Conheça as maldições do esporte mais famosas e malucas

Dá pra se surpreender em como o mundo dos esportes é supersticioso. Basta um agouro ou uma seca de títulos que os fãs já começam a especular: “será que estamos sendo amaldiçoados?”. Algumas vezes, é só incompetência das equipes mesmo, mas outras contam com tantos fatos bizarros que é possível acreditar em maldições do esporte.

Em meio a tantas histórias e diversas acusações de maldições feitas para os quatro cantos, é difícil fazer um filtro que preze toda essa maluquice. Nós tentamos separar então uns casos que são cabreiros e podem chegar a ser cômicos pela sua bizarrice. Quer saber algumas maldições do esporte famosas e malucas? Role sua tela que a viagem está prestes a começar.

Leia mais: Os nomes mais curiosos dos times de desenvolvimento dos Estados Unidos

Maldição de Billy Goat (1945 – 2016)

Maldições do esporte
Photo credit: fireflythegreat via Visual hunt / CC BY

Essa já é figurinha carimbada para fãs de beisebol. O Chicago Cubs liderava por 2 a 1 a World Series de 1945 contra o Detroit Tigers. No jogo 4, William Sianis (proprietário da Taverna Billy Goat) foi retirado do estádio do Cubs por reclamações a respeito do cheiro do bode o qual ele levou para a partida. Sianis teria então declarado: “O Cubs nunca mais vai ganhar”.

A partir de então, o Cubs perdeu aquela WS e ficou os próximos 71 anos sem jogar a final da MLB novamente. O próprio William Sianis tentou quebrar a maldição. Ele levou o bode a jogos: nas aberturas das temporada de 1984 e 1989 (em ambas o Cubs terminou vencendo sua divisão) e no wildcard de 1998, quando a equipe também saiu vitoriosa.

Em 2003, o time liderava a série da final da Liga Nacional por 3 a 2 e vencia parcialmente o jogo 6 por 3 a 2 apenas para ver o Miami Marlins virar a partida. O jogo ficou marcado pelo incidente com o fã Steve Bartman, o que rendeu um documentário 30 for 30 da ESPN. Na oitava entrada, com o placar em 3-0 para o Cubs, diversos torcedores tentaram pegar a bola rebatida no campo externo direito. Bartman tocou nela. A jogada, que seria a eliminação do segundo jogador da entrada, não se concretizou. O Cubs assistiu ao Marlins anotar corridas e virar o jogo.

A equipe só viria a vencer uma World Series em 2016, vencendo o também azarado (que está abaixo na lista) Cleveland Indians. Assim, a seca de 108 anos foi quebrada.

A capa da Sports Illustrated

A superstição indica que quem aparecer na capa da Sports Illustrated será azarada. Vamos direto aos fatos:

  • Ernie Matthews, que está na primeira capa de todas, quebrou sua mão;
  • A equipe de futebol americano universitário do Oklahoma Sooners foi considerada imbatível. Apenas para perder na partida seguinte à publicação da capa;
  • Jack Lambert, o linebacker apelidado de “homem de ferro”, lesionou o pé e perdeu a temporada;
  • O Cleveland Indians foi considerado o melhor time da MLB para a temporada 1987. Perdeu 101 partidas;
  • Mark Brunell (do Jacksonville Jaguars) e Kerry Collins (Carolina Panthers) apareceram na capa quando suas equipes estavam na final da AFC e da NFC de 1997, respectivamente. Ambas as equipes perderam;
  • Tim Tebow figurou na capa após a sequência de seis vitórias seguidas do Denver Broncos na temporada regular de 2011. Para então perder os próximos três jogos, um deles para o Bills (que estava 1-8). 

Dá pra ver que são muitos exemplos, certo? Eles não chegam nem perto do número real. É claro que existem diversas exceções, como as mais de cinquenta aparições de Michael Jordan ou a esperada vitória do Cubs na WS de 2016. Mas não são poucas as vítimas da Sports Illustrated. A capa do jogo Madden da NFL também já rendeu várias discussões pela internet.

Maldição de Bobby Layne (1958- )

Crédito de foto: Bowman Gum

O vitorioso — e polêmico — quarterback Bobby Layne liderou o Lions para três títulos da NFL para ser trocado no início da temporada de 1958. Na saída do vestiário, Layne, que tivera problemas com bebida e lesões nos anos recentes, declarou: “O Lions não irá vencer nos próximos 50 anos”. Desde então, o Lions chegou aos playoffs apenas 10 vezes e só venceu uma partida (na temporada de 1991).

No 50º ano da maldição, parecia que o Lions finalmente deixaria essa fase para trás. A equipe teve um recorde perfeito na pré-temporada, vencendo todas as quatro partidas. Então, na temporada regular, perdeu todos os jogos, emplacando pela única vez na história o 0-16. O Steelers, equipe para qual Layne foi trocado, venceu seis vezes o Super Bowl. O Lions ainda não chegou a jogar essa partida.

Apesar de tudo isso, a equipe da NFL que está há mais tempo sem títulos é o Arizona Cardinals. Time que também alega estar sob maldição. Em 1925, o Cardinals supostamente ficou com o título do Pottsville Maroons quando era pra essa equipe ser a campeã. Desde então, teve apenas um título, em 1947 — a equipe detém o recorde de maior seca de títulos em ligas profissionais de esportes. 

