A história recente do Brasil Onças e do futebol americano brasileiro através dos números

Foi no dia 9 de julho de 2015 que a Seleção Brasileira de Futebol Americana pisou em campo pela primeira vez em uma partida do mundial IFAF em Canton, Ohio. O Brasil Onças, como é popularmente conhecido o time que reúne a elite do FABr, acabou perdendo a partida para a equipe da França por 31 a 6 e, ao final da competição, voltou para casa com duas derrotas, uma vitória sobre a Coréia do Sul e o posto de sétima melhor seleção de futebol americano no mundo.

O resultado é bastante impressionante, visto que o primeiro esboço de uma equipe que representasse o Brasil inteiro surgiu em 2007 para um amistoso contra o Uruguai e nem existiam ainda partidas full pads sendo disputados em solo nacional. Mesmo assim, em menos de dez anos a equipe conquistou resultados surpreendentes e provou para a América Latina inteira quem é que manda também no esporte da bola oval. Por isso, levantamos alguns dados sobre as convocações recentes da Seleção Brasileira de Futebol Americano para explicar um pouco o caminho do Brasil Onças e como ele está diretamente ligado com a história do FABr.

Leia mais: O que a BFA pode aprender com a história do FABr?

Ponto de partida para o Brasil Onças

Apesar de existir desde 2007, foi em 2013 que a Seleção Brasileira de Futebol Americano ganhou o rosto e as características que tem hoje. Na época, existia no Brasil a iniciativa de criar uma liga profissional de futebol americano que fosse separada em franquias nos cinco principais estados da modalidade. A LFA – Liga de Futebol Americano – era gerida por uma empresa chamada Brazen Sports Ventures que, além de ser responsável pelo encabeçamento da competição, também era dona dos direitos do Brasil Onças.

Foto: Divulgação LFA

Marcelo de Paulos e Bruce Daniels, junto com o Diretor de Operações Esportivas da empresa e jogador conhecido nacionalmente KC Frost, tinham a ideia de utilizar a seleção brasileira como o principal “produto” da LFA. Assim, a temporada da competição iniciaria e terminaria com amistosos do Brasil Onças contra times da América do Sul disputados por uma seleção formada pelos principais jogadores das franquias da LFA. Com promessa de estádio próprio dentro de São Paulo e a espetacularização dos eventos no melhor estilo NFL, a aposta dos dirigentes da Brazen era de ensinar a cultura do esporte para os brasileiros através de grandes clássicos como Brasil e Argentina, que despertariam o interesse do torcedor comum. Mais do que isso: eles queriam que os brasileiros idolatrassem o Brasil Onças assim como idolatra a seleção brasileira de vôlei, transformando o futebol americano em um mercado lucrativo.

Quer saber mais sobre a história da LFA? Participe da nossa promoção e ganhe uma cópia do documentário “Primeira pro Fim” e uma camiseta FABr!

Para que tudo isso funcionasse era preciso, primeiro, que o time fosse de qualidade. Por isso, a Brazen organizou seletivas em diferentes regiões do Brasil para que os treinadores pudessem avaliar de perto o nível técnico dos jogadores que praticavam o esporte. Depois, foram convocados 76 atletas para um training camp em Limeira, no interior de São Paulo. Os atletas que participaram deste camp concordam sempre em um ponto: nunca houve uma estrutura tão completa na história da seleção brasileira de futebol americano. Foi a partir desse camp que o Brasil Onças que foi ao mundial de 2015 começou a ser construído.

No ano seguinte, o Brasil foi ao Uruguai em busca do título de melhor seleção sul-americana para conseguir disputar uma vaga para o mundial. A partida terminou 49 a 0 para o Onças e não deixou dúvida sobre qual era a seleção que dominava a América do Sul. O Brasil era campeão do Montevideo Bowl e teria que ir até o Panamá para decidir em um jogo apenas quem iria representar os latinos no IFAF World Championship 2015.

