, o que é surpreendente.

Acostumado a uma relação mais hostil com os jornalistas, Russell Westbrook até brincou com esse convívio conturbado em sua fala. Mostrou humildade ao agradecer às pessoas envolvida em sua carreira durante quatro minutos, inclusive chamando seus colegas de time ao palco. Nos outros seis, o armador se emocionou ao falar da sua família e de todo o apoio que deram durante toda sua trajetória.  Até os óculos sua pitada de marra na ocasião não resistiram ao choro.

Monty Williams recebeu o terno em homenagem ao jornalista Craig Sager

As homenagens do NBA Awards 2017 também proporcionaram momentos especiais dos quais destaco dois. Primeiro, a entrega do Sager Strong Awards, que já emociona pela homenagem feita ao lendário repórter de quadra Craig Sager, que faleceu em 2016 vítima de um câncer. O prêmio foi um terno colorido e espalhafatoso como os que o jornalista usava. A “pessoa forte” escolhida foi Monty Williams, ex-treinador do New Orleans (ainda Hornets), que perdeu sua esposa em um acidente de carro. Williams recebeu uma homenagem de ex-companheiros e falou para seus cinco filhos de forma emocionante.

A outra homenagem que marcou a noite foi Bill Russell, lendário pivô dos Celtics nos anos 1950-60. No vídeo de apresentação, destaque para o envolvimento de Bill na luta contra o racismo. Hoje com 83 anos, ele recebeu um prêmio honorário pela carreira das mãos de Kareem Abdull-Jabbar, Shaquille O’Neal, Alonzo Morning, Dikembe Mutombo e David Robinson. O curioso é que esses cinco pivôs lendários somam 13 títulos, enquanto Bill Russell sozinho tem 11 títulos. Não à toa ele disse aos microfones “I would kick your ass” (“eu poderia chutar seus traseiros” seria a tradução de algum filme da Sessão da Tarde).

 

Uma festa com a cara dos jogadores

Não foi apenas Bill Russell que tirou risadas do público. O rapper Drake foi o apresentador da cerimônia e se saiu bem na função. Ele teve momentos de interação com os convidados, uma esquete com o ator Will Ferrell e DeMar DeRozan e até algumas piadas ácidas com os atletas

Ainda na área musical, a apresentação de Nicki Minaj aliou o rap à pompa dos espetáculos de grandes premiações. Com direito a cenário e dançarinos, a rapper com apelo de estrela pop e foi uma boa atração. Agradou jogadores e atraiu um público que não acompanha tanto o basquete, em um tipo de apresentação que repercutiu ainda mais o NBA Awards 2017 nas redes sociais.

Ex-atletas apareceram aos montes. A equipe da TNT americana (que conta com Shaquille O’Neal, Charles Barkley e Kenny Smith) coapresentou o evento. Kevin Garnett e Grant Hill também estavam presentes, além de outros que não trabalham na mídia como Allen Iverson, Paul Pierce, etc. Todos aparecendo nas brincadeiras de Drake ou na entrega dos prêmios.

Nesse momento, aliás, pudemos ver que os jogadores estavam à vontade. Draymond Green foi de terno verde e short social. Westbrook estava de óculos com lente azul. James Harden com uma camisa florida por baixo do terno. Eles puderam ser eles, sem se preocupar com convenções sociais em festas de gala.

O que precisa ser melhorado

Apesar de todos os pontos que levantei acima, o NBA Awards 2017 teve problemas como a maioria das estreias têm. A maior e mais gritante delas foi a baixa presença dos astros. Draymond Green foi o único representante do campeão Golden State Warriors. Kawhy Leonard era finalista do prêmio de MVP e não estava lá. Assim como todos os grandes astros da NBA atual com exceção de Westbrook e Harden. Nem Antetokounmpo, estrela em desenvolvimento, estava presente para receber seu prêmio de jogador que mais evoluiu.

Essas ausências esvaziaram demais a premiação e um dos motivos pode ser a data. A temporada regular terminou há mais de dois meses, já conhecemos o campeão e o MVP das Finais e a maioria dos atletas está de férias. Além disso, será que o tempo não tira um pouco do brilho das conquistas da temporada regular?!

Essa é uma opinião que divide a nossa equipe. Há quem ache que essa semana a mais em evidência é boa para a NBA. Outra parte – incluindo eu – acha que seria melhor premiar após fase de classificação, o que traria outros problemas. O tempo entre o fim da temporada regular e da pós temporada é de três dias, não daria tempo de contabilizar as votações e organizar uma festa deste tamanho. Além disso, com o foco nos playoffs, a adesão das grandes estrelas continuaria sendo baixa. A não ser que aumentassem esse tempo para poder incluir a festa e convencer os atletas a participarem.

Conclusão

Apesar do dilema de incluir as grandes estrelas, o NBA Awards 2017 passou no teste com louvor. Os estadunidenses sabem fazer eventos e essa pode se tornar uma festa do esporte mundial. Com mais astros, a NBA poderá promover um show ainda maior para atrair espectadores de todo o mundo. Que venham as próximas edições, desde que mantenha sua identidade e continue tendo a cara de seus atletas.

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