Giba: um dos maiores do vôlei

Crédito de foto: Elsa (Getty Images)

Uma coisa que é inegável em qualquer conversa de amantes do vôlei é o fato de que Giba é/foi um dos melhores jogadores que já existiu. Ele mudou o esporte. Do alto de seus “míseros” 1,92m, era muito pouco para ser profissional. O tempo de bola diferenciado junto a sua capacidade de impulsão e velocidade o faziam capaz de superar os bloqueios de jogadores com mais de 2,10m. De certa forma, Giba mostrou que dedicação, persistência e esforço compensam mesmo com adversidades incontestáveis. E é por isso que o esporte é tão bonito: no fim, cada suor, cada treino, cada lesão e cada ponto valem a pena. Em um podcast onde falamos sobre renovação do vôlei, ler “Giba neles!” mostra porquê é tão difícil encontrar um talento como esse. Definitivamente leitura obrigatória para todo amante de esporte.

A vida do ponteiro-passador é cheia de superações e desafios. Sua autobiografia, escrita junto ao jornalista Luiz Paulo Montes, mostra a série de episódios que marcaram a vida do esportista dentro e fora das quadras e revela que foi muito cedo que sua trajetória já foi diferente do normal. O saque inicial deu-se aos quatro meses de idade, quando o atleta foi diagnosticado com leucemia. Um ano e dois meses de tratamento foram o suficiente para Giba estar curado e ser pesquisado até hoje: seu caso foi tão bem sucedido que virou objeto de estudo na Universidade Federal do Paraná.

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Capa: Renata Zucchini Reschiliani

Várias outras coisas extraordinárias levam a acreditar que ele se trata de alguém incomum, como a queda de uma árvore e um acidente de carro grave. No primeiro episódio, participando de uma brincadeira quando criança, Giba caiu em cima de uma grade em forma de lança que lhe rendeu 150 pontos no braço esquerdo. Poderia ter perdido o membro. O acidente de carro aconteceu quando estava fazendo uma mudança. Sentiu o carro derrapar e descer barranco abaixo. Passou por cima de um rio. Mais tarde ouviu do policial: “Você é a primeira pessoa que passou reto nesta curva e está vivo para contar a história. O nome desta curva é ‘Curva da Morte’”.

O tom  usado ao escrever, em certas partes irônico, em outras franco e em algumas cômico, também é outro atrativo do livro. Um trecho que se destaca é quando o jogador começa a falar do esporte e não exita em pisar em ovos nos assuntos polêmicos, como a derrota para a Bulgária no mundial de 2010 que facilitou a fase seguinte da competição. “Decidimos, a portas fechadas, que perderíamos o jogo. (…) Minha opinião? Perder aqui para ganhar lá na frente”. E foi isso que aconteceu. O Brasil saiu da Itália com o tricampeonato mundial e Giba com sua última medalha de ouro pela seleção. Esse também ficou marcado como o período de transição de titular na quadra para capitão e líder fora dela, na renovação natural de jogadores para um novo ciclo da equipe. E nós acreditamos nisso. Momentos como esse resgatam na memória daqueles que acompanharam de perto a seleção brasileira masculina de vôlei entre 2002 e 2012, desde o Giba que vibrava com os companheiros sendo o maior pontuador da partida até o Giba capitão que entrava pouco, mas que fornecia o apoio necessário fora de quadra pra a seleção principal de hoje.

Esse não foi o único tema conturbado da sua passagem pela amarelinha. Em 2007, nas vésperas dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o corte do levantador Ricardinho chocou a imprensa. Com crescente especulação ao redor do assunto, logo criou-se um tabu a respeito do “maior segredo do vôlei brasileiro”. Seria nepotismo do técnico Bernardinho, cujo filho, Bruninho, era levantador reserva? Ou o motivo era outro? Com honestidade, Giba nos fornece uma visão privilegiada: a de um líder do time e melhor amigo do levantador. Com sua narração no livro, temos um contexto maior do que aconteceu e as razões disso.

Se alguém poderia falar sobre isso, talvez ele fosse o mais qualificado. Tricampeão mundial. Seis vezes o melhor jogador do mundo. Quatro participações em Olimpíadas. Vinte e dois títulos com a seleção brasileira. Vinte e sete anos de carreira. Único jogador a conquistar títulos e ser eleito, pelo menos uma vez, o melhor do torneio. Eterno camisa 7 do Brasil. Gilberto Amauri Godoy Filho, o Giba.

Ficha técnica:

Giba neles!

Autores: Giba e Luiz Paulo Montes

Editora: Globo Livros

Ano: 2015

Páginas 197

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