Rio 2016: Na estreia do futebol feminino, Brasil bate a China por 3 a 0

Começamos bem. Na estreia do futebol feminino nas Olimpíadas, a seleção brasileira fez 3 a 0 contra a China e manteve a estatística de nunca perder em primeiras partidas: agora são quatro vitórias e dois empates nas seis participações. Marcação forte, talento individual, entrosamento e pressão foram as armas usadas pelas jogadoras para conseguir o resultado e encaminhar a primeira posição no Grupo E da modalidade. As brasileiras fizeram um jogo seguro em que a China não teve expressão e nem chegou a mostrar perigo. Confira uma análise breve do confronto:

Formação ofensiva demais

Desde o início da partida, notou-se que a postura brasileira seria ofensiva. Tanto pela formação, com três atacantes e uma meia ofensiva (papel feito por Marta), tanto quanto na marcação. O Brasil foi avançando no campo a ponto de anular a saída de bola chinesa, sufocando a seleção adversária. Através de lances individuais, vimos a superioridade técnica de nossas jogadoras, que distribuíram dribles e se impuseram o jogo inteiro. Aliado a esses dois fatores, o entrosamento visível entre as jogadoras (muito por conta da seleção permanente) permitiu um número baixo de erros de passe e pouca sobra de bola para as chinesas. Nas poucas vezes em que a China chegou, a zaga mostrou-se um pouco insegura, mas não comprometeu.

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Mônica comemorando o primeiro gol (Crédito de foto: Reuters)

Em casa e sob gritos da torcida, Mônica abriu o placar em um gol achado – depois da seleção perder algumas chances – em um cabeceio fraco, mas no canto, que passou por três defensoras e a goleira, que saiu mal. A partir de então, tivemos tranquilidade no segundo tempo, passando um leve sufoco por desatenção no final da primeira etapa.

Um destaque na partida que pode nos fazer pensar a respeito da formação da equipe é a entrada de Andressinha. O seu primeiro toque na bola foi uma enfiada para a Marta que resultou na assistência para Andressa Alves. Andressinha melhorou o meio de campo, região onde pecamos na primeira metade. Ao meu ver, ela traz a cadência que precisamos para ter mais tranquilidade. A jogadora também ajudou Marta, que estava mais presa no meio de campo por ter que fazer esse papel de marcação. Andressinha deveria ser titular.

Para isso, teria que haver uma mudança tática. A camisa 17 entrou no lugar de Thaisa, que faz o papel de primeira volante, marcando e fazendo a transição defesa-ataque. Com o que apresentou hoje, não sei se Thaisa é o suficiente para realizar essa função de forma segura. A Andressinha também não conseguiria sozinha. Aí vem a minha sugestão de  um esquema mais defensivo, sacrificando uma das atacantes — até porque a partida de hoje foi contra uma equipe que só tem defesa, é perigoso sermos tão ofensivos com outras seleções. Para aliar as três deficiências da partida de hoje (insegurança na zaga e no meio de campo e Marta presa para marcar), coloquemos a Andressinha no lugar da Thaisa e também puxemos a Érika do banco para ajudar na transição.

Fazer um esquema 4-3-3 (Fabiana, Mônica, Rafaelle e Tamires; Érika, Andressinha e Formiga; Marta, Beatriz e Andressa Alves), com Marta de meia avançada, ou implementar o 3-5-2, com as mesmas jogadoras e Érika na sua função original na zaga.

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Formação 4-3-3 (créditos: socceruniverse)
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Formação 3-5-2 (crédito: Futebol Tático)

Sim, para isso teríamos que sacrificar Cristiane, a maior artilheira da história das Olimpíadas e nossa atacante de ofício. Mas, ao meu ver, ela seria a arma para o segundo tempo, vindo descansada do banco e puxando a zaga toda pra cima dela. Além do seu trabalho aéreo que é muito bom. Ao invés de ter um ataque com três jogadoras, teríamos um meio de campo mais povoado e seguro, que entrega a bola mais bem posicionada para as atacantes. Beatriz e Andressa Alves poderiam se revezar para fazer o papel de falsa 9 quando fosse necessário. Ou mesmo a Cristiane seria titular e uma das outras no banco. Essa preocupação deve existir para minimizar ao máximo a chance de sermos surpreendidas jogando melhor, como aconteceu contra a Austrália na Copa do Mundo. Nosso elenco é muito bom e estamos no caminho certo, mas existem erros a serem corrigidos.

Crédito da foto principal: Y. V. EFE

 

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