Mudanças nas regras da Super Liga chinesa indicam fim da Eldorado do futebol

Transações milionárias, salários astronômicos e nível técnico duvidoso. Essas três características definem bem a Super Liga chinesa de futebol nos últimos anos, mas é uma realidade que deve mudar por um bom motivo. Em janeiro de 2017, a Associação Chinesa de Futebol alterou as regras pra estrangeiros e os times só podem escalar três jogadores titulares de outros países, quando antes esse número era de quatro, sendo que um tinha de ser asiático. A mudança já entrou em vigor na temporada que iniciou em fevereiro. Pode parecer sutil, mas indica possíveis alterações futuras para frear o que a própria entidade definiu como “investimentos irracionais”.

Segundo o comunicado divulgado pela associação no dia 16 de janeiro, serão colocadas em prática “uma série de medidas para regular as operações e gestão de clubes em termos de investimentos irracionais e valores elevados pagos em transferências e salários de jogadores nacionais e estrangeiros”. Os sinais destas primeiras mudanças já podem ser sentidas, por exemplo, com a volta do volante Jucilei ao futebol brasileiro. O ex-corintiano tem nacionalidade palestina e atuava no Shandong Luneng na cota de estrangeiros asiáticos, mas foi negociado com o São Paulo após a alteração.

Reforço na base

Outra mudança que indica que esta fase esbanjadora pode ter um final em breve é a obrigatoriedade de relacionar pelo menos dois chineses sub-23 nas partidas, sendo um necessariamente titular. Este é um claro indicativo de que, apesar do poderio financeiro, o objetivo final é a importação de talentos para elevar o nível dos jogadores nacionais e desenvolver o esporte como um todo.

Isso é reforçado por outras mudanças de regras que foram divulgada pouco após a primeira alteração. As contas dos clubes serão auditadas e equipes deficitárias podem ser excluídas da competição, uma demonstração de que os investimentos absurdos serão freados. Equipes que gastarem mais em salários também serão obrigadas a investir nas categorias de base.

Governo e empresas injetam dinheiro

Até 2012, pouco se ouvia falar da Super Liga chinesa. Nos últimos cinco anos, no entanto, são cada vez mais comuns as notícias de contratações bombásticas dos 16 clubes que compõem a elite do futebol do país. O argentino Carlito Tevez e o meia brasileiro Oscar, por exemplo, desembarcaram no último ano e figuram entre os cinco jogadores mais bem pagos do mundo. Além destes, nomes como o italiano Graziano Pellè, os marfinenses Didier Drogba e Gervinho, o nigeriano John Obi Mikel, o belga Axel Witsel, o equatoriano Fredy Guarín, o argentino Ezequiel Lavezzi e brasileiros como Hulk, Paulinho, Ramires e Diego Tardelli, todos com passagens pelas suas respectivas seleções, atuam ou já atuaram na Super Liga.

Tevez deixou o Boca Juniors para se juntar ao Shanghai Greenland Shenhua e ser o segundo esportista mais bem pago do mundo: 40 milhões de euros por temporada (atrás apenas de Sebastian Vettel, que recebe 48 milhões de euros na Ferrari)

O nome mais apontado como o pivô desta mudança é Wu Bangguo, ex-presidente da Assembleia Popular Nancional, principal órgão legislativo do país. Já em 2013, o presidente Xi Jinping, fanático pelo esporte, afirmou que desejava o crescimento do futebol chinês. E o governo tem feito a sua parte, incentivando empresas privadas – principalmente empreiteiras – a investirem no esporte. Os valores exorbitantes injetados nas quatro linhas são revertidos para novas construções em áreas públicas.

No entanto, as recentes mudanças demonstram que verdadeiramente o plano por trás de todo esse boom no futebol tem como maior interesse o desenvolvimento dos atletas chineses e do esporte como um todo. Em 2015, por exemplo, Jinping fez com que se instituísse a obrigatoriedade de aulas da modalidade nas escolas, além de incentivar a construção de milhares de campos país afora.

A diferença com o futebol do Oriente Médio, antigo destino de jogadores que queriam fazer seu pé de meia, já é perceptível. O foco das contratações chinesas são atletas mais entre 26 e 31 anos, a maioria com passagens pelas suas seleções nacionais. Já nos clubes árabes, assim como a Major League Soccer norte-americana, os principais alvos são jogadores na curva descendente da carreira. Não à toa, o Brasil, principal exportador desta mão-de-obra para os chineses, deixou de ser o foco principal nas últimas janelas, preterido pelos destaques na Europa.

Mesmo com as alterações, não ache que seu time estará livre de perder destaques ao fim do ano para equipes como Shandong Luneng, Tianjin Quanjian e Guangzhou Evergrande. Se o plano de clubes, associação e governos para desenvolver o futebol no país dará certo, no entanto, será uma história a ser contada nos próximos anos.

Foto principal: SIPG FC/Divulgação
Foto do texto: Shanghai Greenland Shenhua FC/Divulgação

2 comentários em “Mudanças nas regras da Super Liga chinesa indicam fim da Eldorado do futebol

  • 9 de março de 2017 em 09:53
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    Estou curtindo muito o Time de Fora……….sucesso para todos vocês.

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    • 21 de março de 2017 em 10:41
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      Oi, Antonio! Obrigado por acompanhar o site!
      Estamos abertos a críticas e sugestões para melhorar cada vez mais nosso conteúdo!

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