A Conferência Leste é fraca e não é por causa de LeBron James

LeBron James é o maior jogador em atividade da NBA há, pelo menos, umas seis temporadas e está entre os melhores há uns 10 anos. Desde que assumiu o trono de Kobe, The King prova a cada campeonato que é dominante na liga. Amadureceu ao ponto de se poupar durante a temporada regular e deixar para mostrar serviço nos playoffs. Seus quatro troféus de MVP poderiam ser oito se quisesse, mas ele prefere brigar por títulos.

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O camisa 23 está prestes a ir para sua sétima final de NBA seguida. Ele domina sua conferência como só Bill Russell fez na história. O feito é impressionante, mas quem acompanha a NBA sabe que o Heat e o Cavaliers não tiveram adversários à altura. Muitos dizem que é o próprio LeBron quem faz a conferência ficar fácil, mas será que isso é verdade?!

Desde 2007, 69% dos times ideais da NBA são de atletas do Oeste

Para responder a essa pergunta, fomos atrás de informações. Avaliamos os destaques individuais das últimas onze temporadas da NBA, tempo do domínio de LeBron na liga e chegamos à conclusão de que os mesmos números que mostram sua superioridade mostram que o Leste é uma conferência muito mais carente de craques que a Oeste.

O primeiro parâmetro analisado foi o dos times ideais da NBA de 2007 até a temporada atual com o anúncio recém feito pela liga. Ao fim de cada campeonato, os especialistas escolhem o 1º, 2º e 3º times ideais da NBA com dois armadores, dois alas e um pivô cada. LeBron foi selecionado dez vezes consecutivas para o primeiro time, um recorde. Ao todo, essa foi sua 11ª seleção para o quinteto ideal da temporada, igualando Kobe Bryant e Karl Malone com o maior número de vezes. Agora ele tem mais alguns anos para se isolar, ampliar a vantagem e ser o recordista em mais um dado da NBA. Um feito fenomenal.

O anúncio dos times de 2017 traz esperanças para que o Leste volte a ser equilibrado em breve. Isaiah Thomas e o grego Giannis Antetokounmpo estão no 2º time. Demar DeRozan, John Wall e Jimmy Butler na 3º equipe – todos foram selecionados pela primeira vez em suas carreiras. O Leste não tinha tantos escolhidos (6/15) desde a temporada 2011-12.

Não sabemos ainda se LeBron vai às finais mais uma vez, mas mesmo assim não tem como negar que seu caminho é mais fácil. Desde a temporada 2010-11, o quinteto ideal da NBA é formado por 68,5% de jogadores do Oeste. Das 35 vagas nesse tempo, 24 foram para o lado do Pacífico e 11 para o do Atlântico. Dessas, sete foram de LeBron, uma de Wade (companheiro de time), uma de Howard, uma de Rose e uma de Noah.

 

O infográfico mostra o tamanho da relevância de Dwight Howard e Dwyane Wade no fim dos anos 2000. Desde então, os atletas do Oeste – que já eram maioria nas equipes ideais – aumentaram ainda mais sua presença quando LeBron se juntou a Wade e Chris Bosh em Miami. E, desde que voltou a Cleveland há três anos, o craque é o único representante do Leste no quinteto ideal.

60% dos candidatos à MVP vêm do Oeste e LeBron representa outros 20%

Outro parâmetro é a briga pelo prêmio de MVP (Most Valuable Player ou “jogador mais valioso”). Analisamos os cinco melhores jogadores de cada temporada entre 2007 e 2016, tempo em que LeBron venceu seus quatro troféus. Os prêmios são importantes, mas vale destacar também a quantidade de vezes que um determinado atleta aparece na lista. Derrick Rose, por exemplo, foi MVP em 2011 na sua única aparição devido às várias contusões.

Nesse ponto, vale destacar que das 50 vagas dessa pesquisa, 30 são de atletas do Oeste. Não parece muito, mas dos 20 representantes do Leste, dez são de LeBron James e outras 10 de outros atletas.

Wade aparece duas vezes, ambas antes de se juntar à LeBron e Bosh na temporada 2010-2011. Howard aparece três vezes, mas duas delas também foram antes de 2011. O já citado Rose venceu em 2011. Depois disso, só Carmelo Anthony em 2013 e Joaquim Noah em 2014 estiveram entre os 5 melhores da temporada jogando no Leste – com exceção de LeBron, é claro.

Os superastros da NBA não surgem na Conferência Leste

Vale destacar a diferença entre fraqueza e desequilíbrio. A ida de Durant para os Warriors, por exemplo, deixou o Oeste desequilibrado, mas não fraco. O Leste sim, é fraco. LeBron não tem culpa disso, mas sua situação é mais tranquila que a dos outros superastros da NBA.

LeBron James não tem a concorrência de uma grande estrela em sua conferência desde Dwyane Wade em 2010. Quando Wade virou seu companheiro de time no Heat, os trintões dos Celtics já não rendiam mais.  Podemos citar Dwight Howard, que dominou a posição de pivô com 5 aparições no primeiro time, mas com características defensivas e sem poder de decisão no outro lado da quadra. Além disso, D12 foi para os Lakers em 2012.

Desde que o ala levou seus talentos para South Beach e juntou-se ao Miami Heat, seus grandes rivais na Conferência Leste foram Derrick Rose e Paul George. O primeiro foi MVP de forma meteórica, o segundo em uma ascensão mais lenta evoluindo ano a ano. Ambos prejudicados por graves lesões. George é astro, mas ainda luta para alcançar o patamar de super. Rose nunca mais foi o mesmo.

Apareceram também John Wall e Beal no Wizards, DeRozan e Lowry no Raptors. Jimmy Butler faz um bom trabalho no conturbado Chicago. Carmelo foi aos Knicks, mas não tem a mesma sede dos tempos de Nuggets. Todos All Star, nenhum superastro. Isaiah Thomas é o próximo a tentar fazer sombra para LeBron, mas será que consegue?! Outras estrelas da conferência poderiam ser Kyrie Irving e Kevin Love, mas ambos jogam com o próprio LeBron.

Enquanto isso, desde 2010 o Oeste viu Kobe render bem até 2013. Chris Paul no auge até 2015 e ainda com relevância. Surgiram Durant, Westbrook, Harden, Curry. Agora tem Kawhi e Anthony Davis, que só precisa de companhia para estar nas corridas pelo MVP.

LeBron James é uma lenda em atividade no basquete e não tem como negar isso. O craque é um dos maiores da história. Porém, os mesmos dados que mostram sua superioridade, mostram que seu caminho até as finais é bem mais fácil que o das outras superestrelas da NBA.

Foto Destaque: Keith Allison/Wikimedia – CC

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