Na Rio 2016 os Jogos Olímpicos incluem ainda mais mulheres

A Olimpíada de Londres, em 2012, foi considerada “os jogos olímpicos das mulheres” por quebrar três marcas: a maior porcentagem de atletas mulheres em uma edição; atletas mulheres disputaram todos os esportes pela primeira vez na história; e, também pela primeira vez, todos os países participantes contaram com, no mínimo, uma atleta mulher. Com o alcance destes recordes as organizações que prezam pela igualdade de gênero no mundo do esporte passaram a discutir a presença de mulheres em cargos de liderança, como na direção de organizações, federações e comitês e também como treinadoras de equipes e atletas – um pouco mais sobre este assunto você pode ler neste texto em inglês escrito por Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora da ONU Mulheres para a revista Olympic Review, do Comitê Olímpico Internacional. Porém, mesmo com números expressivos e a discussão sendo expandida, ainda não é possível afirmar que há igualdade entre atletas homens e mulheres nos jogos olímpicos. No infográfico a seguir estão alguns números que revelam o tratamento desigual dado à homens e mulheres quando se trata de Olimpíadas.

Olimpíada das mulheres

 

Menos chance de medalhas para mulheres

Cada evento é uma oportunidade de medalha e, como existem mais eventos exclusivamente masculinos, os homens têm mais chance de ganhar medalhas. O Comitê Olímpico Internacional (COI) tem, nos últimos seis anos, demonstrado que pretende tornar iguais os eventos femininos e masculinos e tem tomado atitudes para atingir este objetivo. Das Olimpíadas de Londres em 2012 para o Rio 2016 as categorias da vela sofreram várias mudanças. Apesar dos homens ainda terem uma categoria a mais, com um barco mais pesado, as mulheres ganharam mais uma categoria e tiveram as outras modificadas para competirem com os mesmos barcos e regras dos eventos masculinos. Na luta olímpica uma categoria dos homens foi extinta e duas femininas criadas para igualar o número de eventos para cada sexo dentro da modalidade. Ainda dentro da postura adotada pelo COI, a luta greco-romana, a única modalidade exclusivamente masculina, não será mais disputada a partir de 2020.

Mas, mesmo com a atitude do COI de fazer lobby junto às federações internacionais para aumentar os eventos femininos, ainda há casos como os do boxe, com sete categorias masculinas e três femininas, canoagem, com cinco categorias masculinas e nenhuma feminina, caiaque, remo e tiro.

É bom deixar claro que, em alguns casos, existem categorias específicas para cada sexo que podem ser equivalentes. Na ginástica artística, por exemplo, enquanto os homens disputam a barra fixa e as barras paralelas, as mulheres competem nas barras assimétricas e na barra de equilíbrio. Existem também casos em que não é possível determinar uma categoria equivalente para o outro sexo e nem mesmo uma justificativa aparente para as diferenças. Para continuar na ginástica artística, há duas modalidades a mais na disputa masculina, sem nenhum motivo físico ou técnico: o cavalo com alças e as argolas. A canoagem é outro esporte em que não há eventos femininos nas Olimpíadas, assim como existem menos modalidades femininas no remo, no caiaque e no tiro.

Diferença física

Diferente destes esportes onde não há argumentos para a disparidade entre eventos masculinos e femininos, em algumas modalidades as diferenças são justificadas por uma vantagem biológica dos homens, vantagem esta que tem sido estudada, e por vezes contestada, em estudos analisados pelo COI para resolver outra questão de representatividade, a participação de atletas transgêneros, que podem participar das Olimpíadas sem realizar a cirurgia de readequação sexual a partir deste ano. Mas, mesmo em casos em que este argumento é apresentado, é possível notar contradições e decisões duvidosas. No atletismo, por exemplo, as mulheres disputam a marcha atlética de 20 quilômetros junto com os homens, mas não podem disputar a de 50 quilômetros. O decatlo é disputado exclusivamente por atletas do sexo masculino, enquanto a categoria feminina é o heptatlo. Ainda no atletismo, os homens têm uma categoria a mais no levantamento de peso. Mas, a maior contradição está na natação: a disputa mais longa nas piscinas é a de 1500 metros, exclusiva para os homens já que as mulheres só podem disputar a de 800 metros. A maratona aquática de 10 quilômetros em mar aberto é disputada pelos dois sexos.

Critérios diferentes para as mesmas modalidades

Mesmo nas duas modalidades exclusivamente femininas existe um porém. A ginástica rítmica e o nado sincronizado são os únicos esportes em que os atletas competidores são julgados por quesitos como a arte envolvida na apresentação, a beleza dos movimentos, os figurinos e a apresentação estética dos participantes (a maquiagem no nado sincronizado pode ser levada em conta no julgamento dos juízes). Na ginástica artística atletas de ambos os sexos disputam a categoria solo, em que têm que fazer uma apresentação realizando certas acrobacias e saltos, no entanto, os homens apenas realizam os movimentos, enquanto as mulheres se apresentam acompanhadas de música e os juízes as julgam também pelo figurino e por movimentos de dança incorporados aos saltos.

2 comentários em “Na Rio 2016 os Jogos Olímpicos incluem ainda mais mulheres

  • 9 de agosto de 2017 em 21:27
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    Seria muito importante registrar no início ou ao final do texto de quem é a autoria.

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    • 9 de agosto de 2017 em 22:28
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      Olá, Cristiane. Abaixo do título, antes do inicio dotexto está identificado o autor. Isso acontece em todos os textos do site
      Boa noite!

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