Foi com muito sacrifício pessoal dos jogadores que o time conseguiu viajar para o Panamá para jogar a partida. Apesar do forte apoio da Brazen no começo de 2013, a LFA encerrou suas atividades misteriosamente e levantou dúvidas sobre a continuação do projeto do Brasil Onças. Mesmo sem ter como dar a estrutura de antes, no dia 31 de janeiro de 2015 o Brasil Onças venceu o Panamá fora de casa por 26 a 14 e garantiu sua presença no mundial de futebol americano em Ohio, nos Estados Unidos.

Brasil vs Panamá em 2015 – Divulgação/Trois

No começo de julho, os 45 atletas entraram em campo contra a França e mostraram ao mundo que existe futebol americano sim no Brasil e que, apesar de jovem, o esporte tem muito potencial na terra do futebol com os pés. Depois do resultado do mundial, a CBFA organizou training camps regionais em 2016 para avaliar melhor os novos jogadores que apareceram e começar o planejamento da próxima geração do Brasil Onças.

Os números a seguir são baseados nas cinco convocações da Seleção Brasileira no período entre 2013 e 2016: Training Camp em Limeira (2013), Montevideo Bowl (2014), Panamá (2015), Mundial (2015) e Training Camps Regionais (2016).

Quais times contribuíram mais?

Desde Limeira, 249 jogadores já foram convocados para defender as cores do Brasil Onças. Ao total, foram 45 equipes diferentes do FABr que contribuíram com jogadores para os training camps e competições. Entre essas, destacam-se os nove times que sempre tiveram jogadores convocados desde então: Botafogo Reptiles, Coritiba Crocodiles, Cuiabá Arsenal, Jaraguá Breakers, João Pessoa Espectros, São José Istepôs, São Paulo Storm, Vasco da Gama Patriotas e Vila Velha Tritões.

No começo, as tradicionais equipes da época eram as que mais tinham jogadores convocados. Cuiabá Arsenal (10), Fluminense Imperadores (9) e São Paulo Storm (11) eram os grandes destaques na época do training camp de Limeira. Já nos camps regionais do ano passado, outros times surgiram como bons formadores de atletas, como o Coritiba Crocodiles (14), João Pessoa Espectros (20) e Timbó Rex (15).

Confira no gráfico a tabela detalhada de quantos jogadores cada time cedeu ao Brasil Onças:

 

Sul e sudeste são as regiões com mais atletas

Entre os jogadores que compõem o Brasil Onças, a maioria sempre pertenceu a equipes do sul e sudeste do país. Até a convocação para os training camps regionais de 2016, o sudeste sempre havia liderado em números absolutos em relação a outras regiões, mas, no ano passado, o sul assumiu a liderança e o nordeste cresceu de forma significativa em representatividade. Além disso, foi a primeira convocação da seleção brasileira de futebol americano a contar com jogadores de equipes da região norte do país (Ajuricaba Warriors, Belém Titans e Belém Vingadores).

 

Ser campeão é garantia de seleção?

Desde 2013 e até a unificação do brasileiro, o Brasil conheceu três campeões diferentes para o Torneio Touchdown e, com o bicampeonato de 2013 e 2014 do Coritiba Crocodiles, dois vencedores para a Superliga. De uma forma geral, todos eles apresentaram um aumento no número de jogadores selecionados, já que os camps regionais de 2016 permitiram que vários atletas de alto nível que não estavam dentro do projeto do mundial de 2015 pudessem ter uma chance de treinar com a seleção. Confira os números na prática:

 

De um modo geral, é possível perceber que os números de convocação da seleção brasileira acompanham o momento dos times no FABr. Equipes que são dominantes em suas regiões há muito tempo como Coritiba Crocodiles, João Pessoa Espectros e Cuiabá Arsenal, por exemplo, sempre apresentaram um bom número de jogadores, principalmente por possuírem bons trabalhos de base e sempre conseguirem renovar seu plantel para continuar competitivos. No último camp, podemos perceber que existe uma nova geração de atletas e equipes de alto nível que provavelmente construirão a base das próximas convocações do Brasil Onças, como é o caso do Timbó Rex e do Recife Mariners.

Como você acha que será o futuro da seleção brasileira de futebol americano? Deixe sua opinião em nossos comentários!

Deixe seu comentário: