Djokovic: o jogador mais completo da história?

Não foi preciso mais de uma hora e 17 minutos para Novak Djokovic garantir seu quinto Masters 1.000 de Indian Wells e somar o 27º título em torneios desse porte, igualando a marca do espanhol Rafael Nadal. Para quem esperava um duelo competitivo – contando que do outro lado da rede estava Milos Raonic, então 14º no ranking (e que agora subiu duas posições) e derrotado apenas uma vez em 2016 – Nole já derrubou as expectativas ao abrir 4/0 sem deixar o canadense respirar. Depois disso, foi só controlar o jogo e ainda contar com a ajuda da lesão que já havia atrapalhado Raonic no Australian Open mais uma vez aparecer. No final, 6/2 e 6/0 com tranquilidade (veja os melhores momentos no vídeo abaixo).

Nesse começo de ano, já deu pra notar que a temporada 2016 está caminhando para ser parecida com a do ano passado: com domínio total do sérvio. Em 2015, foram 82 vitórias para seis derrotas e onze títulos somados à coleção. Dos quatro campeonatos disputados em 2016, três títulos (ATP 250 de Doha, Australian Open e Masters 1.000 de Indian Wells), 22 vitórias e uma derrota, por desistência para Feliciano Lopez por causa de uma infecção no olho. Nas 22 partidas jogadas, Djoko cedeu apenas seis sets (um em Indian Wells, dois na Copa Davis, o da derrota para Lopez e os finais para Federer e Simon no Slam da Austrália).

O ponto de tudo isso é que passa ano e entra ano e o circuito não vem dando sinais de mudança. Como o parceiro Vinicius Schmidt apontou muito bem nesse texto, Milos Raonic e outros tenistas jovens aparecem como promessa para desafiar as figurinhas carimbadas que dominam o tênis atualmente. Porém, a final de Indian Wells deixa os ansiosos por mudanças levemente desanimados. A verdade é que a sensação é a de que Djokovic não vai perder. E, se perder, saberemos que provavelmente será mais por demérito seu que por mérito do adversário. O próprio adversário da final de Indian Wells reconheceu isso. Raonic apontou que a devolução do sérvio é a melhor que já viu e talvez a melhor que já existiu: “Você sabe que ele vai vir pra cima e você sabe que ele é provavelmente o maior retornador de todos os tempos”, se resignou em entrevista. Novak é completo: tem o físico para devolver todas as bolas possíveis, a inteligência para sempre controlar o jogo e o psicológico para livrar-se das poucas situações em que se sente ameaçado em uma partida. Parece fácil. As suas cartas na manga parecem ser infinitas e isso desestabiliza os oponentes, que sabem que devem jogar o melhor de sua vida para duelar à altura. E, com mais pressão e mais riscos tomados… Mais erros.

Foto: Tennis Connected / Beth Wilson
Foto: Tennis Connected / Beth Wilson

Por enquanto, fica aquela sensação de que, por um bom tempo, ninguém vai ameaçar o sérvio do alto de seus atuais 16.540 pontos, “apenas” 8.170 a frente do segundo melhor jogador do mundo, Andy Murray, que soma 8.370. Hoje, Djoko é o cara: é aquele jogador entre safras que está vindo depois da ótima briga entre o legendário Roger Federer e o incrível Rafael Nadal do tempo pré-lesões. Assim, está posto o desafio a quem quiser tentar bater o jogo mais completo visto no circuito mundial de tênis até hoje.

Photo credit: Marianne Bevis via Visualhunt.com / CC BY-ND

Photo credit: mirsasha via Visual hunt / CC BY-NC-ND

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