Quais são os times da China que gastaram milhões na última janela?

O futebol chinês levou Jadson, Ralf, Gil e Renato Augusto do Corinthians, atual campeão brasileiro, Geuvânio do Santos, finalista da Copa do Brasil, Luís Fabiano do São Paulo, Biro Biro da Ponte Preta (na verdade do Fluminense, mas se destacou pela Ponte), além de Diego Maurício do Bragantino e Rudnei do Avaí. Da Europa, levaram Ramires, Jackson Martínez e Lavezzi. Os clubes da China vieram com bastante capital – e um presidente obcecado por futebol que incentiva os empresários a gastar dinheiro, bastante dinheiro, para melhorar o esporte no país – para levar bons jogadores, mas para quais times eles foram? Ramires, por exemplo, deixou de disputar a Liga dos Campeões da UEFA para jogar em quais campeonatos? Deixou de dividir o campo com Hazard e Willian para ser companheiro de quem?

Super League

É a primeira divisão da China, conta com 16 equipes e está na 12ª edição. Os clubes podem ter cinco jogadores estrangeiros no elenco, sendo que uma dessas vagas é específica para atletas de outros países integrantes da AFC – o que abre espaço para algumas artimanhas como o volante Jucilei, ex-Corinthians, ocupar uma dessas vagas por ter nacionalidade Palestina, obtida quando ainda atuava no Al Jazira para livrar espaço para outro atleta. Dos cinco estrangeiros, só quatro podem estar em campo ao mesmo tempo.

Beijing Guoan

Renato Augusto no futebol chinês

Controlado pelo CITIC Group, um dos maiores bancos da China e que teve vários de seus diretores presos em 2015, o clube que assinou com Ralf e Renato Augusto (acima) gastou 66,5 milhões de reais em contratações na última janela de transferências enquanto arrecadou 26,4 milhões de reais vendendo jogadores. O volume de dinheiro é tanto que os brasileiros que deixaram o Corinthians devem receber cada um 2,2 milhões de reais mensais livres de impostosmais do que Neymar ganha no Barcelona, após a redução. Para contratar o volante Ralf o clube pagou 3,9 milhões de reais. Outro brasileiro que desembarcou na capital chinesa foi o atacante Kleber, formado nas categorias de base do Atlético Mineiro e que estava no Porto antes do Beijing Guoan pagar 17 milhões de reais para tê-lo no elenco. Além dos brasileiros, o clube gastou 31 milhões para tirar o turco Burak Yilman do Galatasaray. Entre os que deixaram o Guoan está Zhizhao Chen, que esteve no Corinthians em 2012 e 2013 e se transferiu para o Guangzhou R&F por absurdos 10 milhões de reaisApesar de aparecer recentemente para o público brasileiro o Guoan já contratou outros jogadores do nosso país, como o atacante Sandro Sotilli – figura quase folclórica do futebol gaúcho, onde atuou em 15 clubes – que atuou na equipe chinesa em 2000. O atual técnico da equipe é o italiano Alberto Zaccheroni, campeão italiano pelo Milan em 1999. Com seis títulos em competições nacionais, o Beijing Guoan só venceu a Super League uma vez, em 2009.

Guangzhou Evergrande

Jackson Martinez no futebol chinês

A maior contratação da janela de transferências do começo de 2016 foi a de Jackson Martinez (na foto acima) pelo Guangzhou Evergrande, o principal clube chinês. O atacante deixou o Atlético de Madri para defender as cores do atual pentacampeão chinês (venceu todos os nacionais desde 2011) e atual campeão da Liga dos Campeões da AFC – ficou em quarto no mundial, onde perdeu para o Barcelona por 3×0 na semifinal – e ganhar um salário estimado em quase R$ 4 milhões mensais. Antes do colombiano, outros se juntaram ao Evergrande: Paulinho, vindo do Tottenham no meio de 2015, Ricardo Goulart, que deixou o Cruzeiro em janeiro do mesmo ano, Alan, ex-fluminense, e também uma boa quantidade de jogadores da seleção chinesa. Atualmente treinado pelo campeão mundial pela seleção brasileira Felipão, o clube já teve no comando os italianos Marcelo Lippi – também campeão mundial, com a Itália – e Fabio Cannavaro, capitão da Itália campeã com Lippi. Antes das grandes contratações e técnicos com títulos mundiais no currículo, a equipe teve em seu elenco Lucas Barrios, hoje no Palmeiras, Robinho, Gilardino e, como um de seus maiores ídolos, o brasileiro Muriqui, artilheiro da Super League e da copa chinesa em 2011, além da Liga dos Campeões da AFC em 2013. Jogando ao lado de Conca, ele teve títulos de MVP da Champions League asiática, de melhor jogador estrangeiro da AFC e de melhor jogador do ano pela associação chinesa de futebol.

