Como funciona o circuito internacional de atletismo?

Sejamos sinceros: na maioria das vezes só pensamos em atletismo durante as Olimpíadas ou Jogos Panamericanos. Mas você sabia que existe um circuito internacional de atletismo durante todo o ano? Divididas em dois níveis, as competições passam por diversos países em todos os continentes, inclusive aqui no Brasil.

Se nós ficamos surpresos com o ouro olímpico de Thiago Braz, para quem acompanha o circuito não foi tão inesperado assim. E se você tem curiosidade de saber quem pode levar uma medalha em 2020, vale a pena entender como funciona esse sistema.

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Os primórdios do atletismo

O atletismo é um dos esportes mais antigos já registrados. E claro que com a criação das Olimpíadas modernas por Pierre de Coubertin, ele seguiu fazendo parte do cenário competitivo de muitos países. Do período de 1896 a 1985, diversos campeonatos foram estabelecidos de forma independente. São os casos do Troféu Brasil em 1945 ou do curioso USA-URSS Dual Track Meet, que existiu entre 58 e 85, reunindo apenas atletas norte-americanos e soviéticos (em plena Guerra Fria!).

Em 1985, a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) decide centralizar a organização e colocar o seu selo nas competições mais importantes. Nasciam assim os Grand Prix qualificatórios, espalhados por diversos países. Foi durante este período que o Grande Prêmio Brasil de Atletismo foi criado.

As finais (os Grand Prix Finals) eram realizadas, geralmente, em cidades europeias. Um fato curioso é que algumas provas eram bianuais. Ou seja, se em 85 disputou-se a prova dos 200m masculina, ela voltaria só em 87. Já a dos 100m foi realizada em 86 e depois em 88, e assim por diante. As provas disputadas por ano você pode conferir na tabela dos recordes.

Nasce um circuito internacional de atletismo

Nos anos 90, quatro competições europeias históricas se destacaram e passaram a ser o topo do atletismo no mundo (tipo os Grand Slam do tênis). Os eventos foram chamados de Golden Four, e duraram entre 93 e 97. No ano seguinte a IAAF decidiu expandir o circuito e criou a Golden League. Disputada exclusivamente em sete países do Velho Continente (Alemanha, Noruega, Itália, França, Suíça, Bélgica e Mônaco), a liga tinha provas fixas e sem alternância entre os anos.

Os Grand Prix Finals e demais grandes prêmios seguiram existindo neste período, ainda alternando as provas.  Tudo isso mudaria em 2003, quando a IAAF repete o mesmo sistema da Golden League, e fixa quais provas faziam parte das grandes finais. A partir daí o evento muda o nome para IAAF World Athletic Final.

Década de crescimento, muitos nomes e alguma confusão

Com o sucesso dos eventos e expansão do atletismo profissional pelo mundo, diversos campeonatos são organizados. Para tentar equilibrar tudo, a Associação Internacional cria em 2005 o IAAF World Athletics Tour. Aqui vai um momento sincero do autor: parece bonito, mas é meio bagunçado. Não que eu e você não tenhamos capacidade para entender. Só que eram tantos nomes parecidos que não surpreende o público em geral não acompanhar mais de perto.

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Para não ficar um buraco na história, vou resumir: existiam duas “divisões” não declaradas. Na ‘primeira’ estava a Golden League e o Super Grand Prix – basicamente competições de alto nível não europeias que estavam fora da ‘patota’ dourada. Na ‘segunda’ divisão os demais Grand Prix (sim, eles não mudam os nomes). Os três tipos de torneios davam pontos, que contavam em um ranking. No final do ano, os maiores pontuadores disputavam o já citado IAAF World Athletic Final. É semelhante ao tênis, mas pelo menos hoje em dia eles botam o número de pontos no nome.

Nascem os eventos de um dia

Imagine ter 12 dias de finais olímpicas no ano? Ir para um estádio e assistir só os melhores competindo, prova atrás de prova, em um único dia? Foi essa a proposta da IAAF quando foi criada a Diamond League. Baseada em um sistema de ‘convites’, a Liga Diamante também seguia o sistema de pontos (do 1º ao 3º colocado), mas sem finais.  Quem acumulasse a maior pontuação no final do ano era campeão.

Mas se apenas os ‘convidados’ participavam da Diamond (na realidade os competidores assinam contratos de participação), o que acontecia com os demais atletas? Eles disputavam a IAAF World Challenge, considerada um nível abaixo. É claro que nada impedia um atleta de participar das duas, como foi o caso de Usain Bolt.

E em 2017?

Estamos há poucos dias do início da temporada. O primeiro de doze eventos da Diamond League será realizado no dia 05 de maio, em Doha – Qatar. Para a atual temporada, a IAAF voltou a ter eventos finais – mas agora tudo dentro da Liga Diamante. Por conta disso, as pontuações mudaram. O vencedor do qualificatório garante oito pontos e o oitavo apenas um. Como os competidores não são os mesmos em todos os encontros, os oito melhores do ranking podem disputar a etapa final e ver quem será o campeão mundial (dê uma olhada nesse infográfico oficial para entender).

Um fato curioso que você pode observar no infográfico é a premiação. São $30 mil dólares por prova (de $10mil dólares para o primeiro até mil dólares para o oitavo) nos qualificatórios e $100mil dólares nas finais (de $50mil para o campeão até $10mil para último). Ou seja, se um atleta vencer todas as provas no ano e for campeão, ele embolsa $170mil dólares. Pouco?

Já a World Challenge começa no dia 20 de maio, em Kingston – Jamaica. Serão nove eventos ao longo do ano. Assim como a Diamond League, os Challenges seguem como eventos baseados em convites, seguindo alguns critérios de seleção. As premiações são menores (vencedores das provas ganham até $5 mil dólares), mas muitos atletas de alto nível participam dos eventos, mesmo que por preparação para a temporada.

Quanto aos brasileiros que irão participar do circuito este ano, apenas Thiago Braz está confirmado na Diamond League. Como as listas vão sendo fechadas com a proximidade dos eventos, o brasileiro campeão olímpico não participa da primeira etapa (que não tem sua prova), mas está confirmado em Shanghai e Eugene-EUA. Seu maior adversário será, claro, o francês Renaud Lavillenie, medalha de prata no Rio 2016.

Imagem de capa: Francisco Medeiros/Ministério do Esporte, encontrada em Ministerio do Esporte via Visual hunt / CC BY-NC-SA

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