Os três eixos de defesa: a função do líbero no vôlei

Sabe aquele cara com o uniforme diferente, que sempre fica na parte de trás da quadra? Sim, o líbero, o diferentão, o cara que só defende e quase nunca pontua. A última análise das posições vai falar da função do líbero no vôlei, que não existia até a popularização do esporte.

Buscando dar maior cadência aos jogos, a FIVB oficializou em 1998 a posição de líbero no vôlei. Os únicos com regras próprias dentro da partida, que limitam sua atuação, esses atletas desequilibram por sua especialização em não deixar a bola cair no chão.

Leia mais: Servindo o ataque: a função do levantador no vôlei

Normalmente ágeis e de estatura mais baixa que a média, a função do líbero no vôlei não se resume somente à defesa, mas também está presente no ataque e no saque.

Líbero no vôlei: Papel no ataque

Um bom ataque, que busque abrir vantagem e vencer uma partida com folga, só tem sucesso com uma grande defesa por trás. O líbero se encaixa aqui, junto aos ponteiros e em certos momentos ao levantador, como os principais responsáveis por permitir o contra-ataque.

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Se a bola do adversário não cai no chão, cria-se mais uma chance de pontuar. Isso pode significar defender um ataque mesmo, aquele que vem depois de uma recepção de saque, ou dar uma segunda, terceira, quarta ou quantas chances a mais forem necessárias para a equipe.

Se é o levantador quem faz essa defesa, a responsabilidade de armar o ataque cai então nas mãos do líbero. Não estranhe ver esses atletas treinando levantamento antes de uma partida.

É função do líbero no vôlei permitir essas novas oportunidades. Sempre muito atento (e bem treinado) para buscar todas as bolas, onde quer que elas tentem cair. Normalmente quando sua equipe está atacando, o líbero ocupa a função de cobrir um possível bloqueio adversário, ficando mais próximo da linha dos três.

Não é incomum, porém, vermos lances espetaculares de líberos que vão buscar uma bola quase fora da quadra. Serginho, o melhor de todos os tempos nessa posição, fazia muito disso. E quando ele buscava, grandes eram as chances de virar um ponto.

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Defesa – a especialidade do líbero

Aqui sim na sua área de especialização, a função do líbero no vôlei se destaca. Quando você assistir uma partida de vôlei novamente, preste atenção no líbero e lembre: ele é a personificação da importância dos estudos e das estatísticas para o vôlei.

Sempre onde estiver o cara do uniforme diferente, pode crer que umas destas situações está acontecendo: ele está cobrindo um buraco da defesa; ou ele está marcando o melhor atacante do outro lado.

Caso a sua equipe careça de bons bloqueadores, principalmente nas pontas, a função do líbero será ocupar o maior espaço possível na hora de defender um ataque. Toda posição da defesa vai depender da orientação do bloqueio, se os homens de rede vão cobrir a paralela ou fechar o meio. Para onde ficar o “buraco” é onde os ponteiros vão cobrir, sempre se ancorando no espaço do líbero, que vai tentar suprir as carências do bloqueio enquanto cobre uma das paralelas.

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Já se a rede conseguir se impor bloqueando, o líbero vai focar na paralela do melhor atacante do outro lado. Normalmente é o oposto, por ser a principal opção ofensiva e ser mais acionado durante uma partida, mas se na equipe adversária tem um Ngapeth atacando na ponta, é preocupação do líbero estar atento à diagonal desse atacante. Vai das necessidades do jogo.

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Fato é, em ambos os casos, a função do líbero no vôlei define muito da estratégia de um time. Claro que isso varia com as habilidades que seu líbero possui.

Serginho tem que sair da discussão quando falamos de estilos, ele é um alien. Fabi também, ambos fazem de tudo e muito bem, sem erros técnicos, somente uma ou outra falha momentânea.

Quando olhamos para os “humanos” nessa posição, é possível perceber as diferenças de um para o outro. Na seleção brasileira masculina mesmo, temos dois líberos que intercalaram a titularidade durante a Liga Mundial: Thales, muito forte na recepção de saque, e Thiago Brendl, especialista em defender grandes zonas do ataque adversário. Ter ambos permite a Renan Dal Zotto um ajuste fino da linha de passe do time, reforçando o setor que é o foco do adversário.

Internacionalmente, podemos pensar em Jenia Grebennikov, o melhor na função de líbero em atuação no mundo. Foco total em defesa, com algumas falhas na recepção que são compensadas pela habilidade de não deixar o ataque adversário virar ponto – e o time francês abusa dessa vantagem o máximo que pode.

Função do líbero no saque

Não, os líberos não sacam, mas tirando o cara que propriamente executa o serviço, eles são a peça mais importante desse fundamento: qualquer sacador vai pensar na posição do líbero antes de botar a bola em jogo.

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A partir dessa posição que a linha de recepção se monta, e normalmente é função do líbero no vôlei cobrir a maior área possível da quadra na hora do saque adversário.

Vai do time que o atleta está, se ele tem ponteiros que recebem bem ou não. Caso eles saibam o que fazem, podem ajudar, se não é capaz do líbero cobrir metade da quadra sozinho. Serginho (sim, ele de novo) fez isso nas Olimpíadas do Rio, quando nosso passe estava mal assumiu 2/3 da quadra, deixando Lucarelli com a porção final e retirando Maurício Borges da recepção.

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Como já mencionamos, existem estilos diferentes de líberos, e aqueles que não são tão bons na recepção precisam de uma linha de ponteiros que compense isso. Assim, a recepção do saque fica sempre suscetível às necessidades que vêm do líbero. A seleção feminina da China, por exemplo, se apoia em cobrir a ponteira Zhu Ting nas recepções, já que a atleta é craque virando bolas, mas não consegue passar em alto nível.

Presente em todas os setores de uma equipe, dá de entender que o líbero no vôlei faz mais que “só defender”, sendo uma segunda chance para quando o ataque não funciona, o centro estratégico da defesa e o principal responsável pela recepção.

Agora independente do contexto, sempre se cobrará um passe A saindo das mãos desses atletas. É a função do líbero, afinal, passar a bola, e não a de pontuar…. Será mesmo?

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Foto de capa: CBV

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