O clube que já teve diversos nomes e donos hoje é dividido ao meio. Metade da equipe pertence à Evergrande Group, uma das maiores construtoras da China, e a outra metade foi comprada pelo Alibaba Group – empresa gigante de e-commerce – em 2014 por US$190 milhões (hoje a Alibaba tem 40% e a Evergrande 60%). O nome atual é Guanzhou Evergrande Taobao, pois o nome de um dos sites de compra da Alibaba Group é Taobao. A média de público do Guangzhou Evergrande no campeonato de 2015 foi de 48.886 pessoas, faltando apenas duas mil pessoas para entrar na lista das 10 maiores médias de público do mundo.

Hebei China Fortune

Lavezzi no futebol chinês

Ezequiel Lavezzi, na foto acima, jogador argentino de 30 anos, deixou o PSG para assinar com o Hebei China Fortune por um valor que pode não parecer alto perto dos outros aqui neste página, porém, quando se fala em salário… O argentino terá o sétimo maior salário do mundo (retirados os impostos), segundo o jornal inglês Mirror: 222.000,00 libras por semana, que em reais daria algo em torno de 1,2 milhões a cada sete dias, ou quase R$ 5 milhões por mês. O singelo salário será pago por um clube novo, criado em 2011 e que disputa pela primeira vez a Super League. Ficou três anos na terceira divisão chinesa e dois anos na League One e conseguiu os dois acessos após dois vice-campeonatos.

Gervinho no futebol chinês

 

Lavezzi terá como companheiro o marfinense Gervinho (acima), que deixou a Roma, da Itália, por um salário três vezes maior do que ganhava no Calcio. Os dois experientes jogadores com Copas do Mundo no currículo serão treinados por Li Tie, treinador há um ano, ex-jogador de clubes como Everton e Sheffield United, em um clube com cinco anos de história e em sua primeira participação no principal campeonato chinês.

Shanghai SIPG

Apesar de não ter tirado nenhum jogador do Brasil ou de algum time grande da Europa, o Shanghai SIPG entra na lista por dois motivos. O primeiro foi a contratação de Elkeson por R$ 73 milhões. O ex-jogador de Vitória e Botafogo estava no Guangzhou Evergrande, onde foi MVP da temporada 2014 e artilheiro das temporadas 2013 e 2014, com 24 e 28 gols respectivamente. O segundo motivo são os novos companheiros e comandante de Elkeson. O elenco conta com Darío Conca e o ganês Asamoah Gyan (contratado no meio de 2015 por cerca de 35 milhões de reais). Já o treinador é o sueco Sven-Göran Eriksson, com passagens pela seleção inglesa, Manchester City, Lazio e com diversos títulos nacionais pela Europa. O SIPG também é um time novo, criado em 2000, passou a disputar a terceira divisão chinesa em 2005 e está na Super League há apenas quatro anos. A atual dona do time é a SIPG, empresa responsável pelo gerenciamento do porto de Shanghai. O clube disputa nesta temporada a Liga dos Campeões da AFC e pode estar no mundial de clubes no final do ano.

Jiangsu Suning

Alex Teixeira no futebol chinês

O Jiansu Suning foi o clube que causou mais impacto na imprensa europeia com suas contratações. Foram contratados Alex Teixeira (acima)Ramires (abaixo). Ramires tem 28 anos e já disputou duas Copas do Mudo pelo Brasil, deixando o Chelsea, clube onde conquistou a Liga dos Campeões da UEFA. Já Alex Teixeira tem 26 anos e estava no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Formado nas categorias de base do Vasco, o jogador era disputado por dois clubes: Jiansgu Suning e Liverpool, da Inglaterra, clube com muita tradição, mas que anda longe de ser das principais forças da Europa. Os chineses venceram a disputa por causa do dinheiro. O clube foi comprado em dezembro de 2015 por 17 milhões de reais pela Suning Commerce Group, uma das maiores lojas de Varejo da China – algo como se a Via Varejo, dona da Casas Bahia, Ponto Frio e Pão de Açúcar, comprasse o Fluminense, assim como o Jiangsu Suning, três vezes campeão nacional. Dois meses após ser comprado pela gigante do varejo, o clube bateu duas vezes seguidas o recorde em contratação: Ramires e Alex Teixeira, que se juntaram ao atacante Jô. O clube é um dos quatro que representa a China na Liga dos Campeões da AFC.

