Os jogadores da NBA merecem o salário que recebem em 2017?

Não faz muito tempo que publicamos aqui no Time de Fora uma análise sobre os times com as maiores folhas salariais da NBA. Na ocasião, comparamos a posição da equipe na classificação geral com a posição no ranking salarial da liga, e agora chegou a vez de falarmos dos jogadores. Quanto ganha um astro da NBA?

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Para darmos essa resposta, antes temos que falar do acordo de 2011 entre atletas e donos de franquias após a greve daquele ano. Os jogadores saíram vitoriosos e passaram a ter maior participação nos lucros da NBA, que cresce globalmente. Desde então, o teto salarial das equipes já cresceu de US$ 58,044 milhões em 2011 para US$ 94,143 milhões na temporada atual (+62%) e vai continuar aumentando. A previsão é que esse teto chegue aos US$ 144,933 milhões em 2026, ou seja, os atletas vão continuar ganhando cada vez mais se a NBA continuar crescendo como nos últimos anos.

Mas como isso ainda é só uma previsão, vamos falar do presente e de como estão os salários dos jogadores na temporada 2016-17. Será que todos os craques ganham muito bem?

Os mais bem pagos

Nessa parte da lista escolhemos os cinco maiores salários da NBA, mas como a segunda colocação tem seis atletas empatados, fomos democráticos e expandimos para os sete primeiros. Se eles chegaram a essa colocação, é porque merecem. Será?


1º LeBron James (U$30.963.450) – CLE

Foto: NBA.com

O maior salário da NBA é do maior jogador da liga, claro. Há quem conteste a posição de King James frente aos grandes da história, mas é inegável o seu impacto atual na NBA. O rapaz tem três títulos (2012, 2013, 2016), onde também foi MVP em todas as vezes, e desde a temporada 2005-06 sempre levou suas equipes (Cavaliers e Heat) aos playoffs. Seus números sempre são destaque, porém nesta temporada de mega-atuações quase toda semana, LeBron James não anda figurando entre os principais pontuadores (8º com 26.1 ppj), ao contrário do ano passado (5º com 25.3 ppj). Ainda assim, o contrato de três anos assinado com o Cleveland Cavaliers não somente garante que LeBron seja o mais bem pago da liga, mas reforça sua importância para a equipe, principalmente por sua presença em momentos decisivos e a pelas atuações absurdas em jogos de playoffs. Os Cavs buscam defender o título de campeão da NBA, mesmo com a forte competição que vem se desenhando na conferência leste, e para isso pagam muito bem o rei.

2º Mike Conley (U$26.540.100) – MEM

Foto: NBA.com

Mike Conley em segundo lugar? Sim! Com contrato assinado até a temporada 2020-21, o armador do Memphis Grizzlies é o mais bem pago da equipe e da sua posição na NBA junto com Westbrook. O motivo? Dentro das estatísticas ele não é nenhum grande destaque (20.1 ppj, 3.6 rpj, 6.3 apj), mas a fidelidade com os Grizzs tem muito peso: são nove anos na equipe, desde seu draft em 2007. Eliminar os Spurs em 2011 ajudou para a ideia de que Conley é subvalorizado na liga, mas sua equipe não pensa o mesmo. Depois de um último contrato magro (cinco anos, assinado em 2011, ganhando um total de U$40 milhões), o armador fez por merecer o salário atual.

2º DeMar DeRozan (U$26.540.100) – TOR

Foto: NBA.com

Com novo contrato de cinco anos, assinado depois da ótima temporada do ano passado, DeMar DeRozan passou a ser o ala-armador mais bem pago do Toronto Raptors e da NBA (junto com James Harden). Nos números, seu rendimento melhorou com a grana no bolso (27.1 ppj neste ano, 23.5 no ano passado), e com a equipe garantida nos playoffs desta temporada o investimento pareceu certo. A dupla de DeRozan nas atuações que levaram os Raptors a incomodarem os Cavaliers na final de conferência de 2016, Kyle Lowry ganha bem menos que o colega (U$ 12 milhões), mas ainda está em seu contrato antigo, de quatro anos assinado em 2014. Assim, o salário alto de DeMar DeRozan mostra como a equipe aposta nele para ser a grande estrela nos próximos anos (e pode ser o gatilho para Lowry pedir um aumento).

