De Kaepernick a Trump, veja a linha do tempo dos protestos na NFL

A questão racial sempre foi um problema nos Estados Unidos. Recentemente, protestos na NFL e por todo o País alimentaram o debate e colocaram o tema em evidência nas manchetes de jornal. Mas como e quando isso começou a explodir? Vamos recapitular os momentos-chaves desse debate no infográfico e nos tópicos abaixo:

De Colin Kaepernick a Trum, veja alguns personagens do debate racial na NFL

 

26 de agosto de 2016 – a primeira ajoelhada e o primeiro protesto na NFL

No terceiro jogo da pré-temporada da NFL de 2016, Colin Kaepernick ficou sentado durante a execução do hino nacional americano. Kaepernick já havia feito o mesmo nos dois jogos anteriores, mas passou despercebido. Depois do jogo, explicou que tomou a decisão por sentir que precisava defender as pessoas oprimidas e sem voz na sociedade:

“Eu não vou ficar de pé e mostrar orgulho em uma bandeira de um país que oprime a população negra. Isso é maior do que futebol americano. Há corpos nas ruas e pessoas sendo pagas e saindo impunes com assassinatos” – disse o jogador.

Nas semanas seguintes, Kaepernick foi criticado por muitos jogadores e jornalistas. Ben Roethlisberger (Steelers) e Drew Brees (Saints), por exemplo, foram a público dizer que protestar durante o hino não era a melhor maneira de dar voz aos oprimidos.

Ao mesmo tempo, Kaep ganhou apoio de outros jogadores nos protestos na NFL. Jeremy Lane (Seahawks), Marcus Peters (Chiefs), Megan Rapinoe (futebol feminino) e Martellus Bennett (Patriots) também mostraram aprovação às ações do então QB reserva dos 49ers.

Leia mais: A NFL não dá a mínima para a violência contra a mulher

20 de setembro de 2016 – morte e revolta nas ruas

Na tarde de terça-feira, a polícia de Charlotte, na Carolina do Norte, confundiu Keith Lamont Scott, de 43 anos, com um suspeito de um crime na região, e matou a tiros o homem, negro, que esperava dentro do carro seu filho voltar de ônibus. O episódio, gravado pela mulher de Scott, se espalhou pelas redes sociais e criou um clima de revolta na cidade. As noites seguintes foram de confronto entre polícia e população, e o caso ganhou notoriedade nacional.

3 de março de 2017 – a situação de Kaepernick na NFL

Kaepernick opta por sair do 49ers e testar o mercado da free agency em busca de novas propostas de outras franquias. Menos de uma semana depois, o time assinou com Brian Hoyer.

E essa saída de Kaepernick foi um momento chave nessa discussão toda. Desde então, o jogador que impressionou em 2013 e chegou ao Superbowl XLVII com o time de San Francisco não foi contratado por ninguém. Muitos alegam que assinar com ele pode ser um risco, mas é impossível dizer que estar envolvido nessa polêmica e ter uma participação ativa em questões sociais extra-campo não influenciou na não contratação de Colin Kaepernick.  Veja a incrível lista de quarterbacks que assinaram com franquias da NFL enquanto Colin continua sem time:

*Dados coletados do site The Undefeated.

Ao todo, foram 39 QBs escolhidos a frente de Kaepernick. Vários, é claro, já foram cortados.

26 de agosto de 2017 – Michael Bennett x Polícia de Las Vegas

Após assistir a luta entre Floyd Mayweather e Connor McGregor, o defensor do Seahawks Michael Bennett foi detido pela polícia de Las Vegas após uma confusão em um cassino. A polícia procurava por um suspeito de um tiroteio (que não aconteceu), e Bennett, assim como várias outras pessoas, saiu correndo do cassino e foi detido por estar na hora errada no lugar errado — e ser negro.

O jogador publicou uma carta relatando o caso, incluindo que a polícia usou força excessiva e que se sentiu desamparado no momento. A polícia de Las Vegas liberou publicamente os vídeos do episódio, e respondeu que os policiais agiram corretamente e de acordo com a lei.

22 a 26 de setembro de 2017 – A recusa de Curry e o revide de Trump

A penúltima semana do último mês de setembro reacendeu o debate racial não somente na NFL, mas também nas outras ligas americanas. No dia 22 de setembro, em entrevista coletiva, o campeão da NBA Stephen Curry disse que se o time do Golden State Warriors tivesse que votar entre visitar ou não a casa branca, ele votaria “não” por causa de Donald Trump. Vale mencionar aqui que é um costume os times campeões das maiores ligas americanas visitarem a Casa Branca e presentearem o presidente dos Estados Unidos.

Em agosto, Kevin Durant havia dito que não respeita o atual presidente, e também não teria planos de ir ao encontro do presidente. Contrariado, Trump resolveu retirar o convite ao time inteiro do Golden State, que não foi a Washington D.C. Também pelo Twitter, Lebron James mostrou apoio aos jogadores campeões. Veja a sequência de mensagens:

No mesmo dia, Trump falou sobre os protestos na NFL. O presidente incitou que os donos dos times demitissem esses atletas de seus elencos:

“Não seria ótimo se ( quando alguém desrespeita a nossa bandeira ) um desses donos da NFL dissesse:  Tire esse filha da p* do campo agora. Ele está demitido. Fora! Algum dono vai fazer isso. Eles não sabem ainda, mas esse dono vai ser a pessoa mais popular nos Estados Unidos”

No domingo seguinte, a repercussão não foi muito bem a que Trump esperava. Dezenas de jogadores de praticamente todos os times mostraram apoio aos demais atletas, repudiaram os comentários do presidente e colocaram ainda mais lenha na fogueira da discussão racial.

Leia mais: Como é torcer para um time há 17 anos fora dos playoffs?

Foco no problema e projeção para o futuro

O que os jogadores alegam é que a conversa está desvirtuada. Em vez de os Estados Unidos darem mais atenção para a mensagem da manifestação dos jogadores (brutalidade policial, racismo, opressão das minorias), apenas se discute se ajoelhar/sentar/dar os braços/ficar no vestiário é a forma certa de se protestar.

Que o tema está mais em evidência do que nunca, é inegável. Falta abraçá-lo.

Crédito de capa: Photo credit: meckert75 via Visual Hunt

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