As maiores e mais surpreendentes trocas da NFL nos anos 2000

O início da free agency é a primeira data oficial do calendário da NFL que deixa os torcedores ansiosos e curiosos sobre as movimentações do seu time. Já tivemos wide receivers de peso trocando de equipe, como Alshon Jeffery, DeSean Jackson e Brandon Marshall. Considerado o melhor defensive end dessa intertemporada, Calais Campbell já fechou com o Jacksonville Jaguars. Mas a maior surpresa de 2017 até o momento é a contratação de Brock Osweiler pelo Cleveland Browns, adquirindo o jogador apenas para tê-lo como moeda de troca, já que não pretendem utilizá-lo. Não é todo ano que NFL e torcedores são surpreendidos por trocas na free agency, então decidimos juntar as melhores, maiores ou mais malucas trocas dos últimos tempos.

Eli Manning (QB) e Philip Rivers (QB) – 2004

Crédito: New York Post

Uma das maiores trocas da história recente da NFL e que ainda reverbera em 2017, já que os dois quarterbacks ainda são titulares de seus times. Em 2004 o San Diego Chargers tinha a primeira escolha do draft e escolheu Eli Manning, de Ole Miss. Manning era o melhor prospecto daquele ano na posição, mas ele não aceitou jogar pelos Chargers. Então San Diego trocou Eli Manning e mais as escolhas de primeira, terceira e quinta rodadas por Philip Rivers, que foi draftado na quarta posição geral pelo Giants. Na história da NFL é difícil comparar outra troca que tenha influenciado tanto dois times como essa. Com Eli Manning no comando, o Giants venceu dois Super Bowls, um deles batendo o invicto New England Patriots de Tom Brady. E o Chargers, além do seu franchise quarterback, draftou naquele ano o linebacker Shawne Merriman e o kicker Nate Kaeding, ambos jogadores de Pro Bowl.

Champ Bailey (CB) e Clinton Portis (RB) – 2004


Discutivelmente a troca mais justa desde os anos 2000, também pode ser considerada a maior troca “player-for-player”, na qual os times fazem uma troca simples de um jogador por outro. O Redskins enviou um dos melhores
cornerbacks da liga na época (mais uma escolha de segunda rodada) para o Broncos e recebeu um dos melhores running backs da liga. Champ Bailey tinha 18 interceptações em cinco temporadas no Redskins e Clinton Portis vinha de duas temporadas seguidas com mais de 1.500 jardas terrestres no Broncos. E os dois times saíram ganhando. Bailey fez sua carreira e seu nome no Broncos e é, atualmente, o quarto jogador com mais interceptações na história do time (34 INTs). Já Portis se tornou o segundo maior corredor do Washington Redskins, com 6.824 jardas.

Brett Favre (QB) – 2008

Depois de 16 temporadas em Green Bay e já reconhecido como um dos grandes quarterbacks da NFL, Favre desistiu da aposentadoria e foi enviado para o New York Jets por uma escolha condicional, que acabou sendo uma escolha de terceira rodada. Foi uma das maiores, senão a maior, troca envolvendo o Jets na história do time. Mas a troca não deu muito resultado. Depois de um bom começo, Favre foi perdendo força e acabou a temporada com o mesmo número de touchdowns e interceptações (22). Depois de um ano foi liberado pelo Jets e assinou com o Minnesota Vikings, onde jogou por duas temporadas até se aposentar. Em 2009, Green Bay enviou três escolhas no draft para o New England Patriots (uma delas a escolha de terceira rodada recebida na troca de Favre) e draftou o linebacker Clay Matthews.

Jay Cutler (QB) – 2009

O então jovem e promissor quarterback de 25 anos Jay Cutler foi enviado para o Chicago Bears em troca do QB Kyle Orton e mais a primeira escolha do Bears em 2009 e a primeira escolha de 2010. A relação entre Cutler e o Broncos ficou fragilizada com a demissão do head coach Mike Shanahan e da contratação de Josh McDaniels. O novo técnico tinha a intenção de reformular o ataque de Denver e falou na mídia que tinha interesse em contratar Matt Cassel, com quem havia trabalhado no Patriots, o que deixou Jay Cutler descontente. Após duas temporadas na equipe e com um recorde 11-5, Cutler levou o time até a final da NFC, onde perderam para o Packers. Cutler é o recordista em jardas passadas na história do time, com 2.020 passes completados para 23.443 jardas.