Maldição de Bella Guttmann (1962- )

No ano de 1962, o Benfica conquistou seu segundo título da Liga dos Campeões consecutivo. Esse foi o último até hoje. Na intertemporada, a equipe se recusou a pagar um aumento para o então técnico Bella Guttmann, o húngaro que guiou o Benfica à glória. Assim sendo, Guttmann deixou o clube. Não sem antes declarar: “Sem mi, nem daqui a cem anos o Benfica conquistará um torneio continental”.

No ano seguinte, o Benfica chegou à terceira final seguida, apenas para perder para o Milan de José Altafini. Nas temporadas de 64/65 e 67/68, mais dois vices, novamente para o Milan e depois para o Manchester United — na prorrogação. O Benfica ainda acrescentou à estatística duas finais de Liga Europa e mais três finais da Liga dos Campeões, em todas elas acabando derrotado. Foi um total de oito finais, seis delas perdidas com um gol de diferença ou menos. A seca dura 55 anos. Se Guttmann estiver certo, os torcedores portugueses ainda deverão esperar mais 45 anos…

Maldição do Bambino (1919 – 2004)

Em 1914, o Boston Red Sox contratou um jogador que viria a ser um dos maiores da história do beisebol, Babe Ruth. O sucesso veio logo de cara, como três títulos de World Series (1915, 1916 e 1918). Quando o manager Harry Frazee trocou o jogador com o New York Yankees, que viria a ser o maior rival do Red Sox, Babe Ruth teria ficado irritado e lançado uma praga na equipe.

Maldições do esporte
Ruth foi trocado para o Yankees, que viria a se tornar o maior rival do Red Sox Foto: x-ray delta one via Visualhunt / CC BY-NC-SA

O fato é que, após a saída do Bambino, o Yankees, que não detinha nenhuma WS, conquistou o título 26 vezes até 2004. O Red Sox não venceu nem uma. A maldição supostamente acabou no ano de 2004, quando a neta de Babe Ruth, Linda Ruth, falou ao treinador do Red Sox que seu avô havia perdoado a equipe.

Naquela temporada, a final da Liga Americana foi justo contra o Yankees. Quando a equipe de Nova York venceu as três primeiras partidas, parecia que mais uma vez a história se repetiria. Foi quando a virada mais improvável aconteceu naquele mês de outubro, relatada no documentário 30 for 30 da ESPN. O Red Sox virou a série para 4 a 3 e varreu a equipe do Cardinals na World Series. Foi encerrado um jejum de títulos de 86 anos.

Cleveland, em todas as Ligas principais (1964 – 2016)

A superstição envolvendo a cidade de Cleveland durou 52 anos e é bem simples: nenhuma das equipes nas Ligas principais dos esportes (Browns na NFL; Indians na MLB; Barons na NHL e Cavaliers na NBA) conseguia vencer. Até o Cleveland Cavaliers quebrar a sina de 147 temporadas (somadas) sem títulos na virada histórica de 1-3 em cima do Golden State Warriors, a última vez que a cidade comemorou no esporte foi com a vitória do Browns para cima do Colts no Championship Game de 1964, dois anos antes da existência do Super Bowl. O motivo dessa maldição não é muito claro, mais parece uma sequência de decisões duvidosas pelas comissões técnicas ou azar na hora de decidir.

Cleveland Browns

Começando pelo Browns. Após a conquista em 1964, foram sete finais de Conferência (AFC) e nenhuma vitória. Em 86, o Browns vencia por 20-13 entrando o quarto quarto. Então, John Elway liderou o Broncos para uma campanha de 98 jardas que ficou conhecida como The Drive. No ano seguinte, repetindo a final contra o Broncos, o Browns poderia virar a partida quando o The Fumble aconteceu na linha de duas jardas. Não são poucas as histórias do Browns que dão margem para a crença na maldição.

Um dos fatores que influencia a equipe é a falta de um bom QB. Desde 1999, o Browns jogou com 26 homens diferentes na posição. Não tem quem salve uma inconsistência dessas.

Cleveland Indians
O Chief Wahoo tem sido considerado um símbolo racista na cultura americana

O Indians tem duas maldições próprias, a do Chief Wahoo e a de Rocky Colavito. A primeira envolve a imagem e o nome Indians e do Chief Wahoo. A caricatura surgiu em 1947 e algumas décadas depois surgiram protestos a respeito de seu tom de pele e formato do rosto. Eles remeteriam a preconceito em relação aos indígenas. A segunda maldição está relacionada à troca do right fielder Rocky Colavito para o Detroit Tigers em 1960, algo que foi muito criticado na época. O fato é que o Indians foi para três World Series e perdeu todas.

Cleveland Cavaliers

O Cavaliers surgiu em 1970 e já nas primeiras 16 temporadas teve apenas três com recorde positivo. Já nos playoffs de 1989, o jogo 5 da primeira rodada ficou marcado pelo chute milagroso de Michael Jordan que deu a vitória aos Bulls no último segundo. Em 2007, quando LeBron James levou o time à sua primeira final na história. A equipe foi varrida pelo San Antonio Spurs. A partir daí, você já sabe: na The Decision, LeBron foi embora e teve suas jerseys queimadas; em 2014, anunciou que estava “voltando para casa”. No ano seguinte, o Cavs virou o 1-3 improvável para cima do Warriors de temporada recorde 73-9. Encerrando assim um ciclo de 52 amargos anos para o povo de Cleveland.

Não é apenas a cidade de Cleveland que sofre uma seca, a cidade de Buffalo tem sua própria série azarada. Assim como Philadelphia, que ficou um tempo com grande jejum de títulos nas ligas americanas.

Arte principal: Guido Moraes/Time de Fora

Deixe seu comentário: