A Liga dos Campeões Feminina é bem estruturada, mas (ainda) falta reconhecimento

A Liga dos Campões da Europa é o torneio de times de futebol mais prestigiado do mundo. Quem vence ganha a moral de melhor equipe do continente com melhor futebol. Ela existe desde 1955, já sendo uma competição consolidada e tradicional. A Liga dos Campeões Feminina existe há muito menos tempo, desde a temporada de 2001/2002. Porém, segue o mesmo prestígio da masculina: é o sonho de todas as jogadoras serem campeãs da Europa.

Um dos diferenciais das duas competições é que, no feminino, esse é o único torneio entre times da Europa. A Liga dos Campeões Feminina segue também um formato e regulamento similar à masculina, com pequenas alterações que ocorrem de um ano para o outro.

Leia mais: O Kindermann está de volta ao futebol feminino

Antes de ser a Liga dos Campeões Feminina (UEFA Women’s Champions League), a competição se chamou Copa Feminina da UEFA (UEFA Women’s Cup). A alteração aconteceu na temporada de 2009/2010. Junto com o nome, o formato se alterou, ficando próximo ao masculino. Uma das mudanças mais significativas foi o número de participantes. Na primeira edição, foram apenas 33 equipes. Nessa última temporada 16/17, o número chegou a 59 times.

O formato da Liga dos Campeões Feminina

Como já mencionei aqui, esse ano foram 59 equipes em busca do título. Dessas, 23 não precisaram competir a fase de grupos por seu quociente de futebol (que será explicado mais a frente). Os outros 36 times formam nove grupos de quatro que se enfrentam entre si, sem jogo de volta. O campeão de cada grupo passa para a segunda fase, que é eliminatória.

formato da liga dos campeoes feminina
Formato da Liga dos Campeões Feminina / Arte: Gabriela De Toni

O regulamento de participação

Um país pode ter no máximo três representantes jogando. Esses seriam o atual vencedor do torneio, o campeão do campeonato “doméstico” de seu país e seu vice. Cada nação é classificada através de um ranking que mede o quociente de “nível” de futebol. Isso leva a um país como a Alemanha, que tem tradição no futebol feminino, a ter seus dois representantes direto na segunda fase da competição — se o país tiver o atual vencedor do título, então, terá três equipes na Liga dos Campeões Feminina.

Por outro lado, a Polônia, por exemplo, que não tem “história” na modalidade tem apenas o time campeão de seu torneio classificado para a primeira fase da competição, a de grupos. O quociente que ranqueia os países leva em conta o desempenho da equipe na Liga dos Campeões Feminina do ano anterior: quanto mais longe se chega, mais pontos você tem no seu nivelamento. Também é considerado o número de pontos que o clube atinge em seu campeonato doméstico e a quantidade de equipes que participam dele.

Países como Alemanha, França, Suécia, Inglaterra, Espanha e outros, por exemplo, têm seus dois representantes diretamente na segunda fase pelo alto quociente. Já equipes de Portugal, Holanda, Suíça ou Grécia devem se contentar com seu representante na fase de grupos.

Veja abaixo a lista de participantes da Liga dos Campeões Feminina dessa temporada:

Lista de times Liga dos Campeões Feminina
Lista de times Liga dos Campeões Feminina. Imagem retirada do site oficial

Sem tanto prestígio no masculino, mas com história no feminino

O país mais campeão da Europa no futebol feminino é a Alemanha. São nove títulos divididos por quatro equipes. E olha que nem estamos contanto os outros cinco vice-campeonatos. Desde a final de 2006/2007, uma equipe alemã não ficava fora da disputa pelo título. Isso aconteceu novamente em 2016/2017, com a final francesa entre PSG e Lyon.

A França, como já foi sinalizado na frase anterior, é o segundo país com mais títulos, sendo três. Suécia e Inglaterra são as nações que também têm campeões.

Como se pode ver, equipes que não tem muita tradição na modalidade masculina se destacam na feminina. O Wolfsburg, por exemplo, já conquistou quatro títulos da Liga dos Campeões Feminina e sete do Campeonato Alemão. Enquanto isso, a equipe dos homens tem uma Copa da UEFA e um Campeonato Alemão. A equipe feminina do Umeå é bicampeã da Liga dos Campeões da UEFA. Em comparação, o time masculino está na terceira divisão da Liga Sueca.

Premiação e público ainda não reconhecem a modalidade

Mesmo que os times apresentem um bom futebol, o público ainda precisa aumentar. As equipes finalistas da edição 2016-2017 tem médias boas de 7279 (Lyon) e 6701 (PSG) pessoas, por exemplo. Porém, adicionando todos os times e todas as partidas, a média cai para 3.356 pessoas. Parece pouco, mas, se for feita uma breve comparação com campeonatos do futebol masculino brasileiro, elas ainda ganham.

A Liga dos Campeões Feminina tem maior média de público que alguns campeonatos estaduais no Brasil em 2017. E não são aqueles estaduais que tem equipes fora do cenário nacional. Carioca, Catarinense e Paranaense entram nessa lista que está abaixo e os três estados têm juntos oito times da Série A. O fator cultural na Europa ajuda nesses dados. O argumento de quem diz que futebol feminino não rende público acaba caindo por terra quando comparamos com outras partes do mundo.

Assim como o público precisa melhorar, a premiação e o incentivo às jogadoras deve aumentar. Para fator de comparação, a premiação da equipe vencedora da Liga dos Campeões Feminina ganha €250 mil. A finalista leva para casa 200 mil euros e as semi finalistas apenas 50 mil euros. A cada passagem de fase, a equipe embolsa 20 mil euros.

A edição masculina dá a quem se classifica na primeira rodada €220 mil, quase o que a campeã no feminino leva. A estrutura de salários já muito diferente e isso acaba se estendendo nas premiações. O campeão masculino recebe 15,5 milhões e o vice €11 milhões. É pouco reconhecimento para quem já recebe muito menos que os homens.

A Liga dos Campeões Feminina já entrou no patamar de competições mais importantes do futebol feminino. Porém, acaba esbarrando em velhos problemas na modalidade. A largada foi dada há muito tempo, basta um empurrãozinho para reconhecer o que tem qualidade, história e não tanto respeito por olhos de fora.

Crédito da foto principal: Mitch Gunn

Deixe seu comentário: