O fim da União Soviética e seu legado esportivo

A União Soviética é, sem dúvidas, uma das maiores potências mundiais da história. Um conglomerado de diversas Repúblicas do leste europeu, o país foi o grande nome dos esportes por quase sete décadas. Dominou modalidades individuais e coletivas, do atletismo ao vôlei, e acumulou medalhas olímpicas em suas estantes. Porém, o fim da União Soviética também foi um marco esportivo importante.

A dissolução da URSS, em 1991, deixou nas mãos da Rússia o legado total, seja ele político, jurídico ou esportivo. Assim, os russos passaram a ser a grande cria esportiva dos soviéticos. Só que os outros países que surgiram também têm seu destaque em algumas modalidades, como “mini-potências” esportivas. Resolvemos então buscar quais são estas nações e qual o impacto do fim da União Soviética para o esporte mundial.

Leia mais: Quarenta livros que todo viciado em esportes deveria ler

Focamos nas medalhas olímpicas conquistadas antes e depois do fim da URSS, elencando de onde eram os atletas que as conquistaram. Demos destaques aos principais esportes individuais (Ginástica, Natação e Atletismo) e os coletivos (Basquete, Futebol e Vôlei) Depois, contabilizamos as medalhas conquistadas pelos países que surgiram dessa dissolução da União Soviética, buscando assim os legados deixados.

O legado esportivo Russo

Talvez a maior presença de medalhas desde os tempos de União Soviética, os atletas russos dominaram grande parte das conquistas do conglomerado em todas as edições olímpicas. As principais conquistas Russas após a dissolução da URSS vieram nos esportes individuais ou de pequenos coletivos, como Ginástica Artística, Natação e Atletismo, mantendo a tradição soviética.

O fim da União Soviética esportes RússiaPor ser detentora direta de todo legado da União Soviética, a Rússia trouxe consigo a cultura e a estrutura esportiva de potência que vieram de sua sucessora. Todos os grandes atletas soviéticos, seja de qualquer república da união, se concentravam em Moscou e região para os treinamentos de alto nível, fazendo com que a atual capital russa esteja altamente equipada ainda hoje para apoiar seus atletas.

Falando ainda de legado, a escola russa se mantém viva nos esportes coletivos após o fim da URSS. O vôlei russo, por exemplo, segue o estilo soviético, dominante por décadas e marcante em toda história do esporte. No basquete, apesar de não acumular títulos, a Rússia costuma revelar grandes atletas, principalmente na NBA (como Andrei Kirilenko e mais recentemente Alexey Shved e Timofey Mozgov). É possível destacar também o futebol (que sediará a Copa do Mundo de 2018) e principalmente o handebol como heranças.

A decepção Ucraniana

A Ucrânia é segunda maior produtora de atletas medalhistas da União Soviética, principalmente nos esportes individuais. Entre os atletas históricos da ginástica artística é possível encontrar diversos nomes ucranianos. Foi justamente na ginástica que a Ucrânia se destacou dentro do império soviético, porém o legado aqui parece não existir.

O fim da União Soviética esportes UcrâniaÉ claro que existe uma cultura esportiva muito forte no país. Logo nos anos subsequentes à dissolução da União Soviética, a Ucrânia se estabeleceu como potência na ginástica nos campeonatos mundiais da modalidade. Mesmo com uma queda de rendimento no meio dos anos 2000, até hoje surgem atletas relevantes vestindo azul e amarelo nos aparelhos e no solo. Nos mundiais de natação em piscina curta do início dos anos 2000 também houve presença ucraniana, mostrando que de certa forma o país se manteve relevante a nível internacional, mesmo sem conquistar medalhas.

Apesar de ser relevante, a Ucrânia está longe de ser um legado da dissolução da União Soviética. É perceptível como os atletas ucranianos tinham impacto no quadro de medalhas olímpicas soviético, mas após o fim da URSS esta presença no pódio despencou. Talvez a falta de estrutura (que como já citamos ficou para a Rússia) seja um elemento relevante aqui, mas a cultura esportiva por lá parece ter se dissipado pelos anos.

Outras “mini-potências”

O fim da União Soviética esportes outrosDas 15 repúblicas soviéticas, que se tornaram países independentes após o fim da URSS, somente as duas já citadas se tornaram realmente relevantes de uma forma mais geral. O que leva ao questionamento da real existência de um legado soviético. Porém, se olharmos para as modalidades de forma exclusiva, alguns destes países se destacam.

Letônia, Lituânia, Belarus e o basquete

Estas três nações compunham, nos tempos de união, boa parte dos atletas das equipes de basquete. Após a dissolução da União Soviética, todas se tornaram referências mundiais no esporte: Letônia e Lituânia no masculino, Belarus no feminino. A independência lituana, para além do crescimento político e social, trouxe uma impulsão ao basquete do país, que se tornou uma real potência mundial até os dias de hoje. Trazendo consigo elementos da escola do leste europeu, os atletas destes países sempre figuram na NBA.

Potências nas lutas

Nas artes de combate é onde se apresentam os maiores legados do fim da URSS. No chamado wrestling (luta estilo livre e luta greco-romana) Georgia, Azerbaijão, Belarus e Armênia são os nomes de maior impacto, principalmente nos campeonatos mundiais. No boxe, o Kazaquistão é um dos dez maiores medalhistas da história e uma escola de respeito mundial.

Referências no judô

Mesmo sendo também uma luta, o judô merece um destaque a parte. Após o fim da União Soviética aparecem muitas potências ao longo dos anos, gerando grande rotatividade no cenário internacional. Sempre competindo com os grandes orientais e os europeus, alternaram no holofote do esporte: Georgia, Azerbaijão, Armênia, Uzbequistão, tanto no masculino como no feminino.

*Colaboração de Thomé Granemann

Crédito de foto: Mondadori Publishers

Deixe seu comentário: