Um novo estilo no vôlei brasileiro e a Era Renan

Depois de 16 anos – muito vitoriosos – a seleção brasileira masculina de vôlei mudou de comando, passando agora para as mãos de Renan Dal Zotto. Quem se apaixonou pelo voleibol durante essa era de ouro talvez nem consiga imaginar outro técnico na beira da quadra se não Bernardinho, e sobre a sua importância para o vôlei mundial já comentei por aqui.

Renan levanta uma taça vestindo o uniforme da seleção brasileira
Foto: Divulgação / Site Oficial

Então é até esperado que a torcida vá estranhar a chegada de Renan. Seu estilo de comandar é muito mais centrado, sem grandes agitos. Na verdade, para o que a seleção brasileira precisa atualmente, Renan Dal Zotto é a cartada mais correta a se dar.

Para lembrar um pouco sua história, Renan é contemporâneo de Bernardo, sendo um dos maiores destaques que surgiram da geração de prata de 1984. Como jogador, ficou famoso por sua passagem vitoriosa pela Itália, justamente nos anos que tornaram a azzura dominante no cenário mundial. Como treinador, também atuou na Europa.

Porém, seu maior case de sucesso foi a criação da Cimed Florianópolis, um fenômeno meteórico da Superliga que teve seu primeiro impulso justamente com ele no comando, vencendo o campeonato em 2006. Lá, seu projeto se fundamentou em juntar jovens talentos com jogadores experientes e acabou por revelar algumas figuras que hoje são mais que carimbadas na seleção: Bruninho, Lukão, Sidão, Thiago Alves, Éder e Theo.

É justamente pelo que fez em Santa Catarina que Renan é agora a melhor escolha para a seleção. O período atual é não só de transição entre técnicos, mas também de uma mudança de geração. Muitos dos atletas que se destacaram nas Olimpíadas Rio 2016 não terão idade para jogar em Tóquio 2020, então o olhar tem que se voltar aos jovens talentos.

Muito como fez Bernardinho quando assumiu em 2001, Renan terá que achar as suas peças de destaque, mas sofrerá com as críticas que virão quando os nomes que a torcida está acostumada não aparecerem na convocação.

Os ciclos do vôlei

O peso nos ombros do novo técnico será gigantesco, é claro. Ele está sucedendo o maior que já passou pelo comando. A história se repete quando olhamos para os anos 2000 e vemos um jovem Bernardo assumindo a seleção brasileira depois de outra lenda do esporte.

Bernardinho chegava com credenciais muito mais atualizadas que Renan tem agora. Até os anos 2000, Bernardo havia vencido quatro Grand Prix de vôlei e um Pan-Americano com a seleção feminina, mas quem estava comandando os homens era Radamés Lattari, nome que até hoje tem força no mundo do voleibol. Naquela época, era uma seleção que vinha de momentos conturbados, sofria com o resultado olímpico abaixo do esperado e precisava de uma mudança.

Renan Dal Zotto e Radamés Lattari posam juntos para a foto
Renan e Radamés trabalharam juntos na parte administrativa da CBV. Foto: Alexandre Arruda/CBV

Claro, não há nenhum desespero na seleção atualmente. Pelo contrário, somos campeões olímpicos. Mas a passagem de bastão se dá na mesma ideia, de que um grande nome abre espaço para um novo se construir. Como fez Bernardinho lá atrás, acredito que Renan tenha que se impor já de início, mostrar claramente que é um técnico com estilo próprio, convocando e comandando de forma diferente. Deixar  claro que é sim o fim de uma era, mas que isso não precisa ser ruim.

Fato que as comparações serão exaustivas, e a experiência de gestão que Renan tem o ajudará nesses momentos, mas a saudade da Era Bernardinho só pode ser suprida com um bom trabalho e construção da Era Renan.

Foto destaque: Divulgação / Site Oficial

2 comentários em “Um novo estilo no vôlei brasileiro e a Era Renan

Deixe seu comentário: