Michael Bisping quebra a banca e é o novo campeão dos médios do UFC

O UFC 199 seria capitaneado pela revanche entre Luke Rockhold e o ex-campeão dos médios Chris Weidman, que se machucou e teve que ser retirado do card. O inglês Michael Bisping foi chamado para o seu lugar de última hora e, como quase sempre nestes casos, entrou como o grande azarão da disputa. Funcionário exemplar, campeão do programa The Ultimate Fighter, detentor do segundo maior número de vitórias dentro da franquia (18), o inglês entrou no octógono lutando contra um adversário que já havia o derrotado (em 2014, por finalização com uma guilhotina), contra a fama de mão mole (os rivais criticam seu poder de nocaute) e de eterno coadjuvante (sempre era derrotado na luta anterior ao title shot).

Mas quando pisou no cage mais famoso do mundo, Bisping deixou todos os prognósticos para trás. Confiante, impôs seu jogo contra um campeão que exalava prepotência. Rockhold parecia entorpecido pelas análises que o consideravam (com razão) franco favorito e lutou de forma displicente. O inglês soube evitar a maior envergadura do campeão e apostou nos contragolpes. Quando conseguiu o primeiro knockdown, com um cruzado de esquerda, teve a frieza de quebrar a passada e esperar para golpear novamente. Mais um cruzado, mais um knockdown e a luta já estava decidida. A sequência de socos na grade contra um Rockhold já sem reação selaram o primeiro título do UFC para um britânico.

Mais do que contrariar todas as análises, Bisping se firmou com a vitória como um grande exemplo de persistência. Lutando há quase 10 anos no UFC, soube conviver com as derrotas que sempre o afastaram do title shot e as críticas. Quando a chance de disputar o título caiu no seu colo, agarrou com unhas e dentes. A vitória também o colocou como recordista de vitórias dentro do octógono empatado com Georges St-Pierre (19). Esta também foi a 26ª luta do inglês na organização, empatado com Gleison Tibau na segunda posição, atrás de Tito Ortiz e Frank Mir (27).

Na coletiva pós-luta, o clima entre os dois adversário continuou quente. Rockhold pediu pela revanche imediata, mas se houver coerência, a primeira defesa de cinturão do inglês deve ser contra Ronaldo Jacaré, que inclusive foi chamado para substituir Weidman na luta do UFC 199, mas recusou o duelo por causa de uma cirurgia no joelho que já estava programada. Se confirmado o duelo, mesmo entrando como campeão, Bisping deve entrar em desvantagem e o cinturão dos médios, que pertenceu a Anderson Silva por sete anos, deve continuar passando de mão em mão. Mas não vamos falar em prognósticos contra o inglês, não é?

Faber confirma a fama de amarelão

Se a vitória de Bisping foi a grande surpresa da noite, no co-main event da noite deu a lógica. Dominick Cruz defendeu o título dos galos contra Urijah Faber com uma vitória por decisão unânime. Esta foi a terceira luta entre os dois. Até então, a rivalidade estava empatada, sendo Faber o único lutador que já derrotou o campeão dos galos. Com o resultado, Faber confirmou sua fama de amarelão dentro do UFC, já que conquista vitórias arrasadoras em suas lutas, mas sempre é derrotado nas disputas de cinturão. Desde que passou a lutar pela organização em 2011, teve quatro chances de conseguir o título e foi derrotado em todas. Em lutas sem cinturão em disputa, tem recorde de 9-1.

Com 13 vitórias seguidas, Dominick Cruz agora aguarda pelo próximo desafiante, que deve sair da luta entre o brasileiro Raphael Assunção e o ex-campeão T.J. Dillashaw, que se enfrentam no UFC 200 em 9 de julho. Outra possibilidade é Bryan Caraway, que vem de vitória sobre Aljamain Sterling em 29 de maio no UFC Fight Night 88.

Foto principal: GettyImage/UFC/Divulgação

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