Draft NBA: Não subestime o meio da lista

O Draft da NBA passou e com ele surge a esperança de diversas franquias encontrarem o próximo Kobe Bryant, LeBron James ou Michael Jordan. Mas não é todo ano que caras desses calibres aparecem e nós sempre olhamos para o topo da lista de escolhidos buscando as próximas grandes estrelas. Só que alguns talentos passam batidos, e vão ser draftados só lá pro meio das escolhas, algumas vezes surpreendendo até os mais preparados. Não acredita? Veja só…

Dos três caras citados antes, somente Kobe não foi um dos primeiros escolhidos no draft. Quando o Charlotte Hornet resolveu apostar nele, foi na 13º posição, lá em 1996. E não é tão incomum assim os talentos aparecerem em rodadas mais avançadas do Draft da NBA. Isso mostra como o basquete nos EUA possui uma estratégia diferente para escolher seus calouros, se compararmos com outras ligas como NFL ou NHL.

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Para comprovar que os caras do meião têm seu valor, avaliamos os últimos cinco anos de draft e vamos mostrar como não é somente o Black Mamba que teve que se provar para a NBA depois de sair do college.

Beating the odds: os que surpreenderam o draft

Devin Booker e Draymond Green surpresas Draft da NBA
À esquerda Devin Booker, à direita Draymond Green, duas surpresas do Draft da NBA. Foto: Keith Allison via Visual Hunt

Devin Booker, Giannis Antetokounmpo, Rudy Gobert e Draymond Green. Quem acompanha o melhor basquete do mundo sabe que são todos jogadores relevantes em suas franquias. Também são todos draftados abaixo da 12ª posição nos últimos cinco anos. Isso mostra como as projeções feitas pré-draft da NBA podem ser enganosas, deixando grandes estrelas passarem por ‘pouca produtividade em quadra” ou “não possuir porte físico”.

Estatísticas Giannis Antetokoumpo pick do Draft da NBA
As estatísticas de scout do Greek. Foto: NBADraft.net

Mas até o Greek Freak?! No ano de sua escolha, 2013, o primeiro escolhido foi para o Cleveland Cavaliers – ainda órfão de LeBron James – que escolheu o canadense Anthony Bennet. Ótimo prospecto, tido pelos analistas como um jogador “imarcável” devido ao seu porte físico, hoje o gigantão nem na NBA está: joga no Fernebahce da Turquia. Giannis estava, na época, em uma equipe da Grécia e a competitividade da liga era uma das grandes preocupações para avaliar o seu real potencial.

Este é um problema sério do Draft da NBA. Apesar de haver um alto nível de basquete na NCAA, a transição para o profissional é difícil e muitas vezes imprevisível. Os scouts (caras contratados por cada equipe para ir em busca de novos talentos) entregam diversos relatórios. Porém, eles não são nem de perto uma previsão perfeita de como um atleta vai render enfrentando os gigantes da NBA.

Por exemplo, você acha que draftar Anthony Davis em primeiro lugar em 2012 foi um erro para a franquia de New Orleans? Difícil quem pense assim. Porém, neste mesmo ano, Draymond Green também passou no Draft da NBA, direto para o elenco do Golden State Warriors, para se tornar um dos jogadores mais valiosos da liga. Sua posição de escolha? 35º.

E os relatórios de scout o colocavam nesta posição mesmo, por ser um bom “faz-tudo”, mas sem grandes qualidades. A imprevisibilidade fica por conta do desenvolvimento rápido que Green teve, além do elemento de dedicação e força de vontade em quadra, coisas que apareceram só quando ele realmente teve a oportunidade de se provar.

Quer mais situações parecidas? No mesmo ano de Draymond Green tivemos Damian Lillard em 6º e Andre Drummond em 16º, enquanto o segundo pick foi Michael Kidd-Gilchrist. Rudy Gobbert, um dos melhor defensores da liga atualmente, foi o 27º no mesmo ano de Antentokounmpo, ambos sendo jogadores muito mais relevantes que o primeiro pick daquela temporada.

Escolhas óbvias: os top 3 dos drafts

Mas afinal, então não vale botar fé que o Markelle Fultz vai carregar o Philadelphia 76ers? Bom, olhando os últimos cinco anos, o Draft da NBA produziu bons atletas nos primeiros picks. O já mencionado Anthony Davis, junto com Bradley Beal em 2012, Victor Oladipo e Otto Porter em 2013, Karl Anthony-Towns em 2015. Porém, duas variáveis afetam esses caras que ganham status de estrelas, ambas fora do seu controle: lesões e expectativas.

A primeira é realmente um karma nos últimos anos. Ben Simmons nesta temporada, Jahlil Okafor na temporada passada, Jabari Parker e Joel Embiid em 2014-15, o já citado Andrew Bennet em 2013. Todos se lesionaram logo no ano de estreia. Alguém pode pensar que isso já diz muito sobre o que o atleta representa para a liga, mas Stephen Curry foi um desses caras que se machucou cedo e hoje é quem é.

Então, podemos colocar essa na conta do azar mesmo. Se lesionar logo quando é hora de mostrar serviço pode ser fatal para a carreira de um calouro, ainda mais em uma NBA tão competitiva e cheia de bons talentos.

Agora as expectativas, essas sim são nocivas. A verdade é que, quando o atleta sai no início do Draft da NBA, todos pensam como destacamos lá no começo do texto: “é o novo MJ”, ou “Kobe whom?”. A famosa hype, a empolgação de ver caras novos e com grande potencial, faz com que qualquer atuação mediana de um pick top 3 se torne um desastre completo. E não falamos só de torcida não, a própria grande mídia bota esses caras em cheque. Ou você acha que o primeiro jogo ruim do Lonzo não vai gerar milhares de comentários negativos?

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Não nos entenda errado, sabemos do impacto dos primeiros escolhidos do Draft da NBA. MJ, LeBron, Magic Johnson, Bill Russel, todos saíram do top 3 do draft, o que já é mais que comprovar a importância desses picks. O que tentamos provar aqui é que não basta olhar só para eles e achar que é sempre dali que vai vir a elite do basquete nos EUA. Há uma grande dificuldade de se prever quem vai ou não virar destaque na NBA somente por uma posição numa tabela de escolhas.

São tantos fatores, e tão variados e fora de controle, que é até maldade cobrarmos algo diferente de scouts e técnicos. O cara pode não se adaptar à cidade, estar desanimado, se mostrar pouco presente em momentos de decisão. Ou também pode surpreender, se desenvolver rapidamente, construir habilidades que não possuía no college, ter um perfil de decisão, ser clutch.

O que vale a pena ter na mente é que não necessariamente ser o atleta da moda vai fazer alguém ter sucesso na NBA. Vale olhar para o meio da lista e acompanhar alguns nomes por ali, vai que surge o novo Kobe?

Foto destaque: Instagram/NBA

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