2º James Harden (U$26.540.100) – HOU

Foto: NBA.com

Se tem um cara que faz por merecer seu contrato, esse cara é James Harden. Atrás apenas de Russell Westbrook na média de pontos da temporada atual e com um double-double de média geral (29.4 ppj, 8 rpj e 11.3 apj), o Barba é o outro ala-armador mais bem pago da liga e vem há anos carregando os Rockets nas costas, pelo menos quando se fala do ataque. É claro que Harden possui defeitos na defesa, mas suas atuações incríveis na parte ofensiva compensam (desde que chegou nos Rockets, não tem uma temporada com média menor que 25.4 ppj) e levaram a equipe a renovar com Harden antes mesmo dele entrar na free agency. Seu contrato anterior, de cinco anos assinado em 2013, pagaria ao armador um total de U$ 78 milhões. Seu megacontrato atual vai até a temporada 2019-20, acumulando mais de U$117 milhões no total. E você pode ter certeza que ele fará valer cada dólar pago.

2º Russell Westbrook (U$26.540.100) – OKC

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Pensando bem, tem dois caras que merecem seu contrato milionário neste ano. Russell Westbrook vem fazendo uma temporada épica, com triple-double de média (31.3 ppj, 10.5 rpj e 10.4 apj) e sendo o maior pontuador da liga. A saída do parceiro Kevin Durant parece ter acordado a fera dentro de WestB, fazendo o ala-armador provar com todos os méritos que é sim digno de um contrato destes. Seu vínculo com o Oklahoma City Thunder foi renovado na temporada passada, antes mesmo dele entrar na free agency. Westbrook fecharia, neste ano, os cinco anos do contrato firmado com OKC em 2012, ganhando mais de U$78 milhões. Com a renovação ele abriu mão dos U$17.769.374 que levaria em 2017 para ganhar mais de U$85 milhões nos próximos três anos. Será que valeu a pena renovar com o cara?

2º Kevin Durant (U$26.540.100) – GSW

Foto: NBA.com

Quando entrou para a free agency, no fim da temporada passada, Kevin Durant virou a cobiça de muita gente. De olho no seu inédito título da NBA, ele escolheu o Golden State Warriors como sua nova casa, time que contava com espaço suficiente em seu teto salarial para abarcar o contrato gordo que Durant queria: nos cinco anos de seu contrato antigo, o ala ganhou um total de U$90 milhões, agora vai levar mais de U$54 milhões em apenas dois anos. Claro que o dinheiro se paga em atuações, com os Warriors dominando o tão disputado oeste de ponta a ponta até agora e com KD tendo ótimas médias até a sua lesão (25.3 ppj, 8.2 rpj e 4.8 apj). Mesmo ausente do resto da temporada regular, a confiança de que Durant vai realmente desequilibrar está nos jogos de playoffs.

2º Al Horford (U$26.540.100) – BOS

Foto: NBA.com

Assim como Kevin Durant, Al Horford conseguiu um contrato de peso ao entrar na free agency. Sua ida para o Boston Celtics após o fim da temporada passada rendeu o dobro de dólares ao pivô (único jogador de garrafão no topo da lista): ganhou U$60 milhões em cinco anos nos Hawks, ganhará mais de U$ 113 milhões em quatro anos nos Celtics. A situação é próxima com a de KD porque Boston tinha espaço no teto salarial, devido aos jogadores baratos contratados para a reconstrução da equipe, incluindo Isaiah Thomas. Seus números não parecem justificar o valor do seu salário (14.7 ppj, 6.9 rpj e 5.1 apj), mas sua presença no garrafão traz uma segurança defensiva e abre espaços ofensivamente para que o resto do time (principalmente Isaiah) possa jogar mais solto.

Outros destaques

Além dos mais bem pagos, resolvemos destacar outros cinco jogadores nessa lista que surpreendem pela posição que ocupam. Falamos dos craques que recebem de menos, daqueles jogadores duvidosos que recebem demais e de um caso curioso de um atleta brasileiro. Vale esclarecer que não incluímos nenhum atleta que está sob seu contrato de calouro, já que estes são menores pelas regras da NBA. Nesse caso entram os já craques Giannis Antetokounmpo, Devin Booker, Karl-Anthony Towns, Andrew Wiggins, CJ McCollum, entre outros.

82º Stephen Curry (US$ 12.112.359) – GSW

Foto: NBA.com

Atual bicampeão do prêmio de MVP, campeão em 2015, principal ícone do novo estilo de jogo da NBA. Não faltam formas de engrandecer Steph, exceto seu salário. Parece um absurdo o craque estar atrás de Kent Bazemore, Ian Mahinmi e John Henson mas isso tem explicação. O contrato de Curry foi assinado antes da temporada 2013/2014 quando ele ainda era “só” um bom jogador que sofria com contusões. Em 2015, a promessa virou realidade, mas ainda com salário de promessa. Seu contrato de US$ 44 milhões em quatro anos termina ao fim dessa temporada, o que significa que o Golden State vai ter que abrir seus cofres para manter Steph. Certamente o fará. Nada mais justo.

