Como funciona o teto salarial nos esportes americanos

No EsporteCast #11 – teto salarial equilibra o esporte? debatemos como funciona o teto salarial (salary cap), como ele aparece no mundo e se poderia ou não ser uma forma de nivelar as modalidades que não o utilizam, como o futebol. Dentre tantos assuntos, falamos também um pouco do histórico do teto salarial e como ele surgiu nos Estados Unidos, mas nesse texto vamos explicar as diferenças básicas do salary cap nas cinco principais ligas americanas (NBA, NFL, MLB, NHL e MLS).

Leia mais: Os jogadores da NBA merecem o salário que recebem em 2017?

Teto salarial na NBA

Na National Basketball Association, o teto salarial começou na temporada 1984/1985 com US$ 3,6 milhões. Ela funciona em um sistema chamado soft cap (ou “teto suave” em tradução livre). O esquema aqui é que os times podem ultrapassar o limite, mas vão ter de pagar por isso ou deixar de ganhar. Além disso, vale lembrar que também existe um piso, ou seja, não tem essa de time pão duro. Na temporada atual, o piso é de US$ 84,7 milhões, o teto salarial (salary cap) é de US$ 94,1 milhões e o tax level (“nível de imposto” em tradução livre) é de US$ 113,3 milhões.

Os três valores definem as recompensas ou penalidades financeiras de cada equipe nesta temporada 2016/2017. Quem estiver acima do tax level paga uma grana para a caixinha (de US$ 1,50 a US$ 3,50 para cada dólar que ultrapassar. Quanto mais ultrapassar, mais caro fica). Quem está abaixo do tax level e acima do teto, não paga e nem recebe nada. Quem tiver abaixo do teto recebe a grana da caixinha. E quem estiver abaixo do piso paga essa diferença aos jogadores do elenco, mas continua recebendo a caixinha. Atualmente, 12 times estão abaixo do teto e dois estão acima. Além disso, dos 12 abaixo do teto, cinco estão abaixo do piso.

Dentro desse esquema, há várias regras e exceções, então indicamos o manual do site Bola Presa caso você queira se aprofundar nas regras.

Teto salarial na NFL

Na National Football League o teto é regra, não tem escapatória, tanto que é chamado de hard cap (“teto duro”). A iniciativa surgiu em 1994 e hoje em dia é tão rigoroso que no dia seguinte ao fim da temporada regular, todas as equipes têm de apresentar suas contas para mostrar que não exageraram.

Na temporada 2016/2017 esse limite ficou em US$ 155,27 milhões de dólares. Já o piso é contabilizado a cada quatro anos e com gasto mínimo de 89%, ou seja, se um time não usou esse montante do salary cap entre 2013-2016, ele será punido – o que é muito difícil de acontecer.

Na NFL, a equipe leva a folga do teto para o próximo ano. Se por acaso sua equipe economizou nesse ano, ela vai ter um pouquinho mais de dinheiro para gastar no próximo. Existem algumas outras exceções e regrinhas, mas é um esquema mais simples que o da NBA justamente por definir bem seus limites. Para saber mais detalhes, esse texto do Liga dos 32 pode ajudar você.

Teto salarial na MLB

Na Major League Baseball a grana corre solta… Quer dizer, não tão solta assim. Não há um teto salarial, mas desde 2002 – e antes disso de 1997 a 1999 – uma taxa de luxo (luxury tax) é estipulada para todas as equipes. Quem exagerar paga multa sobre o valor ultrapassado. No primeiro ano paga 17,5% do que ficou acima do teto, no segundo ano seguido paga 30%, no terceiro paga 40% e a partir do quarto ano paga 50%.

Diferente da NBA, a multa paga não é dividida entre os outros times, mas vai para fundos dos atletas e fundos de crescimento industrial. Seis times ficaram acima do Luxury tax em 2016, onde o limite da taxa de luxo foi de US$ 189 milhões. Na temporada 2017 (que começa dia 2 de abril), a taxa está estipulada em US$ 210 milhões.

Teto salarial na NHL

A National Hockey League tem um “teto duro” assim como na NFL. O hard cap na liga de hóquei está estipulado atualmente em US$ 73 milhões e seu piso em US$ 54 milhões. Como podemos notar, o teto é consideravelmente menor ao das outras ligas dos Estados Unidos. Além da popularidade, isso também pode ser atribuído às diferenças econômicas entre EUA e Canadá que possui sete dos 30 times (Las Vegas terá a 31ª equipe a partir da próxima temporada).

O teto salarial na NHL existiu na primeira metade do século XX durante a grande depressão. Na era moderna, foi reintroduzido na temporada 2005/2006 para nivelar a liga que vinha de grande disparidade nos anos 1990, também por conta na diferenças das moedas americana e canadense. Desde então o equilíbrio da liga cresceu e seus ganhos financeiros também.

Para informações mais detalhadas sobre o teto salarial da liga de hóquei, indicamos o artigo do Wikipedia sobre o assunto (em inglês).

Teto salarial na MLS

Na Major League Soccer (sim, a liga americana do “nosso” futebol), o teto salarial não é tão pomposo quanto nas outras ligas, longe disso. Cada time pode gastar US$ 3,84 milhões com seu elenco de 20 jogadores por temporada – e podem manter mais oito atletas que não entram nessa conta. Parece surreal, principalmente quando a gente pensa que Carlos Tevez, o jogador mais bem pago do mundo, recebe US$ 41 milhões no Shanghai Shenhua da China.

Porém, a gente não precisa ir muito longe para ver a diferença salarial do soccer. Dentro da MLS há os designated players (jogadores designados) que são três jogadores por time que podem passar desse teto. A regra foi criada para que grandes atletas possam jogar em solo americano. Esse é o caso de Pirlo, Kaká, David Villa e dos ingleses recém aposentados Gerrard e Lampard. Em 2016, seus salários variaram entre US$ 5,5 milhões e US$ 7 milhões, aproximadamente, quase duas vezes o teto para o resto do elenco. Enquanto isso, o salário máximo de cada jogador não designado é de US$ 480 mil na temporada 2017.

Para entender melhor como funciona o salário na MLS, indicamos leia este artigo do site da ESPN.

Foto destaque: Nikolay Frolochkin/ CC0

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