Ramires no futebol chinês

Shandong Luneng

Gil no futebol chinês

Outro com treinador brasileiro. Comandado por Mano Menezes – que substituiu o também brasileiro Cuca – o time contratou pouco nesta janela. O destaque ficou pelo zagueiro Gil (acima), ex-Corinthians. Na janela anterior, no meio de 2015, a maior contratação foi de Jucilei, também ex-Corinthians, que estava no Al-Jazira, dos Emirados Árabes Unidos – no Al-Jazira, Jucilei tirou o passaporte palestino, por causa disso ele ocupa uma vaga para os jogadores de países da AFC. Apesar da timidez nas janelas atuais, o clube tem no elenco jogadores caros como Walter Montillo, que deixou o Santos em 2014, e Diego Tardelli, que saiu do Atlético Mineiro também em 2014. Outro brasileiro que já passou pelo três vezes campeão chinês foi Vágner Love. Com jogadores há mais tempo na China e melhor ambientados ao clube, o Shandong Luneng tenta vencer pela primeira vez a Liga dos Campeões da AFC nesta temporada.

League One

A League One é a segunda divisão do futebol chinês. Os melhores classificados nela ganham uma vaga na Super League. A lógica seria então times mais modestos, com contratações mais humildes, certo? Errado. Empresários chineses também compram times da segunda divisão e o clube que mais chama atenção de nós brasileiros é o Tiajin Quanjian.

Tianjin Quanjian

Geuvânio no futebol chinês

O Tianjin Quanjian teve dez treinadores nos últimos seis anos. A demissão do croata Goran Tomic veio junto com a compra do clube pela Quanjian Natural Medicine, uma das maiores empresas da indústria farmacêutica chinesa. A Quanjian já tinha tentado aventurar-se no futebol com o Tianjin Teda F. C., da Super League, mas desavenças quanto a contratações fizeram o negócio chegar ao fim. No Tianjin Quanjian, que agora leva o nome da empresa, o responsável por decidir as contratações junto aos donos da farmacêutica é o velho conhecido dos brasileiros Vanderlei Luxemburgo. Com Luxa no comando não é de se surpreender que o clube tenha uma comissão técnica formada inteira por brasileiros e tenha contratado Geuvânio (acima), do Santos, e Jadson (abaixo), considerado por muitos o melhor jogador do último campeonato brasileiro jogando pelo Corinthians. O elenco do clube criado em 2006 ainda tem Luis Fabiano, camisa 9 e capitão da equipe.
Jadson no futebol chinês

Outros jogadores no futebol chinês

Biro Biro: saiu da Ponte Preta (o jogador pertencia ao Fluminense) para o Shanghai Shenxin, clube da League One, por pouco mais de R$ 5 milhões.

Rudnei: deixou o Avaí para o Xinjiang Tianshan Leopard, que disputa a League One, por empréstimo.

Nikica Jelavic: jogador da seleção Croata, saiu do West Ham para o Beijing Renh, da League One, por R$20,2 milhões.

Marcelo Moreno: deixou o Grêmio no começo de 2015 para ir ao Changchun Yatai por R$ 9 milhões (em valores atuais).

Jael, o Cruel: ex-Flamengo e Joinville, está no Chongqing Lifan, da Super League, onde é companheiro de Emmanuel Gigliotti, ex-Boca Juniors.

Obafemi Martins: campeão italiano pela Inter, o nigeriano deixou o Seattle Souders por R$ 9,8 milhões para juntar-se ao Shanghai Shenhua, da Super League.

Fredy Guarín: saiu da Inter de Milão também para o Shaghai Shenhua onde joga com Obafemi Martins e Demba Ba – que deixou o Besiktas por quase R$ 50 milhões.

Diego Maurício: transferiu-se do Bragantino para o Shijiazhuang Ever Bright, da Super League, por empréstimo.

Tim Cahill: deixou de disputar a MLS para atuar pelo Hangzhou Greentown.

Wagner: destaque no Fluminense, está no Tianjin Teda desde julho de 2015.

*todos os valores de transferências são do site transfermarkt. As informações sobre os clubes chineses são de reportagens da Mirror, The Guardian e New York Times, e do site oficial do Guangzhou Evergrande.

*as imagens dos jogadores são de divulgação dos sites oficiais de seus respectivos times.

Foto: WSG/Divulgação AFC

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