Por que os Masters 1000 não são considerados importantes?

Quando perguntados sobre um bom jogo que já viram, a maioria dos fãs de tênis provavelmente vai mencionar alguma partida de um dos Slams, os maiores torneios do circuito mundial. Se você for mais a fundo, vai ver declarações dos próprios tenistas informando que eles consideram as quatro competições (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open) as mais importantes e memoráveis que jogaram. Nada mais justo, pois o prestígio de vencer um desses campeonatos segue o jogador por toda sua carreira. Mas apenas os pontos desses torneios são o suficiente para colocar (e manter) alguém no topo do ranking? Nessa hora, eu penso nos Masters 1000.

No tênis, a regularidade é premiada com consagração, e provavelmente não há um jeito melhor de pontuar continuamente como ir bem nos Masters 1000. O problema é que nem a mídia, nem os torcedores e nem os próprios jogadores prestigiam os torneios desse porte e os colocam em um patamar no qual ele deveria estar. Por que os Masters 1000 são considerados importantes?

Djokovic é o maior vencedor de Masters 1000, com 30 títulos. Foto: mirsasha via VisualHunt / CC BY-NC-ND

Em um artigo aqui no Time de Fora, apontamos de forma didática como funciona o ranking de ATP e WTA. Nele, informamos que o vencedor de um Slam soma 2000 pontos no seu desempenho na temporada. Vencendo um Masters 1000, o tenista acrescenta 1000 a sua pontuação (por isso mesmo esse é o nome do torneio). Para um Top 5 isso talvez não signifique tanto, mas vale apontar que, ao conquistar o título de Indian Wells na semana passada, Roger Federer escalou mais quatro posições e já se encontra como sexto do mundo.

Leia mais: Entenda como funciona o sistema de pontuação no ranking de tênis

O impacto é ainda maior se você pensar em alguém abaixo dos quinze melhores vencendo um torneio desse porte. Se Jack Sock (atual 17o no ranking da ATP) levasse o Miami Open, ele somaria ⅓ dos pontos que detém na temporada e passaria de seus atuais 2375 para quase 3300 (já que perdeu cedo no torneio ano passado). Dependendo do desempenho dos adversários, poderia entrar na lista dos dez melhores pela primeira vez na carreira. O torneio tem seu efeito…

A temporada de tênis soma um total de nove Masters 1000. Para um jogador no Top 30, oito dos campeonatos deste porte são obrigatórios. Claro que durante a temporada o ranqueamento vai mudando e alguns nomes dessa lista mudam. Mas, para um tenista com técnica e pontuação consistente que de fato terá que participar, ele não deveria encarar o torneio com mais carinho?

Nome Local Datas Quadra Atual campeão
BNP Paribas Open Indian Wells, Estados Unidos 09 a 19/03 Rápida Federer (2017)
Miami Open Miami, Estados Unidos 20/03 a 02/04 Rápida Federer (2017)
Monte Carlo Rolex Masters Monte Carlo, Mônaco 16 a 23/04 Saibro Nadal (2017)
Mutua Madrid Open Madrid, Espanha 07 a 14/05 Saibro Djokovic (2016)
Internazionali BNL d’Italia Roma, Itália 14 a 21/05 Saibro Murray (2016)
Coupe Rogers Montréal/Toronto, Canadá 07 a 13/08 Rápida Djokovic (2016)
Western & Southern Open Cincinatti, Estados Unidos 13 a 20/08 Rápida Cilic (2016)
Shanghai Rolex Masters Shanghai, China 08 a 15/10 Rápida Murray (2016)
BNP Paribas Masters Paris, França 30/10 a 05/11 Rápida Murray (2016)

Preparatórios para Roland Garros (que começa no dia 28/05)

Preparatórios para US Open (que começa no dia  28/08)

Outro bom indicativo de que o Masters 1000 é uma competição importante e de grande interesse para o circuito é que pelo menos quatro deles estão estrategicamente postos no calendário como preparatórios de Slams. Assim, os torneios servem como uma exibição para ver quem está em alta no piso de um dos quatro Majors que está por vir.

Em 2016, Djokovic e Murray venceram os Masters de Madrid e Roma e foram os finalistas de Roland Garros. Já os vencedores no Canadá e em Cincinatti foram Djokovic e Cilic e o sérvio também figurou na final do US Open. É um bom parâmetro, certo? Pois veja os mesmos dados nos últimos cinco anos:

Madrid Roma RG (campeão e vice)
2015 Murray Djokovic Wawrinka e Djokovic
2014 Nadal Djokovic Nadal e Djokovic
2013 Nadal Nadal Nadal e Ferrer
2012 Federer Nadal Nadal e Djokovic
2011 Djokovic Djokovic Nadal e Federer

Nos preparatórios de saibro, em apenas um dos últimos seis anos (2011) os finalistas de Roland Garros não estavam entre os campeões de Madrid e Roma. Já nos torneios pré US Open, apenas em 2014 os finalistas não foram nenhum dos vencedores dos Masters do Canadá e de Cincinatti.

Canadá Cincinatti US Open (campeão e vice)
2015 Murray Federer Djokovic e Federer
2014 Tsonga Federer Cilic e Nishikori
2013 Nadal Nadal Nadal e Djokovic
2012 Djokovic Federer Murray e Djokovic
2011 Djokovic Murray Djokovic e Nadal

É interessante também pensar nos Masters 1000 como termômetros da temporada e não apenas de Slams. Existem tenistas que começam o ano voando e outros que precisam de um pouco mais de tempo e partidas para dominarem o circuito. Assim, com campeonatos distribuídos de março a novembro (o Masters de Paris é o último torneio do circuito), temos a oportunidade de ver a ascensão e a queda de desempenho dos jogadores.

Um pouco de história

Todas as competições oferecem o mesmo número de pontos a seu vencedor, mas cada um deles tem premiação e prestígio diferentes. Apesar de ser o único não obrigatório para tenistas top 30 — e, como consequência, tornando os outros oito Masters calendário fixo dos jogadores –, o torneio de Monte Carlo tem um quê de charmoso. Clássico, o aberto está em seu 120º ano, o que o torna o segundo 1000 mais antigo em atividade (fica atrás apenas da Rogers Cup, de 1891, que acontece no Canadá revezando as cidades de Toronto e Montréal).

Foi a partir de 1970 que as regras atuais de pontos foram empregadas nesses torneios. Desde então, houveram mudanças na nomenclatura e alterações pequenas em seus formatos. Além disso, as cidades onde acontecem as competições já mudaram algumas vezes. O Masters 1000 sempre se dá em nove locais diferentes, mas um total de 23 já receberam esse aberto. Além das atuais, foram elas: Boston, Essen/Stuttgart, Estocolmo, Filadélfia, Forest Hills, Hamburgo, Indianapolis, Joanesburgo, Las Vegas, Londres, Los Angeles, Sidney, Tokio e Washington.

Alguns recordes
lendl masters 1000
Lendl possui 11 títulos em 11 Masters 1000 diferentes. Foto: chascow via VisualHunt / CC BY

Apenas um tenista venceu os nove torneios nas nove datas diferentes do calendário: Ivan Lendl. O tcheco ainda levou outros dois torneios em duas cidades, totalizando 11 diferentes Masters 1000 em seu currículo.

Novak Djokovic precisa ser campeão apenas em Cincinatti para ter os nove. O sérvio também detém outros recordes interessantes, como o de maior campeão (com 30 títulos) e de ser o tenista com mais títulos em um ano (levando seis em 2015).

Crédito da foto principal:  mirsasha via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

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