O histórico do domínio “óbvio” de Rio de Janeiro e Osasco na Superliga

As equipes de Rio de Janeiro Vôlei Clube e Osasco Voleibol Clube voltam a disputar o título da Superliga Feminina, no próximo domingo, dia 23 de abril. Muitos vão dizer “de novo!?”. Sim, é a sexta final entre as duas, em oito anos. E alguns dados históricos mostram que a hegemonia pode vir desde os primórdios da competição.

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Quanto é “de novo!”?

“Sexta final só? Tem mais hein!”. É, não necessariamente destas duas equipes. No parágrafo acima só são consideradas as finais a partir da criação de Osasco V.C., em 2009, algo que nem a CBV faz. Para a entidade máxima do vôlei no Brasil, a equipe da Grande São Paulo existe desde os anos 90 e tem cinco títulos em sua história. Em partes, verdade.

O “velho” e o “novo” Osasco

O BNC/Guarujá nasceu em 1993 e três anos mais tarde se transferiu para Osasco. Depois do desaparecimento da marca do Banco de Crédito Nacional, a equipe virou Finasa/Osasco em 03/04. Logo após a derrota que definiu o quarto vice-campeonato seguido, em 2009, o projeto é encerrado. Foram 15 participações na Superliga, duas semifinais, sete vice-campeonatos e três títulos.

Dias mais tarde, um grupo de empresários e a prefeitura de Osasco fundam o novo time. Meses depois, a Nestlé entra como patrocinadora, retornando ao vôlei nacional desde o histórico time do Leite Moça. Além dos quatro vices e dois títulos, essa encarnação do Osasco disputou duas semifinais, em 13/14 e 15/16 (contra o Rio). Estar na mesma cidade, com mesmo treinador, (quase) mesmas jogadoras mas com organização e patrocinador diferente é ser o mesmo time?

Bernardinho e “mais seis”

O Rio de Janeiro amplia no próximo domingo o recorde de finais. Agora são 13 decisões, em 13 anos de existência. Ou não? Assim como faz com Osasco, a CBV considera a história da equipe carioca desde os tempos de Paraná Vôlei Clube. Até nossos colegas afirmam que são 11 títulos totais.

Criado em 1997, a equipe com sede em Curitiba tinha apoio do governo estadual e da Unilever desde a sua criação. E o técnico Bernardo Rezende sempre esteve à frente do projeto. Nos sete anos presentes em terras paranaenses, foram quatro semifinais, um vice-campeonato e dois títulos. Em 2004, quando a empresa decide reorganizar seu investimento no marketing esportivo, a equipe é transferida para o Rio. Ter o mesmo treinador, organização, patrocínio, (quase) mesmas jogadoras mas estar em outra cidade é ser um time diferente?

Os times são “base” para a seleção

A Superliga foi criada no final de 1995. Meses após o fim desta primeira temporada, disputou-se o torneio olímpico em Atlanta. Na seleção que conquistou o bronze, quatro atletas tinham jogado no então BCN/Guarujá. No ciclo seguinte, em Sydney, eram quatro jogadoras que haviam disputado a Superliga pelo Rexona/Paraná e outra pelo BCN/Osasco.

A partir de 2004, todas as atletas convocadas já haviam passado ou estavam atuando nos dois times. A única exceção foi Sheilla Castro, em Beijing, que até então havia jogado pelos clubes mineiros do Mackenzie e Minas, e estava contratada na Itália antes das Olimpíadas. A atleta fez parte do time do Rio entre 2010-2012 e de Osasco entre 2012-2014.

O domínio de Rio e Osasco na Superliga pode ser revelado pela quantidade de jogadoras destes times na seleção brasileira durante as Olimpíadas.
Arte por Thomé Granemann

“Beleza, isso é óbvio, os dois times que dominam o país tem as melhores jogadoras, que vão formar a seleção”. Verdade. Mas a dúvida é: eles dominam porque sempre tem as atletas mais gabaritadas ou por ter constantemente dominado, atraem as craques e, consequentemente, seguem dominando? Um ciclo virtuoso (ou vicioso?) que não tem uma resposta exata, mas com muitos bons elementos para debate.

Olhar clínico e ranking

Como já falado por aqui, o ranking da Superliga falha em equilibrar os times dentro do campeonato. E também causa muita irritação das atletas já que, na maioria das vezes, são os clubes com grandes pontuações que tem condições de contratá-las. Guarde esta frase para depois.

Não é preciso dizer que os trabalhos de Bernardinho e Luizomar de Moura são cruciais para o extenso domínio destas equipes. Dois dos melhores técnicos do Brasil, eles não só tem qualidade suficiente para tirar o melhor das jogadoras (e ajudá-las a evoluir tecnicamente) como também sabem garimpar grandes talentos. Na maioria das vezes, bem cedo.

Sonho de título e concentração de talentos

Voltemos a questão da “base da seleção”. Os elencos atuais de Rio e Osasco perderam Natália e Thaísa, duas das principais atletas do país. Era de se esperar uma leve queda né? Ai o Rio trouxe uma jogadora da seleção holandesa e Osasco buscou duas sérvias, que também fazem parte do selecionado do seu país, e cá estamos com outra final.

Podemos dizer que o domínio, tão óbvio e ‘chato’ (para os que falam “de novo?”), é o que atrai estrangeiras de seleção para os dois times? É provávelmente um dos fatores, além do quesito econômico, é claro. Mas este é um assunto que vale aprofundar em outro texto.

Não tiro a razão das jogadoras em buscar mais chances de título, melhores salários, ter em quadra companheiras de qualidade. Lembra dos clubes com grandes pontuações com condições de contratar? Geralmente são esses, que óbvio, já dominam. “Mas de novo!?”. É, de novo.

Crédito de foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV

Matéria atualizada às 16h45

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