Tony Gonzalez (TE) – 2009

Depois de 12 temporadas jogando no Kansas City Chiefs, Tony Gonzalez foi mandado para o Atlanta Falcons pelo pick de segundo round de 2010. Um dos jogadores mais queridos pela torcida do Chiefs, Gonzalez também foi um dos primeiros tight ends com o estilo recebedor, que vemos hoje em Rob Gronkowski, Jimmy Graham e Greg Olsen. Foi a 14 Pro Bowls no total, 10 pelo Chiefs  e quatro pelo Falcons. É o segundo jogador com mais recepções na carreira, com 1.325 (atrás somente de Jerry Rice) e o quinto em jardas recebidas com 15.127.

Trent Richardson (RB) – 2013

Depois de duas semanas passadas da temporada regular de 2013 o Cleveland Browns chocou a NFL ao anunciar a troca de Trent Richardson, sua primeira escolha de 2012, pela primeiro pick do Indianapolis Colts de 2014. Richardson foi considerado o melhor jogador do seu draft e no seu ano de calouro correu para 950 jardas e 11 touchdowns. O Colts estava procurando um substituto para Vick Ballard, que havia se machucado na primeira semana, enquanto que a administração do Browns não estava muito contente com Richardson. Uma troca no qual o Colts parecia ser o óbvio vencedor acabou se tornando uma boa jogada para Cleveland. Richardson se tornou uma das maiores decepções dos últimos anos. Perdeu a titularidade em Indianapolis ainda em 2013 e terminou a temporada com uma média de 2,9 jardas por carregada. Em 2014 a situação foi semelhante, com apenas três touchdowns marcados, 458 jardas terrestres e uma média de 3,3 jardas por tentativa. Richardson foi dispensado no final da temporada. Foi contratado por Oakland Raiders e Baltimore Ravens, mas foi dispensado das duas equipes e não chegou a jogar uma partida. E adivinhe quem o Browns draftou com a escolha que recebeu do Colts em 2014? Johnny Manziel.

Darrelle Revis (CB) – 2013

O New York Jets recusou as demandas para um novo contrato e trocou Revis com o Tampa Bay Buccaneers pela sua escolha de primeira rodada em 2014 (o escolhido foi o defensive tackle Sheldon Richardson) e uma escolha de quarto round em 2015. Revis era um dos melhores cornerbacks da liga na época, mas vinha de uma cirurgia no ligamento cruzado anterior. O contrato de Revis com o Bucs era de 96 milhões de dólares por seis anos, fazendo dele o defensive back mais bem pago da história da NFL. Revis ficou apenas um ano em Tampa. Em 2014 assinou com o New England Patriots e foi campeão do Super Bowl 49, antes de voltar para o Jets em 2015.

Nick Foles (QB) e Sam Bradford (QB) – 2015

Eagles e Rams decidiram trocar seus quarterbacks que sempre enfrentaram problemas com lesões. A equipe de Philadelphia mandou Nick Foles mais escolhas de segundo e quarto rounds enquanto que o Rams enviou Sam Bradford e uma escolha de quinto round. Foles havia perdido metade da temporada de 2014 por ter quebrado a clavícula enquanto que Bradford ficou fora por toda a temporada de 2014 por ter rompido o ligamento cruzado anterior. Nick lançou para 7 touchdowns e 10 interceptações em 11 partidas e foi dispensado em julho de 2016 pelos Rams. Sam jogou 14 partidas, lançou para 19 TDs e 14 interceptações e foi trocado em 2016 para o Vikings, pela escolha de primeira rodada em 2017 e a quarta escolha de 2018. Se a troca teve um vencedor? Difícil dizer. O Rams draftou o quarterback Jared Goff com a escolha que tinha trocado com o Eagles e o time da Filadélfia tem mais uma escolha de primeira rodada no próximo draft.

LeSean McCoy (RB) – 2015

Chip Kelly surpreendeu a NFL ao trocar o recordista em jardas terrestres de 2013 com o Buffalo Bills pelo linebacker Kiko Alonso. Alonso perdeu 6 jogos da temporada por lesão e o substituto de McCoy no backfield do Eagles, DeMarco Murray, teve a pior temporada na sua carreira, com 3,6 jardas por tentativa. Enquanto jogou no Dallas Cowboys, o running back não teve uma média menor do que 4,1 jardas por carregada. Chip Kelly havia ganhado o direito de tomar as decisões de troca de elenco depois da temporada de 2014, quando o então General Manager Howie Roseman mudou para um cargo administrativo.  Foi o começo das trocas imprevisíveis de Kelly, que queria montar o time da sua maneira. Isso resultou na sua saída do Philadelphia Eagles no fim da temporada de 2015.

Crédito de capa: Christopher Hanewinckel/USA TODAY Sports

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