A Chapecoense hoje é o Brasil

Foi só os jogadores pisarem em campo que a chuva começou a cair. Horas antes, a torcida lotou os arredores e cantou, acendeu sinalizadores e pulou com expectativa e felicidade de quem joga um torneio internacional. Caso a Chapecoense conseguisse o resultado, seria história, visto que nenhuma equipe catarinense chegou a uma semifinal competindo fora do país. Em 2015, o verdão do oeste parou diante do River Plate na quarta-de-final da Copa Sul-Americana. Em 2016, o adversário para a classificação para a semi foi o Junior de Barranquilla, time colombiano. O segundo jogo foi em casa, na Arena Condá, diante da apaixonada torcida verde e branco.

Ananias comemora o primeiro gol (Foto: Giba Pace Thomaz/Flickr Chapecoense)
Ananias comemora o primeiro gol (Foto: Giba Pace Thomaz/Flickr Chapecoense)

Mesmo com centímetros de chuva se formando nas arquibancadas, as 13 mil pessoas pularam, vibraram e comemoraram o resultado que colocou a Chapecoense na história do futebol catarinense. Perdão pelo trocadilho, mas foi um banho de bola. A equipe visitante sequer teve finalização ao gol e sofreu a pressão pelos 90 e tantos minutos de partida, sem conseguir o empate necessário para seguir na competição. Depois de levar dois gols (com um carrinho de Ananias e uma sobra de bola aproveitada por Gil), a missão era de fazer um; os jogadores vestidos de verde nem deram chance. Pode-se dizer com propriedade que foi uma das melhores apresentações dos guerreiros do oeste catarinense no ano.

Mesmo sob forte chuva, a torcida marcou presença (Foto: Giba Pace Thomaz/Flickr Chapecoense)
Mesmo sob forte chuva, a torcida marcou presença (Foto: Giba Pace Thomaz/Flickr Chapecoense)

Quando veio o terceiro gol, num desvio de cabeça do zagueiro Thiego, todo mundo ali já sabia que era nosso. Digo nosso porque a Chapecoense agora é o Brasil na Sulamericana, visto que o Coritiba foi eliminado ontem. No final da partida, os 13 mil felizardos aplaudiram ambas as equipes, as luzes verdes do estádio rodopiaram para todos os lados e até a ambulância que fica na lateral do campo para possíveis emergências estava brilhando colorida. A comemoração foi grande e seguiu em carreata para o centro da cidade, num buzinaço que os curiosos espiaram pelas janelas de suas casas e prédios. A partida foi transmitida na televisão, mas nada como sentir a chuva e gritar gol antes ao se assistir ao vivo na arquibancada.

Desde 2011, a Chapecoense tem uma cara nova. É o clube que passa por um desafio de cada vez e se prepara pelo próximo. Primeiro, conquistar o estadual. Depois, escalar da série D até a série A — e ali permanecer. Na sequência, disputar um torneio internacional e tentar campanhas melhores a cada ano. É quase impensável saber que no início do milênio o clube quase fechou as portas por problemas financeiros e hoje representa uma região inteira — e agora, o país todo.

O adversário para a semifinal será ou o San Lorenzo, da Argentina, ou o Palestino, clube chileno. Enquanto espera esse resultado, a Chapecoense tem a missão de ir até São Paulo enfrentar o Corinthians e garantir matematicamente a permanência para a série A de 2017. É um calendário atribulado para um time que jogava três meses ao ano em 2010. Mais um desafio para o índio de Chapecó.

Por enquanto, comemoramos. A sabedoria de estar em uma das suas melhores fases da história, de ter uma torcida apaixonada demais e de querer melhores resultados cada vez mais. Estamos na semi. Fazendo história. A Chapecoense hoje é o Brasil.

Crédito da foto principal: Giba Pace Thomaz/Flickr Chapecoense

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