146º Isaiah Thomas (US$ 6.587.132) – BOS

Foto: NBA.com

Hoje o armador do Boston Celtics é uma das sensações da NBA, mas há dois anos tanto IT quanto os Celtics eram incógnitas. Sem espaço no Phoenix Suns, Thomas foi trocado em fevereiro de 2015 e desembarcou em Boston no meio da temporada. Chegou para compor elenco na reconstrução da equipe que prometia ser longa, mas o resultado veio logo na temporada 2015/2016 com a classificação para os playoffs. Na temporada 2016/2017 o baixinho de 1,75m continuou evoluindo e hoje é o terceiro maior cestinha da liga com 29,1 ppj. Seu contrato vigente é de US$ 28 milhões em quatro anos e foi assinado em 2014, o que explica o salário baixo (apenas o 5º da equipe). Hoje ele recebe menos que Channing Frye, Cole Aldrich e Austin Rivers, por exemplo. Ano que vem seu contrato ainda será um dos menores, mas ao que tudo indica, Isaiah Thomas terá um volumoso pagamento a partir do campeonato de 2018/2019.

21º Derrick Rose (US$ 21.323.252) – NYK

Foto: NBA.com

Derrick Rose impressionou quando apareceu na NBA e logo em seu terceiro ano conquistou o prêmio de MVP, mas infelizmente a sorte não acompanhou a carreira do armador. No ano seguinte, uma grave contusão o tirou da temporada e desde então não conseguiu mais sequência de jogo. Contusão atrás de contusão e os Bulls tentaram durante anos recuperar seu jovem astro, mas Rose não voltou a ser aquele. Ao fim da temporada passada, Chicago desistiu e trocou o atleta com os Knicks em seu último ano de contrato. Os nova-iorquinos apostaram alto e aceitaram o pomposo salário de Rose – maior que o de Kawhy Leonard, Kyrie Irving e Marc Gasol, por exemplo. Devem ter pensado: “se não der certo, foi só por um ano”. De fato não deu e ano que vem o armador deve buscar novos ares, mas com bem menos dinheiro a receber.

237º Anderson Varejão* (US$ 3.535.664) – GSW e POR

Foto: NBA.com

Anderson Varejão foi dispensado pelo Golden State Warriors no início de fevereiro e está sem clube desde então, mas isso não impede que o pivô receba mais que Paul Pierce e Nenê, por exemplo. Além disso, o pivô tem aproximadamente US$ 8 milhões para receber nos próximos quatro anos. O mais curioso é que US$ 9,5 milhões desse montante será pago pelo Portland Trail Blazers, clube pelo qual Andy nunca atuou. Foi uma manobra financeira que o Cleveland Cavaliers utilizou em fevereiro de 2016 para aliviar sua folha de pagamento. Trocou Varejão com o Portland, que herdou o contrato vigente de US$ 20 milhões em dois anos e logo o dispensou. Parcelou a conta e continuará pagando até 2021. Com isso, Varejão assinou um novo contrato com o Golden State (US$ 1,5 milhão, o mínimo para veteranos), somou os dois salários em seus vencimentos e agora recebe de dois times mesmo sem jogar. O brasileiro certamente está triste por não jogar, mas a grana deve aliviar um pouco.

*O salário que Anderson Varejão recebe do Portland Trail Blazers (US$ 1,95 milhões) não entra no teto salarial da equipe.

49º Timofey Mozgov (US$ 16.000.000) – LAL

Foto: NBA.com

Todos os nossos destaques têm uma justificativa plausível, mas nesse caso não tem, foi burrice dos Lakers mesmo. O russo está longe de ser um pivô tão ruim como muitos pensam, tem carreira internacional sólida, mas na NBA nunca provou seu valor. Um ano de Knicks (onde levou aquela enterrada monstruosa de Blake Griffin), quatro anos de Nuggets e acabou como titular nos Cavaliers a pedido do ex-técnico David Blatt. Perdeu espaço e quase não jogou nem no vice de 2015, nem no título de 2016. Mozgov virou free agent, mas os Lakers vieram com uma oferta irrecusável: US$ 64 milhões em quatro anos. Foi algo espantoso por tudo que Mozgov não apresentou em solo americano e impressiona ainda mais pelo que ganhava antes: US$ 4,9 milhões por ano. Saiu em baixa, mas quase quadruplicou seu salário, vai entender. Poderíamos falar ainda de Luol Deng, contratado junto com Mozgov pelos Lakers por US$ 72 milhões em quatro anos, mas pelo menos o ala já foi all star. Hoje os dois atletas estão afastados do grupo, um caso que explica muito da bagunça que anda a franquia.

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